Rio e São Paulo: “A luta vai continuar!”

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Rio, 30/1: em ato contra o aumento, manifestantes exigiram liberdade para os presos políticos

Pela segunda vez desde 2013, os gerenciamentos estaduais aumentaram simultaneamente o preço das passagens de ônibus. No Rio de Janeiro, o reajuste elevou o preço da tarifa para R$ 3,40, causando revolta na população. Desde o início do ano, assim como em São Paulo e outras cidades, os ativistas cariocas estão organizados para lutar contra o aumento.

Manifestações semanais têm reunido significativo número de manifestantes em atos pelas ruas do Centro da cidade. Os protestos reúnem entre 300 e 2 mil pessoas e, até agora, foram realizados nos dias 5, 9, 16, 23 e 30 de janeiro. Em todas as ocasiões, por onde passaram, os manifestantes foram saudados pelas massas, em especial as mais pobres.

— Esse aumento faz muita diferença na minha vida, como todos os outros aumentos, do peixe, do aluguel, do material escolar. O nosso salário nunca aumenta. Aí fica difícil. Para quem ganha bem e não pega ônibus, não faz diferença. Mas para a maioria que é assalariada, qualquer aumento já faz uma grande diferença no final do mês — conta uma auxiliar de serviços gerais que esperava o ônibus no ponto durante a manifestação de 16/01.

No dia 30 de janeiro, o quinto ato do ano teve início na Candelária e partiu em direção à Central do Brasil, onde foram registradas agressões gratuitas por parte da PM. Dois jovens foram presos e outras pessoas ficaram feridas. Nossa equipe de reportagem foi até o Hospital Souza Aguiar e conversou com Rodrigo Lima, que ficou com a perna fraturada após ser golpeado por agentes de repressão.

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Rio: velhos combatentes marcham juntos à juventude

— A polícia começou a confusão a troco de nada. A gente estava seguindo a passeata, não quebramos nada, não iniciamos agressão com ninguém. Pelo contrário, impediram a gente de entrar na Central, aí fomos pelo outro lado. Daí eles [policiais] começaram a atacar violentamente, indo em cima das pessoas que estavam com bandeiras e com faixas, tentando arrancar e não se importando com nada. Eles queriam pegar as bandeiras a qualquer custo — relata Rodrigo.

Em seguida, nossa equipe foi até a 22º DP, no bairro da Penha, Zona Norte, acompanhar a prisão do funcionário da UERJ e recém-formado em economia pela UFRRJ, Jônatas Aarão, que também foi agredido na Central. Ele foi encaminhado ao hospital com a cabeça ensanguentada e, após o atendimento médico, levado para a delegacia. Jônatas concedeu entrevista ao AND por volta das 3h da madrugada, quando foi liberado.

— Eu estava no meio da manifestação quando a selvageria e brutalidade da PM do Rio de Janeiro começou e eu fui alvejado com vários golpes de cassetete. Fica mais uma vez a grande questão que para nós tem que ser colocada pra população: vale a pena ficar em casa? Vale a pena não participar das manifestações? Diante de um quadro de repressão, um quadro de retirada de direitos trabalhistas, um quadro de aumento de todas as tarifas, da conta de luz, de água e das tarifas dos transporte, vale a pena ficar em casa se escondendo? Vale a pena não participar dos protestos? Eu digo: hoje eu fui e fui alvo da repressão, mas no próximo estarei presente, porque eu acredito nessa luta... Só com o povo e os trabalhadores na rua nós podemos reverter esse quadro! — afirma Jônatas.

Até o fechamento desta edição, novas manifestações estavam marcadas para ocorrer nos dias 3 e 5 de fevereiro.

São Paulo

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São Paulo contra a tarifa | Foto: Alonzo Chaska

Na capital paulista, a passagem do ônibus subiu para R$ 3,50. A população, em particular a juventude, não deixou barato e, até o início do mês de fevereiro, já realizou seis grandes manifestações, algumas delas terminadas com repugnantes cenas de agressões e tumultos promovidas pela Polícia Militar.

Assim foi no dia 23 de janeiro, quando, após mais um belo ato, que contou com cerca de 8 mil manifestantes, a repressão provocou grande confusão. Os manifestantes se concentraram em frente do Teatro Municipal, saindo, em seguida, pelas ruas do Centro da cidade. Num determinado momento, a polícia partiu para o ataque. Resultado: bombas de gás e balas de borracha, jornalistas e manifestantes feridos e seis pessoas presas. O major Luís Ambar afirmou que a PM só agiu para se defender e que o confronto só começou depois que uma bomba explodiu no meio da manifestação. Tal afirmação do oficial causou estranheza entre as pessoas que acompanharam o ato, pois não havia motivos para começar um confronto justamente em um lugar onde os próprios manifestantes estavam cercados.

— Um absurdo completo. Agora é assim, se tem protesto marcado, a localidade fica completamente sitiada pela polícia. Eles querem tirar o povo da rua embaixo de porradas e bombas, mas a luta vai continuar! Podem reprimir, mas, ao mesmo tempo que tentam assustar o povo, também fazem crescer a indignação contra isso. Estamos diante do verdadeiro fascismo. Está tudo um lixo e quando a população vai exercer seu direito e protestar pacificamente, a resposta que o Estado dá é mais porrada — disse a estudante Paula Silva.

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No dia 20, a manifestação foi realizada no Tatuapé, Zona Leste da capital, e, no dia 27, foram registradas novas cenas de covardia por parte dos agentes de repressão. Um vídeo publicado pelo Coletivo Comboio mostra o momento em que, após o término do 5º ato, a polícia reprime de forma covarde pessoas que estavam na estação Faria Lima, na Zona Oeste, lançando bombas de gás lacrimogêneo e “colocando em risco a vida das pessoas”, como afirma a descrição do link no You Tube.

Em 29 de janeiro, milhares de pessoas se concentraram no vão livre do Museu de Arte de São Paulo, no Centro, e saíram em passeata no 6º Grande Ato. Os manifestantes foram até a frente do prédio onde mora o gerente municipal Fernando Haddad (PT), no Paraíso, e fizeram a entrega simbólica do “Troféu Catraca 2015”.

Na próxima edição de AND, traremos as informações atualizadas da luta contra o aumento e, no Facebook, continuaremos acompanhando os fatos em tempo real.

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