Editorial: Imperialismo = terrorismo

A- A A+
Pin It

Novamente o imperialismo se vê diante de uma situação ideal para ampliar a sua ofensiva de morte e destruição contra as semicolônias, principalmente as nações cuja maioria das populações expressa a fé islâmica.

A chacina dos jornalistas do semanário Charlie Hebdo é, a exemplo da implosão das torres gêmeas e do Pentágono, no USA, em 11 de setembro de 2001, um grande engendro para que as máquinas de guerra das principais potências imperialistas incrementem as agressões, invasões e ocupações de outros países como parte da grande corrida pela repartilha do mundo e tentativa de conjurar o agravamento da aguda crise em que a economia capitalista mundial se vê atolada. Não se pode compreender a situação sem considerar tal crise.

O cerco a um muçulmano em um mercado kosher, no qual morreram 4 judeus e o “sequestrador” (não se sabe quem matou os reféns), também acrescentou o ingrediente “antissemita” ao caldo de cultura da escalada fascista na Europa.

Independente de quem possa ter cometido a matança (os “suspeitos” mortos já não podem falar), novamente já se produziu o clima de terror pretendido contra os muçulmanos, voltando parte da opinião pública a apoiar, além das agressões a outras nações, políticas fascistas contra seus próprios cidadãos com a ampliação do Estado policial.

A extrema-direita francesa e europeia viu nisso um grande palanque para ampliar o discurso de ódio xenofóbico contra os trabalhadores e os imigrantes em geral, em especial os muçulmanos. Ataques contra mesquitas já ocorreram e os bairros proletários, cheios de imigrantes muçulmanos das ex-colônias francesas na África, já tradicionalmente acuados pela repressão, transformam-se cada vez mais em guetos.

Nos dias seguintes , nos quais só se falava dos atentados, se preparou uma grande manifestação em Paris onde se reuniram, no dia 11 de janeiro, cerca de setenta chefes de Estado ou outros dignitários de países do mundo todo, além de mais de um milhão de pessoas que marcharam em defesa da “liberdade” e “contra o terrorismo”.

O monopólio dos meios de comunicação ensalsou a demonstração, sempre destacando o fato de estarem juntos na linha de frente da manifestação o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o chefe da Autoridade Palestina (sem autoridade), Mahmud Abbas. Ainda figuravam entre eles o presidente “socialista” francês, que invadiu o Mali, o próprio presidente títere do Mali, além de outros tantos criminosos.

Os maiores terroristas vivos do mundo se irmanaram para protestar pela “liberdade” e “contra o terrorismo”. A coisa foi tão importante para os imperialistas que o USA lamentou não ter enviado alguém mais importante ao ato.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia


O fato é que o mundo mergulhará ainda mais na “guerra ao terror”. Essa é a única maneira que o imperialismo conhece de empurrar o desfecho da crise, seu próprio fim, para mais adiante.

Os imperialistas cometem os mais bestiais crimes contra a Humanidade, torturam presos políticos nas masmorras do Iraque, Afeganistão e em Guantánamo. Bombardeiam a Líbia, Síria, Ucrânia, Curdistão, Mali, etc.. Mantém milhares de bases militares em todo o mundo, financiam e paramentam suas pontas de lança contra os povos, como é o caso o Estado sionista-fascista de Israel, para promover massacres na vã tentativa de afogar em sangue a heroica Resistência Palestina.

Bandos armados e paramilitares criados e treinados pela CIA e outras agências imperialistas, hoje pintados como “terroristas” pelo próprio imperialismo, como é o caso atual do chamado Estado Islâmico, assassinam e oprimem os povos no Oriente Médio utilizando armas produzidas e fornecidas pelas potências imperialistas.

Há séculos, os imperialistas invadem e pilham os povos e nações árabes, saqueiam suas riquezas naturais, principalmente o petróleo, e, com discursos de “democracia”, cometem crimes hediondos de guerra para manterem seu controle nesses países.

É baseado nessa compreensão que nós, da redação do AND, em concordância com algumas organizações populares, democráticas e revolucionárias de outros países que já emitiram suas opiniões, atribuímos a responsabilidade pelo ataque à redação da Charlie Hebdo ao imperialismo francês e ao imperialismo de um modo geral, que oprime e explora povos e nações árabes e no mundo inteiro, fomentando guerras, agredindo e invadindo países, perpetrando massacres de homens, mulheres, idosos e crianças em todo o mundo, promovendo cruzadas de ódio contra as massas populares.

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja