Insípidos, incolores e inodoros

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No início de fevereiro, a senhora Rousseff destituiu sua pupila Graça Foster da presidência da Petrobras, substituindo-a por um tal Aldemir Bendine, funcionário do Banco do Brasil cujo feito mais notável é a concessão de um empréstimo em condições generosas a uma vedete-socialite oxigenada. Biombos petistas na internet não tardaram em frisar o caráter “técnico” de sua nomeação, sem que os velhos monopólios oligárquicos da imprensa os contradissessem. Rusgas à parte, todos coincidem na avaliação de que a senhora Rousseff prima pelo “republicanismo” ao preferir auxiliares anódinos.

Um sintoma da indigência intelectual em que naufragam o jornalismo e a política no Brasil é que basta alguém ser uma nulidade política para que seja considerado um técnico. No mundo real, é ao contrário: quando se é conhecedor de um determinado tema, uma opinião formada – e fundamentada – sobre como ele o Estado deve geri-lo é consequência quase inevitável.

Guilherme Estrella, Célio Bermann, Ildo Sauer, Luís Pinguelli Rosa e Sérgio Gabrielli – geólogo da Petrobras o primeiro, professores titulares da USP, UFRJ e UFBA os demais – são técnicos: pessoas de sólida formação intelectual e notórias posições nacionalistas e progressistas em energia e petróleo. Todos exerceram ou tentaram exercer, com variável coerência ante suas trajetórias e posições anteriores, cargos nessas áreas no governo Lula. Se afastaram ou foram destituídos após colidirem com a senhora Rousseff, que os substituiu por mandaletes como Foster e Magda Chambriard, incapazes de questionar seus arroubos despóticos, menos ainda o poderio das transnacionais do setor.

Bendine é um fenômeno da mesma natureza de Foster, com a citada agravante de nada conhecer sobre petróleo e a Petrobras. Como não poucos funcionários de estatais e outros órgãos públicos, galgou postos à base de silêncio, baixo perfil, obsequência. É verdade que frações do capital transnacional e associado ficaram um pouco decepcionadas, pois preferiam ter na Petrobras algum assalariado seu, como foi Henrique Meirelles no Banco Central durante os mandatos de Lula. Mas saudar a nomeação de um burocrata insípido, incolor e inodoro como “resposta ousada” e “linha de resistência”, como fez o editor do site Opera Mundi, Breno Altman, é desespero.

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