Luta pela Terra

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PA: camponesas celebram o 8 de Março

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Ato no Dia Internacional da Mulher Proletária: "Conquistar a terra! Destruir o latifúndio!"

Na manhã de 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher Proletária, cerca de 250 camponesas e camponeses da Área Revolucionária Osmir Venuto da Silva participaram do ato organizado pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP) em Xinguara, distrito de Rio Vermelho, no Pará.

Como parte das atividades do dia, o Movimento Feminino Popular (MFP) realizou uma apresentação teatral sobre a Guerrilha do Araguaia. Mais de 450 pessoas, entre ativistas e moradores da região, assistiram a peça.

Os camponeses cuidaram de tudo: prepararam o barracão para a apresentação, confeccionaram faixas e bandeiras, organizaram a venda de sorvete, ‘geladinho’, cachorro-quente, suco e pipoca. Também foram confeccionadas camisetas e lenços com estampas do movimento, vendidos aos apoiadores.

“A preparação foi precedida de muitas reuniões de planejamento e estudo entre as companheiras, trabalho que já vem sendo desenvolvido desde antes da tomada da área no ano de 2014. O MFP tem exercido papel destacado, tanto de mobilização como na organização do acampamento. O envolvimento das pessoas com o ato foi muito grande. Muitos dizem que ‘nunca viram coisa igual’. As companheiras estão muito empolgadas com o movimento. Na vila a reação foi muito boa. Recebemos apoio de muitos moradores, pequenos comerciantes e professoras”, informam as camponesas em relato enviado à redação do AND.


PA: camponeses desmoralizam latifundiário

Entre os dias 3 e 5 de março, foram realizadas, no município de Redenção, Pará, na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, audiências públicas convocadas pela Comissão de Combate à Violência no Campo, presididas pelo Ouvidor Agrário Nacional, Gercino da Silva Filho.

Segundo informações da Associação Brasileira de Advogados do Povo (Abrapo), entre os vários casos debatidos, um merece maior atenção. Se trata do conflito agrário relacionado à Fazenda Cipó. A área era objeto de litígio e havia indícios de que o latifundiário não possuía quaisquer direitos sobre aquelas terras, que seriam da União, o que foi confirmado na audiência pelos representantes do Incra e Iterpa.

“A declaração oficial comprova estudos já realizados no sentido de que no estado do Pará reina a grilagem, a ponto de o próprio Congresso Nacional ter relatado que no Brasil existem quase ‘quatro Parás’”, afirma a Abrapo, que ressalta ter sido essa uma importante derrota para o latifúndio, que foi desmascarado pelos camponeses em luta pela terra.

Segundo o informe da Associação, o advogado do latifundiário se mostrou completamente perdido na audiência e foi alvo de risos e vaias dos camponeses diante de sua completa falta de argumentos e desconhecimento do caso.

“A marcha processual continua. Há elementos mais do que suficientes para que a liminar de reintegração de posse seja revogada. Aguardemos, porém, a decisão do Poder Judiciário”, conclui a Abrapo.

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Inconformado, latifundiário ataca camponeses

No dia 7 de março, muitos tiros foram ouvidos na região da Fazenda Cipó. Segundo relatam os camponeses da área, os disparos foram feitos por pistoleiros a mando do latifundiário, inconformado com o resultado da audiência.

Em 16 de março, pela manhã, fomos informados pela coordenação da Liga dos Camponeses Pobres do Pará e Tocantins que um camponês que luta pelas terras da Cipó foi preso ao chegar no vilarejo de Sariema. A LCP denuncia que a Polícia Militar forjou um flagrante de porte de arma contra ele.

A situação é de terror. De acordo com a denúncia da Liga, “a Delegacia de Conflitos Agrários, que realiza os procedimentos regulares relativos a conflitos agrários na região, atua a soldo do latifúndio”. Os camponeses arrecadam fundos para pagar a fiança para que o camponês possa se defender em liberdade.


Paraná: os crimes do latifúndio na Araupel

Recebemos na redação de AND uma denúncia de camponeses da região do Cantuquiriguaçu, no oeste do Paraná. Uma nota do MST, que acompanha a denúncia, relata a grave situação:

“No dia 20/01/2015, um assalto seguido de sequestro e assassinato no Assentamento Ireno Alves, em Rio Bonito do Iguaçu, alarmou toda a região. O casal Elias e Isabel Casagrande e seu netinho, Luiz Fernando Casagrande, de 2 anos e meio, foram barbaramente assassinados por bandidos que vinham praticando assaltos e roubos em residências na região há muito tempo (...) O sistema de dominação política e econômica dos latifundiários, somada com a impunidade associada à cumplicidade das autoridades com o crime organizado dos poderosos alimentam o clima de insegurança e os atos de violência na Região. Os assassinatos praticados por pistoleiros da Araupel sem que ninguém tivesse sido punido são exemplos dessa situação de insegurança e violência.”

A nota relembra o dia 16 de janeiro de 1997, quando os camponeses Vanderlei das Neves, de 16 anos, e José Alves dos Santos, 34, foram barbaramente assassinados por pistoleiros a serviço da Araupel. Mandantes e executores ficaram impunes por esse covarde crime.

A Araupel, pertencente ao grupo Giacometti/Marodin, é uma grande madeireira que explora o plantio de pinus, cuja madeira é exportada em sua totalidade para o USA.

“Terra grilada” — denunciam os camponeses, que tomaram parte do latifúndio de mais de cem mil hectares que atinge cinco municípios: Rio Bonito, Nova Laranjeiras, Quedas do Iguaçu, Espigão do Iguaçu e Três Barras do Paraná. Há mais de dez anos, o Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) considerou as terras, reclamadas pela Araupel, como sendo território da União. Há relatos de que trabalhadores da empresa morreram durante o desbravamento do latifúndio para o plantio de pinus e que lá foram encontrados cemitérios clandestinos. O número de mortos é desconhecido.

O assassinato da família denunciado na nota revoltou os camponeses e moradores de toda a região, que organizaram uma grande manifestação em 30 de janeiro. Centenas de pessoas participaram do protesto, que partiu de Rio Bonito do Iguaçu até a Praça José Nogueira do Amaral, em Laranjeiras do Sul.

Os camponeses denunciam ataques e provocações do latifúndio contra as mais de mil famílias acampadas nas antigas terras da madeireira. Relatam que até mesmo o Secretário de Segurança do Paraná tem dado declarações atacando os camponeses, afirmando que “antes de existir o acampamento havia paz na Araupel”. Uma tentativa ardilosa de criminalizar as famílias, pois, segundo os camponeses, o secretário também tem dado declarações de que irão ocorrer “reintegrações de posse” em toda a região. Essas declarações e provocações, afirmam os camponeses, tem como objetivo “tentar dividir os trabalhadores, servindo aos interesses da Araupel”.


Triângulo Mineiro: retomada de latifúndio

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Camponeses retomam terra em Campina Verde

Em 14 de março, 70 famílias camponesas organizadas pela Liga dos Camponeses Pobres retomaram as terras da Fazenda São José da Boa Vista, uma área de 1.200 hectares no município de Campina Verde, no Triângulo Mineiro.

Trata-se de uma luta histórica. Em janeiro de 2010, as 70 famílias realizaram a primeira tomada da fazenda. Na ocasião, o latifundiário Francisco Jacinto Barcelos abandonou todo seu rebanho bovino por mais de um ano. Ele dizia estar disposto a vender as terras, mas afirmava que o “Incra não mostrava interesse” em comprá-las para fins de reforma agrária. A partir de 2012, os camponeses foram alvo de três tentativas de despejo e sempre resistiram, permanecendo em uma área vizinha.

Nos últimos anos, as terras da fazenda foram objeto de arrendamento por um dono de redes de supermercados local que abateu e comercializou todo o gado que estava na fazenda e, por fim, alugou para um terceiro.

Após a retomada da São José da Boa Vista pelos camponeses, em apenas um dia e meio, através de trabalho coletivo, todos os barracos foram erguidos, a cozinha coletiva e outras tarefas do acampamento foram organizadas.

Imediatamente, uma comissão do acampamento se dirigiu para Belo Horizonte, onde cobrou providências do Secretário de Estado de Desenvolvimento Agrário, Glênio Martins, que se mostrou interessado em solucionar a questão da terra para os trabalhadores.

Em 16 de março, os camponeses informaram a redação de AND que homens apresentando-se como policiais, mas sem portarem identificações, estiveram na área. Os camponeses também reafirmaram sua decisão de permanecer e produzir nas terras retomadas.


Provocação fascista

Às vésperas das manifestações convocadas pelos oportunistas governistas no dia 13 e as do dia 15 de março por pessoas e movimentos conservadores, entre eles setores do PSDB e viúvas do regime militar fascista, reacionários de todo tipo se esbaldaram pela internet em atiçar um ambiente de histeria hidrofóbica, destilando todo seu fel para acusar Dilma e o PT de serem “comunistas”.

Seria cômico se não fosse situação tão trágica para nosso povo, que sofre debaixo de mais um governo de turno serviçal do imperialismo, principalmente do USA, que tem presenteado a banqueirada, os usineiros e demais latifundiários e pares do chamado “agronegócio”, em detrimento do povo trabalhador, operários, empregados, servidores públicos, camponeses pobres sem terra ou com pouca terra, cuja situação é agravada com o recente “pacotaço”.

Entre as manifestações de ódio que precederam as manifestações, circulou nas chamadas redes sociais um cartaz, melhor dizendo, um escárnio provocador maquinado por um fascista de baixo coturno, pedindo “Stédile vivo ou morto”, oferecendo uma “recompensa” de R$ 10 mil pela cabeça do dirigente do MST.

Não se pode de forma alguma tratar isso como “caso isolado”. Isso seria fechar os olhos para os crimes cometidos pelo velho Estado e essa gerência petista oportunista, seus Incra, Ibama, Ouvidoria Agrária Nacional, Varas Agrárias e demais órgãos repressivos. Seria subestimar ao extremo o quadro de perseguições e prisões de dezenas de ativistas, muitos deles membros do MST, que enfrentam a cadeia e processos. Seria negar as torturas e assassinatos de dezenas de milhares de camponeses, entre os quais muitos dirigentes, centenas deles somente nos 12 anos das gerências Lula/Dilma. Assassinatos seletivos de dirigentes e ativistas por policiais e pistoleiros a soldo do latifúndio.

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