Metalúrgicos: paira sobre as fábricas a sombra do ‘layoff’

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Fábrica de Taubaté - SP esvaziada por férias coletivas

Lá pelos idos de 2006, falando em um evento da transnacional da “indústria automobilística” líder em vendas de carros na semicolônia Brasil, a Fiat, o então “presidente” Luiz Inácio saiu-se com essa, referindo-se às demissões na época anunciadas por montadoras como a alemã Volkswagen em suas fábricas no Brasil: “No mundo do trabalho é assim: quando a empresa está produzindo muito, ela contrata. Quando está produzindo pouco, ela descontrata as pessoas”.

Naquela feita, a Volkswagen esperava apenas o fim de um “acordo de estabilidade” assinado pela, digamos, escola de sindicalismo amarelo de São Bernardo do Campo, para começar a distribuir nada menos do que 1.800 cartas de demissão a trabalhadores da sua unidade instalada naquela cidade paulista.

O tal “acordo de estabilidade” havia sido assinado cinco anos antes pelo ex-presidente do sindicato Luiz Marinho, que foi pessoalmente à matriz da Volkswagen, na cidade de Wolfsburg, na Alemanha, “negociar” a entrega de vários direitos dos metalúrgicos perdidos para sempre em troca de uma garantia de não-demissão com curto prazo de validade.

Quando o prazo estava para vencer, Luiz Marinho era ministro do Trabalho, e seu chefe imediato, o ex-gerente da semicolônia Brasil e ex-chefe da burocracia sindical do ABC, Luiz Inácio, chegava ao fim do seu primeiro “governo” versando sobre a naturalidade do descarte de trabalhadores ao olho da rua pelas grandes empresas capitalistas.

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De lá para cá correram mais quase dez anos de gerenciamento do oportunismo do PT-pecedobê. Hoje, o “setor automotivo” enfrenta mais uma crise de vendas no Brasil, entre outras tantas neste intervalo. As vendas estão em patamares do auge da “crise de 2008” e a previsão é de que as montadoras vão operar com ociosidade recorde em suas fábricas no próximo biênio. Nos principais centros de fabricação de carros do país, como no ABC paulista e no Vale do Paraíba fluminense, os patrões só falam em “layoff” (a chantagem patronal e pelega da suspensão dos contratos de trabalho: ou isso, ou demissão), redução de salários e, claro, o próprio olho da rua, tudo sob a epígrafe recitada por Luiz Inácio: “No mundo do trabalho é assim”.

No “pólo automotivo” apelidado de RIP (Resende, Itatiaia e Porto Real, cidades do sul fluminense), por exemplo, a Volkswagen lançou ainda em 2014 um programa de demissão voluntária com o qual pretende se livrar de um “excesso de mão de obra” de 1.500 trabalhadores, ou 30% dos seus funcionários da fábrica de caminhões e ônibus de Resende — caminhões e ônibus cujas vendas no Brasil despencaram 28% em janeiro de 2015 na comparação com o mesmo mês no ano passado.

Além disso, a Volkswagen, em “acordo trabalhista” ajustado com a burocracia sindical do sul fluminense, congelou os salários deste ano na fábrica de Resende e a cada quatro semanas dará dois dias de “folga não remunerada” aos trabalhadores.

E se lá em 2006 Luiz Inácio falava em ajudar a Volks a “contratar mais do que demitiu” (sic), agora o “governador” Pezão assinou no início do ano uma lei agraciando a fábrica da Volks em Resende com “incentivos fiscais” da ordem de R$ 2,1 bilhões pelos próximos 15 anos, conforme noticiado na coluna de Fernando Molica, no jornal O Dia, no último dia 7 de janeiro.

Ainda no RIP, o “ABC fluminense”, conforme chegou a incensá-lo alguns órgãos mais proeminentes do monopólio da imprensa burguesa que opera no Brasil, mas que já está em franca “reestruturação”, a fábrica da Peugeot-Citroën de Porto Real suspendeu 650 contratos de trabalho quando a empresa decidiu passar a operar com apenas duas equipes, e não mais com três, visando cortar custos.

No dia 15 de abril do ano passado, Dilma iria até Resende inaugurar, junto com Pezão, a mais nova fábrica do pólo RIP, uma fábrica da Nissan. Não foi por causa de um pé d’água. Na cerimônia de inauguração, Pezão, entre uma e outra citação de números nababescos sobre geração de empregos, disse que Dilma prometera retornar para ver os carros saindo, brilhando, da linha de produção. Em setembro, a Nissan anunciou a suspensão dos contratos de 279 trabalhadores da sua fábrica novinha em folha para “ajustar a produção à demanda do mercado nacional”.

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