FMI vai ao Planalto ditar ordens a Dilma

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Em nossos textos nesta página do AND, temos usado à exaustão a expressão “política de subjugação nacional” para tentar passar aos leitores a real dimensão do significado de uma prática levada a efeito pelos gerentes de turno do velho Estado brasileiro. São ações derivadas da condição semicolonial e semifeudal que albergam o capitalismo burocrático, tipo de capitalismo engendrado pelo imperialismo como forma necessária para impor sua dominação e exploração, as quais tais gerenciamentos docilmente se submetem como preço a pagar pelas chances que lhes foram permitidas de ocupar tal posição.

O acelerado aprofundamento da crise geral, artificialmente maquiada e contida pelos sucessivos gerenciamentos de turno (particularmente pelo de Dilma/PT), vem sacudindo o país. Crise cujos fundamentos econômicos, políticos, sociais e morais são a expressão maior do apodrecimento do velho Estado, e com isso estabeleceu-se certo clima de salve-se quem puder.

Em meio ao arranca-rabo dentro do Partido Único na briga por mais cargos e poder de mando, das denúncias de premiados delatores sobre o roubo na Petrobras e da divulgação da lista dos políticos empantanados no mar de lama, a situação vai se tornando mais caótica com o aumento da inflação, aprofundamento da recessão, elevação do desemprego, falta de água e de luz.

Por outro lado, o povo marca seu protesto com manifestações localizadas nas favelas e bairros periféricos, greve de caminhoneiros, de professores, metalúrgicos e funcionários públicos, ademais das ininterruptas tomadas de terras pelos camponeses pobres sem terra, tendo invariavelmente como resposta do Estado a repressão cada vez mais brutal.

Quando o diabo não vem manda o secretario

Na base da “farinha pouca meu pirão primeiro”, o imperialismo procura garantir o seu quinhão, fazendo sua descarada intervenção, não só indicando os “Chicago boys” para ocupar os postos de mando da economia, como enviando os cães de guarda do FMI para supervisioná-los. Assim, de repente, desembarcam no Brasil as agências de classificação de risco, gentilmente recebidas pelo Banco Central com a elevação da taxa Selic de juros para 12,75%.

Essas agências, entre as quais se destacam a Moody’s, a Fitch e a Standard & Poor’s, são uma espécie de SPC (serviço de proteção ao crédito) para os países, bancos e grandes empresas e funcionam como instrumentos do Fundo Monetário Internacional para achacarem os países coloniais e semicoloniais, através de um sistema de notas atribuídas aos países, segundo seu comportamento em relação ao pagamento do serviço da dívida contraída com a oligarquia financeira mundial, através de empréstimos ou colocação no mercado de títulos do tesouro ou similares.

Assim, aqueles que seguem à risca as determinações do FMI quanto à política de subjugação nacional, principalmente no que se refere à imposição do chamado superávit primário (garantindo a farinha primeiro para o pirão do imperialismo), recebem a nota AAA. Nota hipotética jamais alcançada pelas semicolônias como o Brasil, para as quais sempre são colocadas mais e mais exigências como forma de achacar ao máximo.

Um exemplo de sua manipulação do mercado foi o recente rebaixamento da nota da Petrobras e a consequente queda do preço de suas ações na Bolsa de Valores. Ao nível internacional, não devemos esquecer as ameaças de rebaixamento das notas de países como Grécia, Portugal, Espanha, Rússia e outros para enquadrá-los dentro de leoninas condições de sufoco para o povo, enquanto separam o filé para o imperialismo.

Convém salientar que a atribuição destas notas possui um caráter extremamente subjetivo, uma vez que, na véspera da crise bancária no USA em 2007 e 2008, tais agências atribuíam elevadas notas aos bancos que estavam à beira da falência e que foram socorridos pelo  Estado com vultosas quantias de dinheiro retiradas, logicamente, do erário público.

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Fora daqui o FMI, ladrão!

Esta palavra de ordem que caiu em desuso, menos pela continuação do monitoramento de nossa economia pelo FMI e pelo Banco Mundial e mais pela mutreta armada por Luiz Inácio/PT ao trocar a dívida externa pela dívida interna, é bastante conhecida pelos mais velhos que viveram as lutas e manifestações dos tempos do regime militar e seus sucessores até FHC.

Neste período, era comum a sucessão infindável de visitas de missões técnicas do Fundo, enviadas ao Brasil para examinar as contas e propor novas metas a serem cumpridas. Os funcionários do FMI se aboletavam no Ministério da Fazenda e no Banco Central, mexiam e remexiam os papéis e contas do país numa demonstração e comprovação a mais da subjugação nacional e da existência de uma soberania de retórica e mera formalidade. E isso como se fizesse questão de remarcar a condição semicolonial do país, deixando em cada visita seu carimbo e seu selo.

Qualquer semelhança não é mera coincidência: entre os dias 2 e 6 deste mês de março, os técnicos da agência de classificação de risco Standard & Poor’s estiveram no Brasil para supervisionar os planos e contas da equipe econômica para assegurar a sustentabilidade fiscal e a estabilidade monetária. Para tanto se aboletaram nos ministérios do Planejamento, da Fazenda e no Banco Central. Foram ainda recebidos no Palácio do Planalto pelo Ministro da Casa Civil Aloizio Mercadante.

Nos últimos doze anos, apesar da verborragia demagógica e mentirosa de Luiz Inácio de que o Brasil estava livre do FMI, a nossa economia nunca deixou de ser monitorada por ele, utilizando-se das nefastas agências de classificação de risco que faziam suas ameaças e recebiam a encenação de rechaço de membros do oportunismo petista. Agora, com o agravamento da crise, os oportunistas perderam totalmente a compostura, ajoelham-se diante de meros funcionários das agências a implorar-lhes que não rebaixassem as notas da Petrobras e do Brasil.

Em nota divulgada em seu site, o Ministério da Fazenda afirmou que “O objetivo da visita da equipe da S&P é permitir à agência avaliar as perspectivas econômicas do país e a consistência de sua política econômica, buscando consolidar sua percepção sobre a capacidade e a disposição do governo em honrar, completa e pontualmente o serviço de sua dívida. A visão de uma agência de classificação de risco é importante para balizar a decisão de investimento em um país, seja na economia real ou em seus ativos financeiros”.

Acrescenta ainda que “o ministro da Fazenda Joaquim Levy esteve reunido com os representantes da Standard & Poors. As reuniões foram bastante profícuas e produtivas. Na ocasião, as autoridades governamentais apresentaram aos representantes da agência diversas medidas econômicas que estão sendo implementadas pelo governo, com destaque para as que garantam a sustentabilidade fiscal de médio prazo e a estabilidade monetária, fatores relevantes para a manutenção da confiança dos investidores na economia, condição essencial para o crescimento sustentável e a manutenção dos ganhos sociais conquistados”.

Isto é, de forma simples e banal o Ministro da Fazenda leva a efeito a política de subjugação nacional ao se prostrar diante dos cães de guarda do imperialismo, numa atitude de fazer corar de indignação qualquer um que tenha o menor sentimento patriótico que seja.

Só a Revolução livrará o Brasil das crises e da subjugação nacional

A imprensa dos monopólios gasta toneladas de tinta e milhões de horas de rádio e TV para alardear a corrupção que se opera no varejo, enquanto orquestra a desmoralização e descrédito completo do gerenciamento petista/peemedebista de Dilma, para botá-lo ainda mais submisso às imposições do imperialismo, enquanto vão preparando novos gerentes para serem ungidos na próxima farsa eleitoral. Cabe, portanto, ao movimento popular e revolucionário fazer a denúncia permanente da sangria de que o país foi e continua sendo vítima sob os sucessivos gerenciamentos das várias siglas do Partido Único.

Mas é preciso atentar para o fato de que, quanto mais a crise se agravar, mais os grupos de poder das frações das classes dominantes locais se acusarão mutuamente como corruptos, defendendo todos eles o mesmo programa econômico ditado pelo imperialismo. Dependendo do grau que se chegar a crise econômica e política principalmente, a atmosfera se envenenará e os mesmos monopólios, expressando da forma mais aguda todo o pavor que os exploradores sentem das massas rebeladas, tratarão de turvar as águas da política para preparar as condições e comoção que sirva ao surgimento dos “salvadores da pátria”. E aí sim se poderá falar de golpes militares como possibilidade real.

Desmascarar o oportunismo que se encastelou no velho Estado burguês-latifundiário e ao mesmo tempo rechaçar a canalha de vivandeiras de quartel e toda sua falácia histérica de defesa dos interesses do povo e da nação brasileira, convocar as massas trabalhadoras a mobilizarem-se, preparando com todas as formas de manifestações a greve geral contra os pacotes impostos pelo imperialismo, unir-se com os camponeses que lutam pela terra e pelo fim do latifúndio e agricultores que sofrem com o arrocho e falta de água. Enfim, todos assalariados, operários, empregados, servidores públicos e professores; os autônomos e ambulantes, os micros, pequenos e médios proprietários, os pequenos comerciantes, os estudantes e intelectuais progressistas, a juventude combatente, todos que se acham separados da grande burguesia local, dos latifundiários e das transnacionais pela linha da exploração econômica e opressão política a tomarem as ruas, cortar as rodovias e avenidas, paralisar todo o país e elevar o protesto popular.

Pisar e repisar na denúncia da farsa eleitoral como instrumento do puro cacarejo “democrático” voltado à legitimação da política de subjugação nacional e exploração do nosso povo, levantando bem alto a bandeira da Revolução Democrática, intensificando continuamente, através de coordenações e comitês de luta a mobilização, a politização e a organização cada vez maior das mais amplas  massas, rumo ao levantamento do campo e da cidade no sentido de garantir o poder nas mãos dos que efetivamente desejam uma pátria próspera e independente.

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