O terceiro ato do circo eleitoral

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“Só canalhas ou simplórios podem pensar que o proletariado deve, primeiro, conquistar a maioria em eleições realizadas sob o jugo da burguesia, sob o jugo da escravidão assalariada, e, então, conquistar o poder. Isto é o cúmulo da estupidez ou da hipocrisia; isto é substituir a luta de classes e a revolução por eleições sob o velho regime e o velho poder”.

(V. I. Lenin)

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Mal acabou o segundo turno do circo eleitoral, devidamente cantado e dançado pelos palhaços de plantão do imperialismo (Dilma, Aécio, Marina e o falecido cel. Campos) e aplaudidos pelo auditório da mais alta intelectualidade burguesa, voltam para o Terceiro Ato, toda a mesquinharia ideológica, a mediocridade moral, a verborragia intelectualóide pseudomarxista e toda a trupe de figurantes, assistentes de palco e papagaios de pirata dos grandes astros do espetacular circo eleitoral brasileiro, a entreterem sua plateia de incautos com mais outro de seus inacreditáveis números, um verdadeiro show de horrores. Com direito às múmias da Guerra Fria de um lado e os ilusionistas da democracia do outro.

É importante entender os mais recentes eventos políticos pautados pela imprensa burguesa e seus asseclas e apoiadores indiretos (leia-se os revisionistas e oportunistas), as manifestações de março, em sua relação com os dois atos do circo chamado “eleições”.

Durante tal processo eleitoral, aquele dirigido pelos ricos e para os ricos, vimos de um lado uma massa de 40 milhões de “não-votos”, que reprovavam o sistema político do país e em certas camadas com uma característica até mais profunda de rechaço à ordem social, enquanto que o restante comungava a eucaristia burguesa, dividindo-se em duas frações de um mesmo grupo de interesse majoritário: A situação e oposição da gerência atual do Estado.

Através da retórica baseada em espantalho, de um lado se tem o espantalho da incompetência – retórica padrão universal das frações oposicionistas de dentro do velho Estado (já usada por todos eles quando nessa condição), que implica numa falha na execução dos planos e não na engrenagem, logo, um argumento que não ameaça o status-quo; e do outro, o espantalho do retrocesso – que reconhece de forma oportunista que o sistema está errado, visando ganhar simpatia dos oprimidos, mas que afirma que engatinha-se em direção a uma melhoria, através de reformas cosméticas, como se o sistema fosse algo “melhorável”. Equivale a vender uma cirurgia plástica ou de remoção de um tumor e entregar uma maquiagem ou corte de cabelo.

A suposta polarização das eleições, que nada mais é do que essa disputa entre grupos de poder com o mesmo projeto de sociedade, é criada a partir da exclusão de cerca de 1/3 das pessoas do debate.

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Assim se consagrou mais um episódio da nossa democracia de fachada e que agora vemos repetir num período um pouco antecipado ao calendário oficial do próximo concurso. Ou seja, o fenômeno de março de 2015, apenas lançou às ruas de forma massificada os espantalhos já erguidos em período de teatro democrático. Observemos alguns fatores que comprovam tal observação:

  1. De um lado o oportunismo na gerência do Estado faz o chamado às suas bases minimamente populares (MST, MTST, CUT) e eleitores da esquerda vacilante da pequena-burguesia (o pessoal do voto crítico), que atendem prontamente – dessa vez com o “apoio crítico”. Repetem o estelionato eleitoral, em que pintam um cenário apocalítico em que, ao invés do que acontece na realidade em que são os próprios culpados e dirigentes da crise, supostamente estariam ao lado do povão. Chamam todo o resto de fascismo e fazem um chamado a, pasmem, defender o mesmo modelo que é motivo de toda a crise. Leia-se o Estado burguês-latifundiário e sua gerência.
  2. De outro lado, a fração oposicionista do mesmo Estado, que utiliza do espantalho da incompetência e má índole de seus adversários, postando-se como paladinos da moral e da ética, resumindo os problemas estruturais do Estado e do capitalismo a meras questões morais e administrativas (obviamente porque apenas almejam o mesmo posto no Executivo) e, ainda, apoiando-se em um setor barulhento dos órfãos do regime-militar. Este que, por sua vez, inexpressivo politicamente, late contra o governo que considera comunista, fruto de seus delírios febris.
  3. O monopólio de imprensa e setores “centristas” a torcerem para um ou outro e empenhados em fazer a defesa da legalidade, das instituições burguesas, a parabenizarem o “dever cívico”, o “exercício da democracia”, a condenarem os atos de “vandalismo” e por aí vai.
  4. Toda uma massa que não apoia materialmente nenhuma das duas frações, ou pulverizadas entre os discursos de indignação geral ou específica contra a austeridade e a crise, silenciadas em função de não estarem inclusas nas agendas eleitoreiras de nenhum dos projetos; ou organizadas empenhando suas lutas que ainda não foram corporativizadas (como o exemplo dos garis, operários do Comperj, professores, camponeses pobres etc).

Por uma questão de coerência, então, uma vez que afirmamos que nossa tarefa é usar o boicote ao jogo eleitoral como forma de conscientizar e ganhar as massas negligenciadas para a causa da revolução, nesse momento não poderíamos fazer diferente. Disputaremos os espaços de qualquer uma das frações, amparados no método científico de análise da realidade e não em imediatismos ou alarmismos, o que nos faria cair na aliança com o oportunismo ou com a direita declarada. O que não é de forma nenhuma um ato de apatia ou niilismo, mas sim, de luta ativa e decidida ao lado majoritário da sociedade, que não se encaixa nessa dicotomia forçada.

Várias outras constatações mais profundas ainda poderão e deverão ser feitas, mas para o momento, os quatro pontos citados aqui já são suficientes para demonstrar com precisão que tratam-se dos mesmos atores, a desenvolverem o mesmo papel, num mesmo script, que configuram o terceiro turno da farsa eleitoral.

“Insuflar as massas e promover a greve geral!”

“Dirigir e direcionar a justa revolta do povo à todo o sistema de opressão!”

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*Carlos Delgado é militante da Unidade Vermelha.

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