Tradicional estilo próprio de samba

Outro autêntico representante do samba paulistano, 80 anos de vida e história, Germano Mathias tem um jeito todo especial de trabalhar sua arte, interpretando cada canção. Determinado, Germano gosta de gravar canções antigas, muitas que até vivenciou na ocasião de seu lançamento.

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— Nasci em 02 de junho de 1934 e desde menino me interessei por samba, participando das rodas dos engraxates, na Praça da Sé. Comecei no rádio como calouro e fui me apresentando aqui e ali, tentando uma oportunidade.

Germano nasceu na capital paulista, e em 1955 foi contratado como artista na rádio que frequentava como calouro.

— Meu primeiro sucesso foi Minha nega na janela, em parceria com o Doca. E fui ganhando alguns prêmios: o Roquete Pinto, o Prêmio Guarani. Ganhei medalha dos cronistas aqui em São Paulo com o samba Guarda a sandália dela, que é de minha autoria — relata Germano.

— Recebi até o apelido de Catedrático do Samba, dado por um saudoso jornalista, porque ganhei o diploma de Bacharel do Samba, Ordem da Palheta Dourada, da escola de samba X-9.

Por conta de seu jeito especial de interpretar sambas desde o princípio da carreira, seu primeiro disco ganhou o nome de Germano Mathias, o sambista diferente, em 1957.

— Uma apresentação de samba tem que ter muito jogo de cena, muita movimentação. Sou um sambista que acha que não é só chegar e cantar, tem que interpretar a música — fala.

 — Se não fizer assim fica tudo igual, entra um e sai, vem outro e é tudo a mesma coisa. A pessoa não samba, não vive aquilo ali.

— Digo que subo no palco para agradar o pessoal e acho que agrado mesmo — diz o sambista, que também ficou conhecido por utilizar utensílios comuns para marcar o ritmo de sua música.

Germano se define como um sambista tradição, um sambista raiz.

— Faço uma música que não tem distorção harmônica, nem deturpação no ritmo. Um samba sincopado, com divisão marcante, uma mistura de swing e gafieira. Acho que um dos poucos que canta esse estilo — acredita.

— E sou acompanhado por um conjunto que me entende muito, formamos um casamento perfeito. E é bem tradição, é bem cavaquinho, violão, trombone, surdo, pandeiro e percussão.

— Ele tem até um nome engraçado, e fui eu mesmo que coloquei esse nome: Segura o Tombo. Porque se não segurar ele cai mesmo — brinca.

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