Luta pela liberdade de todos os presos políticos

A- A A+
Pin It

‘Prontos para o próximo combate!’

http://www.anovademocracia.com.br/147/07.jpg

Nos últimos dias 12 e 13 de março ocorreram as audiências de interrogatório dos 23 ativistas perseguidos e presos na época da Copa do Mundo da Fifa. Alguns acusados se reservaram ao direito de permanecerem calados, mas a maioria dos réus, ao responder as perguntas do promotor do Ministério Público e do juiz Flávio Itabaiana, demonstraram altivez e firmeza política, fazendo do tribunal um grande palanque de denúncia da violência policial nas manifestações, nas favelas e do processo de criminalização e perseguição dos movimentos populares.

Sendo este processo uma clara tentativa de intimidar novas ondas de protestos populares, particularmente da juventude combatente, os ativistas demonstraram como a gerência PT/PMDB, através do nefasto poder judiciário, está, na verdade, tentando impedir o direito de manifestação através do cerceamento do direito de livre organização. A Frente Independente Popular (FIP-RJ), que é diretamente acusada no processo de ser uma “quadrilha armada”, foi defendida amplamente pelos interrogados, que participam ou já participaram de alguma de suas plenárias. Ao serem perguntados sobre a FIP, todos desmentiram a acusação de que esta foi criada para praticar atos violentos e a defenderam como uma legítima frente que se caracteriza principalmente por ser contra a farsa eleitoral.

“Não passarão!”

No dia 12, o ativista Igor Mendes, preso desde 3 de dezembro do ano passado acusado de desrespeitar uma medida restritiva inconstitucional que o impedia de ir a manifestações e atos públicos, fez uso da palavra na audiência e aproveitou para denunciar a perseguição política que ele e seus companheiros têm sofrido.

No final da fala de Igor, sua mãe gritou “Eu te amo meu filho!”, no que foi correspondida pelo jovem com o punho esquerdo cerrado e erguido com firmeza diante da corte. Prontamente, o juiz Itabaiana expulsou os familiares e ativistas, que não hesitaram em fazer ecoar o gesto de Igor e também se levantaram com os punhos cerrados: “Não passarão!”.

— Você está abusando de sua autoridade! Você é uma pessoa sem caráter! — argumentou o advogado do povo, Marino D’Icarahy.

Mesmo após mais de cem dias de cárcere, sendo quarenta e dois deles numa solitária privado de livros, papel, caneta e visita de familiares, Igor demonstrou uma firmeza e decisão ideológica que emocionou todos os presentes. No final de seu interrogatório, o advogado José Carlos Tórtima, que representa outro ativista, de forma espontânea pediu ao juiz que concedesse a liberdade ao jovem estudante, comparando a sua prisão às prisões realizadas no regime militar. A audiência seguiu até a noite somente com a presença de jornalistas.

No dia seguinte, 13 de março, Itabaiana proibiu a participação de ativistas e familiares dos réus, como forma de punição pela manifestação do dia anterior. Oito acusados foram ouvidos e, pelas palavras de D’Icarahy, “cada um desempenhou sua parte melhor do que o outro! Deram profundas lições, servíveis para todos que tiveram o privilégio de presenciar a audiência, na qual foi todo mundo barrado já na porta. Temos orgulho de poder defender cada um dos nossos assistidos! Eles nos representam!”.

— Já vencemos essa batalha pela altivez com que desmascaramos o fascismo e a farsa montada para, como em diversos momentos da história, aniquilar os anarquistas e os comunistas e aqueles que fecham com eles. Não abaixamos a cabeça diante da sanha incriminatória do Estado! Saímos do Forum à meia-   noite com a alma lavada e enxaguada, prontos para o próximo combate! Eles tiveram que ouvir a cada um de nós, e isso calou fundo no inimigo de classe! Não passarão! — concluiu Marino.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Perseguição fascista

No mesmo dia 13, o Disque-   Denúncia publicou cartazes oferecendo recompensas por delações sobre o paradeiro de Elisa Quadros e Karlayne Moraes, consideradas como “foragidas” desde o pedido de prisão de Itabaiana, o mesmo que colocou Igor Mendes atrás das grades. No cartaz, ambas são classificadas como integrantes de “quadrilha ou bando”, onde cumpririam a função de “ativistas políticas” (exatamente estas palavras).

O cartaz foi divulgado em inúmeras páginas na internet, no rádio e na TV, em especial pela Globo, que não poupou espaço editorial para o assunto. A Comissão de Pais e Familiares dos Presos e Perseguidos Políticos divulgou nota nas redes sociais repudiando a publicação do cartaz.

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja