Atropelando pelegos e patrões

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Em 2011, revoltas operárias nas obras das usinas de Jirau, Santo Antônio (RO) e Belo Monte (PA) enfrentaram governos e patrões, atropelando as direções oportunistas das centrais sindicais. As revoltas na usina do Madeira foram o estopim para desencadear uma onda de protestos e greves que se alastrou por todo o país.

Em 2012, os operários de Belo Monte também explodiram em rebelião. Foi uma luta radicalizada em que os operários passaram por cima da direção pelega do Sintepav/PA e tiveram que enfrentar as tropas da PM e da Força Nacional de Segurança, que passaram a atuar da forma mais brutal reprimindo greves e mobilizações de trabalhadores sob a gerência Dilma Rousseff.

Também em 2012, diretores do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem no Estado de Pernambuco (Sintepav – PE/Força Sindical) foram expulsos a pedradas de assembleia dos trabalhadores, que descobriram que seus diretores fecharam acordo lesivo após a greve de 50 mil operários do Complexo Industrial Petroquímico de Suape, na Grande Recife.

Em abril de 2013, mais uma revolta em Jirau e Santo Antônio. Novamente, atropelando a direção do sindicato e da Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira (Conticom/CUT). Após serem enrolados, terem seus direitos vendidos em negociatas entre pelegos e patrões e criminalizados pela direção pelega do Sticcero, que os tachou de “vândalos”, os operários de Jirau apedrejaram o carro de som do sindicato colocando seus diretores para correr.

Em 2014, no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), um carro de som da CUT foi queimado pelos operários em revolta durante uma assembleia após os trabalhadores serem reprimidos e descaradamente traídos pelo sindicato.

Seguiram outras importantes mobilizações de trabalhadores. Greves dos servidores públicos federais, dos servidores, professores e estudantes nas universidades federais e estaduais, dos trabalhadores em educação das redes municipais e estaduais em todo o país. Em várias dessas lutas, a mesma encruzilhada: após batalhas campais, longas greves, etc., houve a traição das direções pelegas dos sindicatos. Nas que prevaleceu a direção oportunista, os trabalhadores amargaram perdas de direitos, reduções salariais, índices pífios que não se podem chamar de reajustes, indignação e mais revolta. Mas também ocorreram mobilizações de um novo tipo e de um novo tempo, em que as massas em luta atropelaram e varreram as direções pelegas, trilhando o caminho do classismo e da combatividade.

Os professores e servidores das redes públicas municipal e estadual de educação do Rio de Janeiro e sua massiva greve de 2013, que se fundiu com a juventude combatente, tomou as ruas e enfrentou com coragem e combatividade a intransigência dos governos antipovo. Foi um exemplo, mas que, em sua conclusão, demonstrou a necessidade de romper definitivamente com a direção oportunista e conciliadora, que por fim traiu a luta. Mesmo aprendizado tiveram os trabalhadores em educação da rede estadual de Minas Gerais, que, em 2011, conduziram histórica greve que durou 112 dias.

Os garis do Rio de Janeiro e sua combativa greve de 2014 foram a expressão maior e mais recente desse novo momento das lutas classistas em nosso país. Derrotando o sindicato pelego, os trabalhadores da limpeza pública desenvolveram sua organização independente. Em pleno carnaval, paralisaram a coleta de lixo e enfrentaram o governo arrogante que ameaçava com demissões e repressão. Após vários dias de greve e com as pilhas de lixo ofuscando o carnaval carioca, os garis desmascararam o governo e arrancaram o reajuste de 37% nos salários, entre outras reivindicações.

O ano de 2015 foi aberto com a revolta contra os pacotões de arrocho e superexploração ditados pela gerência Dilma e os governos de turno estaduais e municipais. A combativa greve dos trabalhadores em educação da rede estadual e vários setores do funcionalismo público do Paraná; a nova greve dos garis do Rio, realizada em março desse ano; a revolta dos operários do Comperj no Rio, após quatro meses de salários atrasados e contra as péssimas condições de trabalho; e uma série de outras lutas em curso ou em preparação em todo o país marcam o início de 2015.

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