Resistência cultural do samba

Apaixonado pelo samba autêntico e batalhador na sua divulgação e valorização, Marquinhos Jaca vê o gênero como expressão genuína da música popular brasileira. Resistindo a massificação da cultura, Marquinhos segue a linha do partido alto, com muita improvisação e criatividade.

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— Para mim um sambista não é só quem toca e canta samba, até porque o samba é uma cultura e não apenas um gênero musical. Ele tem uma função sociocultural e política. Ser sambista é muito mais do que simplesmente executar um gênero musical.

Circulando pelas rodas de samba de São Paulo, Marquinhos é sambista nato.

— Meu envolvimento com música vem da minha família, que gostava muito de música. A influência maior foi do meu pai, até então eu era o caçula da minha casa e único homem de uma prole de quatro filhos — conta.

— Me carregava para cima e para baixo, e as trilhas sonoras que ouvia eram Bezerra da Silva, Partido em Cinco e música clássica que ele escutava muito.

— Minha mãe ouvia Alcione, Beth Carvalho, Clara Nunes e bastante MPB. Cresci nesse ambiente. O apelido ganhei quando comecei a engordar e um amigo disse que eu estava parecendo uma jaca. Aí pegou — diz bem humorado.

Aos 15 anos de idade Marquinhos já era conhecido no meio dos sambistas. Integrava o grupo Pé de Moleque e já acompanhava artistas em apresentações.

— Entre outros, acompanhei shows de Jovelina Pérola Negra, Dona Ivone Lara, Almir Guineto, Zeca Pagodinho e Germano Mathias. No final da década de 90 fiz várias apresentações pelo Brasil junto com o Thobias da Vai Vai — conta.

— Em 2001 participei da trilha sonora do longa Carandiru, com a música É Carnaval, uma parceria com o André Saracura, Carlos Júnior, Kiko Dinucci, Koke e Ildo Silva. Fora isso, sempre fiz apresentações nas casas de samba daqui de São Paulo.

Marquinhos trabalha com variedades dentro do samba, mas principalmente com o partido alto.

— Não escolho exatamente fazer partido alto, quando me dou por conta ele já me tomou. Prefiro dizer que sou muito mais um cronista do que um compositor, mesmo que minhas músicas sejam composições. Escrevo minhas particularidades, a vida cotidiana das pessoas, sátiras, crio estórias — define.

— Isso tudo, geralmente, dentro do partido alto, que tem como principal característica o improviso. Cria-se uma proposição, um tema, que chamamos de cabeça do partido alto e os versos são improvisados — explica.

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