A Guerra Popular e a participação das mulheres

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Na Índia, segundo país mais populoso do mundo, com mais de 1 bilhão e 200 milhões de habitantes, se desenvolve uma heroica Guerra Popular, dirigida pelo Partido Comunista da Índia (Maoísta), contra a semifeudalidade, o semicolonialismo e o imperialismo. Os Janatana Sarkar (Comitês Populares Revolucionários) são criados em milhares de aldeias localizadas nas áreas libertadas pelos revolucionários maoístas em extensas regiões do país como embriões de um novo poder.

Em diversas ocasiões, narramos a história das militantes e dirigentes do PCI (Maoísta), das heroicas combatentes e comandantes das fileiras do Exército Guerrilheiro Popular de Libertação (EGPL) e das bravas ativistas das massas, no campo, nas regiões tribais e nas cidades.

Por ocasião da passagem do último 8 de Março, Dia Internacional da Mulher Proletária, AND traduziu para o português trechos do artigo As mulheres na revolução indiana, publicado pelo blog Gran Marcha Hacia el Comunismo.

No amanhecer deste novo século estão se produzindo acontecimentos extraordinários na frente das mulheres indianas. Na profundidade das selvas e nas planícies da Índia central, em Bihar e Jharkhand, nas atrasadas aldeias de Telangana, em Odisha, as mulheres estão se organizando ativamente para romper os grilhões do patriarcado feudal e levar a cabo a Revolução de Nova Democracia. O crescimento e difusão da guerra popular dirigida pelo PCI (Maoísta) desatou a fúria da mulher como uma poderosa força da revolução. Emergiu um movimento revolucionário de mulheres, um dos movimentos mais fortes e poderosos entre as mulheres do país.

O lançamento da luta armada no começo dos anos 80 por parte das forças comunistas revolucionárias em diversas partes do país e a luta militante contra a opressão feudal deu confiança a um amplo número de mulheres camponesas para participar nestas lutas e, mais tarde, para subir e combater por seus direitos. As mulheres são as mais oprimidas entre os oprimidos. As mulheres camponesas e sem-terra, as que têm negadas não só a identidade e a voz, mas até mesmo o nome, se converteram em ativistas para as organizações em suas aldeias e em combatentes guerrilheiras. A mobilização de mulheres e das organizações de mulheres revolucionárias cresceu desde o surgimento do movimento, o mais poderoso na atualidade no país. Mas isto não é reconhecido e é ignorado, tratando-se de uma manobra das classes dominantes que tentam reprimir qualquer notícia e menção o quanto podem.

É um movimento de libertação das mulheres, das camponesas na Índia rural, como parte da guerra popular desenvolvida pelo campesinato oprimido sob a direção do PCI (Maoísta). Nos últimos anos, milhares de mulheres têm se agrupado por centenas de aldeias para celebrar o 8 de Março. Elas estão se manifestando pelas ruas de cidades como Narayanpur contra o concurso de beleza de Miss Universo; têm se manifestado com seus filhos por cidades e aldeias do atrasado Bastary Jharkhand, por baluartes feudais como Bihar, Odisha, em Lalgarh e outros lugares exigindo o fim da opressão e exploração por parte dos exploradores forasteiros, os comerciantes sem escrúpulos, os empreiteiros e funcionários florestais, as corporações mineradoras, as forças policiais e paramilitares, os bandos de vigilantes privados financiados pelo Estado.

Estão bloqueando estradas para protestar contra as violações, exigindo que a venda de bebidas alcoólicas seja proibida e que as denominadas forças de segurança sejam retiradas das escolas e que seus filhos possam seguir os estudos. [A organização] Nari Mukti Sangh, em Bihar e Jarkhand; [organização] Krantikari Adivasi Mahila Sanghatana, em Dandakaranya; e várias outras organizações em outros estados se encontram na vanguarda organizando-as e dirigindo-as. Centenas de jovens mulheres estão se transformando em combatentes guerrilheiras no exército dos oprimidos, o Exército Guerrilheiro Popular de Libertação (EGPL), desfazendo-    se dos grilhões de sua cansada vida tradicional. Vestidas com uniformes militares, com a estrela vermelha sobre suas gorras verdes-oliva e rifle no ombro, estas jovens mulheres estão transbordantes de confiança de que a luta contra o patriarcado está vinculada integralmente à luta contra as classes dominantes da Índia semicolonial e semifeudal. Estão se equipando com conhecimentos militares para vencer... Este é um despertar social e político dos mais pobres entre os pobres, principalmente entre os dalits e advasis [povos tribais]. As normas bramânicas estão sendo derrotadas. O patriarcado e a casta estão sendo destruídos desde sua raiz. Estes são sinais de transformação que chegam a vidas de mulheres e homens pobres do campo enquanto participam nesta grande luta pela revolução.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Exitosas ações guerrilheiras

No último dia de fevereiro, o blog Revolución Naxalita divulgou uma série de ações realizadas pelo Exército Guerrilheiro Popular de Libertação durante aquele mês. Estas notícias não foram divulgadas nas últimas edições de AND, pois só vieram a público através de páginas internacionais após suas publicações. Fazemos agora, nesta edição da 2º quinzena de março, uma atualização das ações revolucionárias levadas a cabo pelos maoístas indianos em fevereiro.

24 de fevereiro: um policial foi aniquilado e outros quinze ficaram feridos após a explosão de um artefato na passagem de um veículo militar na região de Dumaria-Imamganj, no estado de Bihar. Os agentes de repressão alvos da ação guerrilheira pertencem ao grupo de elite CoBRA. As informações são da agência TNN.

20 de fevereiro: dois policiais ficaram feridos após a explosão de outro artefato, desta vez na aldeia de Emargunda, distrito de Bijapur, no estado de Chhattisgarh, informou a agência PTI. A polícia realizava uma operação “contrainsurgente” durante uma greve geral convocada pelo PCI (Maoísta) quando foi alvejada. A greve atingiu os estados de Odisha, Telangana, Maharashtra, Andhra Pradesh, além do próprio estado de Chhattisgarh. Dias antes, a agência Zee News divulgou que os maoístas intensificaram as ações armadas em várias regiões na preparação da greve.

19 de fevereiro: um policial do Grupo de Operações Especiais foi aniquilado durante um confronto armado com guerrilheiros maoístas na aldeia de Dudhiras, distrito de Dantewada, em Chhattisgarh. O enfrentamento ocorreu cerca de 400 km da capital do estado, Ranchi, quando um contingente policial entrou nas selvas de Dudhiras. Os maoístas não sofreram nenhuma baixa.

17 de fevereiro: o portal Web India informou que um grupo de guerrilheiros aniquilou um agente da polícia na região de Bhairamgarh, distrito de Bijapur, Chhattisgarh, quando este regressava à sua unidade.

16 de fevereiro: um agente da Força Armada de Chhattisgarh foi aniquilado e outro ficou ferido após a explosão de um artefato no distrito de Sukma, divulgou a agência Zee News. A ação ocorreu na aldeia de Temelwada quando a patrulha policial regressava de uma operação contra a guerrilha maoísta.

13 de fevereiro: um grupo de combatentes do EGPL aniquilou um informante da polícia identificado como Samuel Bhadra, de 50 anos. A ação foi levada a cabo no distrito de Balangir, estado de Odisha. Samuel era acusado de delação de um dirigente comunista que foi assassinado pela repressão.

13 de fevereiro: segundo a agência PTI, um policial do Grupo de Operações Especiais ficou gravemente ferido após a explosão de uma mina no distrito de Balangir, em Odisha. Dois dias antes, 11 de fevereiro, foi registrado um confronto armado entre maoístas e as forças policiais na aldeia de Semlaghata.

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