Uma vida de choro

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Paraense de Anajás, na Ilha de Marajó, Adamor do Bandolim é um chorão com mais de 50 anos de carreira. Autodidata, aprendeu a tocar ainda menino e, desde então, tem lutado pelo seu espaço e a divulgação do gênero que considera o mais importante.

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— Meu trabalho é de muita abnegação, porque o choro tem um público fiel, mas que não é exatamente numeroso. Não tem o apoio da grande mídia e por isso quase não estamos em evidência. Porém, é só procurar para achar muitas rodas de choro acontecendo — conta Adamor.

— Nunca dei muita importância para a música cantada. Extrair som de um instrumento me atraía mais do que ficar cantarolando. Sempre fui um chorão, até porque me emociono com pouca coisa mesmo — brinca.

— Às vezes me perguntam porque gosto tanto de choro, digo: ‘quando nascemos, a primeira coisa que fazemos é chorar’. Depois choramos por desilusão amorosa etc.. E quando morremos os outros choram, então a vida é choro — continua o bem humorado chorão.

 Por conta de uma fantasia de infância, Adamor tornou-se um importante músico instrumental brasileiro.

— Minha história com o choro começou lá no Marajó aos oito anos de idade, quando meu pai comprou uma vitrola e juntamente negociou uns discos. Eram todos instrumentais, discos de choro: Jacob do Bandolim, Pixinguinha etc.

— Mas um desses chamou muito a minha atenção, porque tinha na capa escrito ‘Garoto’. Era um disco do Aníbal Augusto Sardinha, que tinha o apelido de Garoto, mas eu, na inocência da minha infância, imaginei que fosse o disco de um menino igual a mim — lembra

— E pensei: ‘se ele é um garoto e consegue tocar violão desse jeito, tão bem, eu também posso tocar’ (risos). Assim peguei um instrumento e comecei a tocar, de ouvido, lutando para conseguir ser um menino prodígio na música também.

Aprendeu a tocar principalmente através dos choros do Garoto e com o tempo foi desenvolvendo seu próprio estilo.

— Me tornei um chorão por causa desse meu pensamento de ser igual a ele. Nem imaginava que o garoto do disco na verdade era um homem, um dos maiores violonistas brasileiros de todos os tempos.

— Mas os meus instrumentos sempre foram o cavaquinho e o bandolim. Entre os chorões que mais aprecio tem mais gente do cavaquinho do que bandolim. Mas acabei me adaptando mais ao bandolim — comenta.

— Na década de 50, ainda adolescente, iniciei minha carreira nos programas de calouros que tinham no rádio brasileiro daquele tempo. E minha influência já tinha se ampliado. Era Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Abel Ferreira etc.

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