Terrorismo na França: ações e reações de uma mesma barbárie

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Na língua portuguesa, a etimologia é a parte gramatical que aborda a história das palavras e da explicação de seus significados através da análise dos elementos que as constituíram ao longo do tempo. Uma análise etimológica simples da palavra democracia, indica que a mesma possui uma tendência histórica de significação na qual toda a condução política de um Estado ou uma nação emana do povo. Nesta perspectiva conceitual, o povo participaria plenamente da gestão política, garantindo que seus direitos sejam efetivamente respeitados. Espera-se de um regime desta natureza, a supressão das todas as opressões inseridas no seio da sociedade e que valores como tolerância, respeito mútuo e aceitação de diferenças de ordem política, ideológica, religiosas ou de gênero sejam elementos presentes na convivência social.

Os atentados terroristas de Janeiro de 2015 que ocorreram na França ressaltam principalmente que estes valores não estão introspectados nas democracias ocidentais de forma plena. Toda a importância dada ao acontecimento foi legítima, afinal dezenas de pessoas foram assassinadas. Contudo, devemos ser críticos em relação a este tema. Não se trata aqui de fazer uma apologia da violência praticada em Paris, ou qualquer outra região, mas quantos foram assassinados nas ações bélicas Ocidentais no Oriente Médio nos últimos anos?

A percepção de que somos apenas vítimas de fanáticos e bárbaros é simplória e extremamente limitada. Este tipo de terror é apenas um sintoma da dificuldade de convivência com as diferenças e com o respeito mútuo, que são preceitos democráticos. Ações sempre geram reações. O engraçado é que os Estados ocidentais cometem as mais variadas atrocidades no Oriente Médio, mas quando esta violência se volta contra, a reação é ironicamente de surpresa.

Retomando nossa argumentação etimológica, na expressão “terror islâmico” temos um exemplo de demonstração de intolerância. Atribuir um ato de terror, de forma generalizada a uma determinada etnia ou religião, é pressupor que árabes são os únicos responsáveis pela existência do terrorismo no mundo. Não podemos esquecer que a apenas algumas décadas grupos ocidentais usavam táticas de violência como espetáculo afim de alcançar objetivos políticos, principalmente de cunho separatista. A utilização deste conceito diz respeito muito mais sobre islamofobia do que sobre terrorismo propriamente. É fundamental esclarecer que não existe uma nação terrorista, e sim minorias que se utilizam desta tática para alcançar seus objetivos.

O extremismo atinge ambos os lados, mas só percebemos quando somos as vítimas. Tal qual na década de 30 do século XX, quando a crise econômica possibilitou o surgimento de regimes fascistas, temos recentemente na Europa, um assustador ressurgimento de grupos neofascistas de estrema direita, na qual a xenofobia é característica marcante e tudo isso ocorre dentro das sociedades denominadas como democráticas. Frequentemente estes grupos fazem manifestações racistas dirigidas contra comunidades muçulmanas. Existe agora um grande perigo do acirramento destas tensões. É preocupante a possibilidade de crescimento de adeptos destes grupos elevando ainda mais o ciclo de violência, pois como já disse, para as ações sempre existem as reações, sejam nas sociedades teocráticas, sejam atualmente nas sociedades “democráticas”.

*Juan Magalhães é formado em História e Relações Internacionais. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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