Juventude enfrenta o fascismo em Goiânia

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Resistência contra a repressão marcou protestos contra o aumento das passagens em Goiânia

O governo e os empresários esperaram o carnaval chegar em Goiânia para aumentar o preço das passagens do transporte coletivo. O decreto aconteceu certamente com a intenção de barrar manifestações imediatas do povo contra este aumento abusivo e ilegal, pois, segundo a lei, tal “reajuste” deveria haver um aviso prévio de 15 dias, porém foi decretado de forma imediata.

O aumento deste ano foi o maior da história da cidade, com as passagens aumentando em R$ 0,50, e fazendo com que Goiânia tenha a terceira tarifa mais cara do Brasil. Os empresários buscam ganhar aquilo que não conseguiram retirar do povo em 2013, quando a população foi às ruas e mostrou sua força barrando o aumento. Inclusive, Goiânia foi a segunda cidade na época a sair às ruas nesta luta específica e onde a repressão abateu primeiramente com maior força, levando indignação e revolta para vários lugares do Brasil, iniciando assim a tão conhecida e marcante jornada de junho.

Os responsáveis por este atentado contra o trabalhador goiano, logo quando decretado o aumento, buscaram argumentos tentando justificar o injustificável. A Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) alegou que o motivo do aumento foi o não cumprimento de um acordo firmado com o governo estadual, que deveria arcar com metade dos custos referentes às gratuidades das tarifas (passe livre de idosos, estudantes, crianças e deficientes). Essa situação motivou até um estudo por parte do Ministério Público do Estado de Goiás, que, contrariando toda e qualquer expectativa e agindo da maneira menos razoável possível, afirmou que estudavam requisitar o cancelamento dos benefícios conquistados pela população com muita luta, como o passe livre estudantil, além do passe livre ao idoso. Se já não bastasse o aumento, mais um golpe pode se abater sobre parte da população.

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Segundo dados divulgados na imprensa, mesmo sem o pagamento por parte do governo de tais gratuidades, o aumento não deveria passar de 30 centavos, o que já seria um absurdo, pois as condições do transporte coletivo pioram a cada dia.

A certeza que se tem é que a população não admite pagar mais esta conta abusiva. No dia 20 de fevereiro, em uma manifestação chamada pela Frente de Luta Contra o Aumento, cerca de 800 pessoas saíram às ruas de Goiânia, mesmo debaixo de chuva, reivindicando a volta ao preço em que a tarifa estava vigorando. A manifestação estava sendo acompanhada por um forte aparato repressivo, inclusive por um helicóptero da Graer (Grupo de Radiopatrulha Aérea).

A PM fechou um terminal da cidade, que se localizava próximo ao trajeto da manifestação, esvaziando-o. Quando os manifestantes se aproximaram do local, buscando dialogar com a população que havia sido posta pra fora pela polícia, a tropa de choque atacou o ato, disparando balas de borracha e lançando gás lacrimogêneo. Muitos manifestantes, para não se ferir, se refugiaram na sede de um jornal. Uma estudante chegou a desmaiar por causa dos efeitos do gás lacrimogêneo.

No mesmo dia, a repressão do Estado deu mostras que queria atacar como pudesse a liberdade de organização e manifestação da população. No dispersar do ato, duas pessoas foram presas acusadas de “atos de vandalismo”, mesmo sem nenhuma prova. A justiça determinou uma fiança de 3 mil reais para cada um. Fiança abusiva, já que os dois eram jovens de famílias pobres .

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Durante protesto, terminal é bloqueado

Porém, isso não intimidou a população, que continuou se organizando e lutando. Em uma reunião chamada em um local público, onde estudantes e trabalhadores discutiriam a questão do aumento das passagens, a polícia ocupou o local perto do horário marcado, impedindo o exercício de livre reunião, um grave atentado contra a liberdade política.

Já no dia 26 de fevereiro, a população revoltada com o atraso dos ônibus e já tendo que pagar R$ 1 a mais na tarifa (ida e volta), fechou um importante terminal da capital goiana, em uma manifestação espontânea que contou com a presença de centenas de trabalhadores e estudantes. O ato parou o terminal por mais de 5 horas, dando prejuízo aos empresários do transporte, que temem qualquer lucro perdido.

A polícia mais uma vez desempenhou uma repressão implacável. Durante o ato, algumas pessoas foram agredidas pelas forças policiais que tentavam expulsar a população que se manifestava. Cinco manifestantes acabaram sendo presos. Um deles foi brutalmente agredido enquanto os policiais efetuavam a prisão, revoltando as pessoas que ali estavam. O companheiro Gabriel Vilela, que participa do Comitê de Apoio ao Jornal A Nova Democracia em Goiânia e que cobria a manifestação espontânea, também acabou sendo preso. A polícia jogou em suas costas várias acusações, tornando a prisão inafiançável. Sabe-se que o interesse do Estado para com este companheiro é evitar a divulgação das manifestações feita pela imprensa popular, que não manipula os fatos como faz a imprensa burguesa.

No mesmo dia, à tarde, foi realizada uma manifestação organizada pelo Comitê Contra o Aumento, reunindo cerca de 400 pessoas, que, mesmo sob uma forte chuva, saíram as ruàs do Centro de Goiânia. Mais uma vez um forte aparato da PM acompanhou a manifestação.

No fim, a polícia deteve cerca de 20 pessoas, levando-as à delegacia para depor. Já na manhã do dia 11 de março, ocorreu uma atitude parecida. Mais pessoas foram detidas depois de outra manifestação espontânea no mesmo terminal de anteriormente. Algumas foram presas dentro de um ônibus, quando iam embora, depois de serem seguidas.

Essa atitude é arbitrária, já que as pessoas estão sendo presas sem qualquer motivo e levadas para a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), local onde serão interrogadas inicialmente como testemunhas de um inquérito que busca descobrir uma suposta quadrilha organizada para atos de vandalismo na capital. E, depois de ser “presa como testemunha”, a pessoa pode ser transformada em uma indiciada, tudo a depender da “criatividade” do delegado em apontar crimes para os manifestantes.

Assim como ocorreu no Rio de Janeiro, a polícia construiu um inquérito em que, supostamente, comprova a existência de uma “quadrilha de vândalos”. Como a repressão em 2013 não obteve sucesso e o inquérito com seus organogramas mostrou-se estapafúrdio e fora da realidade, a polícia segue tentando criar a tal quadrilha, dessa vez prendendo pessoas aleatoriamente e interrogando-as como testemunhas de nenhum fato. A constituição foi rasgada e se vive um verdadeiro estado de exceção.

Quando os primeiros grupos começaram a se organizar para a luta contra o aumento neste ano, a Polícia Civil já preparava o cerco contra os manifestantes. Intimaram várias pessoas a ir na delegacia prestar depoimento, além de buscarem insistentemente as lideranças dos atos, não aceitando o fato de que estes são puxados pela sociedade em geral, e não por pessoas específicas.

Quanto mais forte a crise financeira se torna, mais o povo é forçado a pagar a conta que não é dele. Com isso cresce a insatisfação popular. E, para evitar que essa revolta se torne incontrolável, o Estado, a cada dia, se torna mais fascista, reprimindo de forma implacável qualquer manifestação política contra as classes dominantes. É isto que vem acontecendo em Goiânia e em várias partes do Brasil.

Até o momento não houve nenhum pronunciamento por parte dos órgãos responsáveis em reparar este aumento abusivo das tarifas.

Mais manifestações prometem acontecer até que ele seja revogado.

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