RJ: 200 famílias despejadas de prédio de Eike Batista

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Famílias dormindo na rua | Foto: Carlos Augusto Lima França

Na madrugada do dia 13 para o dia 14 de abril, a PM do Rio de Janeiro foi ao bairro do Flamengo, Zona Sul da cidade, para cumprir uma ordem de despejo contra 150 famílias que ocupavam um prédio arrendado pelo empresário Eike Batista. As famílias já haviam sido despejadas há um mês de um terreno da CEDAE na região portuária do Rio. Muitos desses, no ano passado, também estiveram presentes na violenta desocupação do prédio da Oi-Telerj, na Zona Norte. Depois de quase duas semanas vivendo nas ruas do Centro, os desabrigados decidiram ocupar o edifício abandonado.

— A minha luta por moradia começou porque o aluguel da quitinete onde eu morava na favela, depois que chegou a UPP, aumentou de 400 para 600. Depois aumentou de novo. Eu desempregado, com um monte de criança, acabei na rua. Na verdade isso é só mais uma das muitas coisas que ficaram caras no Rio de Janeiro. Tudo ficou mais caro para quem vive aqui — diz um trabalhador.

Segundo denúncias dos ocupantes, logo que chegaram, policiais ameaçaram atear fogo ao prédio com as famílias dentro. Muito nervosa, uma mulher grávida de seis meses foi ao banheiro e acabou dando a luz ali mesmo, em um vaso sanitário. PMs se recusaram a ajudar mãe e filho e só mudaram de ideia quando uma cadeira foi arremessada de dentro da ocupação contra uma viatura de polícia. A mãe foi separada de seu filho e ambos foram levados para a Unidade de Pronto Atendimento de Botafogo. Os dois passaram dias internados no hospital Miguel Couto e o bebê segue vivo respirando com a ajuda de aparelhos.

Moradores rejeitaram a sugestão de representantes da prefeitura de irem para um abrigo em Santa Cruz. No entanto, diante do enorme aparato policial, as famílias aceitaram sair pacificamente.

— E hoje? Onde nós vamos dormir?— perguntou um dos sem-teto.

— O município do Rio de Janeiro está disponibilizando vagas em um abrigo para que vocês possam passar a noite, até a reunião que temos marcada para amanhã na sede da prefeitura — disse a representante do gerenciamento Eduardo Paes, antes de ser interrompida pelos desabrigados.

— A gente conhece esse abrigo. Ele fica lá perto da favela de Antares, na Zona Oeste. Esse abrigo é o local para onde são levados os ‘crackudos’ [dependentes de crack]. Eu não vou para esse abrigo, cheio de gente com tuberculose. O que eu vou fazer lá? Eu tenho quatro filhos, minha senhora, e um deles é especial. Quero ver ir lá prender os bacanas que estão cometendo crimes de colarinho. Quero ver — indagou uma desabrigada.

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