Dirigentes e militantes do PSTU agridem ativistas no Rio: “É um partido social-fascista!”

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Marcas das agressões em Ludmila Baroni e Dilmar Puri

Na noite do dia 16 de abril, a redação de AND recebeu a denúncia de que cerca de 50 dirigentes e militantes do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) teriam invadido uma sala no 9º andar da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e agredido de forma covarde 6 ativistas da Frente Independente Popular (FIP-RJ) que se reuniam para discutir uma atividade que seria realizada pela Aldeia Maracanã no dia 19.

Buscando esclarecimentos, nossa redação enviou um e-mail ao PSTU e, em 22 de abril, compareceu a uma plenária extraordinária da FIP, que contou com a presença de mais de 100 pessoas no 6º andar da UERJ. Na ocasião, ouvimos os relatos dos agredidos e testemunhas, que também foram divulgados em vídeos postados no You Tube.

Em notas publicadas nos dias 17 e 19 de abril, o PSTU tentou se defender afirmando que seus militantes teriam sofrido agressões por parte de ativistas do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR, uma das organizações que compõem a FIP) durante uma assembleia estudantil no mesmo dia da agressão, quando, segundo afirma uma das notas, eles “foram para cima dos nossos militantes e nos expulsaram da assembleia através da intimidação física”. Além disso — acusa o partido —, ativistas do MEPR “agrediram uma ativista de outra chapa na última eleição do DCE UERJ”. “Práticas stalinistas”, apontam. No entanto, até a conclusão desta matéria, as afirmações do PSTU não foram provadas e foram desmentidas através de relatos de testemunhas publicados nas redes sociais.

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Cadeiras usadas pelo PSTU para agredir ativistas

— Teve uma assembleia puxada pelo MEPR quando vieram dois militantes do PSTU, Pâmela e Luiz, da Geografia, e fizeram falas levantando problemas ocorridos num ato [ocorrido no dia 14] acusando os companheiros [do MEPR] de machismo. As falas foram muito agressivas. Eles dizem que não deixaram eles falar, mas deixaram. Eles então começaram a enfiar o dedo na cara dos companheiros. Teve uma confusão totalmente já planejada para acabar com a assembleia... No fim fomos fazer uma reunião de balanço. Estávamos na sala ao lado e começamos a escutar cadeiras e quebra-quebra, uma confusão enorme — afirmou Uriel Ricardo, estudante de História, uma das testemunhas.

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Em sua fan page no Facebook, a FIP publicou fotos das cadeiras quebradas e ensanguentadas, afirmando que, de forma covarde, o PSTU invadiu a reunião e, sem qualquer motivo, iniciou os espancamentos. As denúncias apontam ainda que, além dos seis ativistas que estavam no local, a estudante secundarista Ludmila Baroni, 18 anos, também foi agredida pelos “bate-paus” ao tentar apartar a confusão.

— Eu estava na UERJ no dia 16 quando o PSTU fez a invasão à sala onde acontecia a reunião da FIP. Eu estava numa sala ao lado numa reunião quando fomos surpreendidos por barulhos de cadeiras. Nós corremos para ver o que era e tinha alguns companheiros da FIP sendo espancados por 50 militantes do PSTU. Eu entrei na sala e vi um companheiro no chão com 5 homens espancando ele. Fui no sentido de apartar a briga. Nisso veio a Luiza Carrera primeiro e me deu um soco, e, em seguida, o soco veio do Thiago Hastenreiter, meu ex-professor de sociologia do Colégio Estadual Julia Kubitschek; também o Gustavo, estudante da UERJ, e Eduardo Henrique, membro da direção do Sindpetro [todos militantes do PSTU]. Eles vieram me dando chutes, pontapés... Deixo aqui meu total repúdio a este partido de fascistas e covardes. Se eles querem escrever nota em cima de “machismo” ou coisa do tipo denunciando os companheiros da FIP ou do MEPR, só prova que machistas são eles. Eu apanhei deles e não dos companheiros da FIP e do MEPR — afirma Ludmila mostrando as marcas de agressão na cabeça e na perna esquerda.

O estudante de Filosofia, Dilmar Puri, um dos agredidos, ficou com hematomas por todo o corpo e teve que levar pontos na mão direita.

— Resistimos como pudemos, mas não fizemos muita coisa, pois eram 30 que estavam dentro da sala batendo na gente e tinha mais uns 20 do lado de fora... Como um agrupamento desse pode se dizer socialista e de esquerda se agride mulheres e toma uma atitude de invadir reunião dentro da faculdade, onde a liberdade de pensamento e reunião tem que ser mais protegida? Na verdade não são de esquerda, nem revolucionários... são fascistas! — diz Dilmar.

PSTU e o ganguismo de “esquerda”

Em mensagem ao AND, ativistas da FIP deixaram claro que, embora o PSTU afirme que os espancamentos se trataram de uma vingança contra o MEPR, não tinha nenhum militante deste movimento na sala invadida. As atitudes de gangue foram tão absurdas, que diversas organizações populares se pronunciaram sobre o ocorrido repudiando as agressões. Num posicionamento público, o MEPR afirmou que “em todos os episódios citados pelo PSTU, não foi cometida, ademais de debates e divergências políticas, nenhuma violência física contra seus militantes”. E prossegue dizendo que “estas mentiras são apenas uma tentativa de justificar sua covardia injustificável de agredir, com 50 pessoas, 6 militantes que se reuniam pacificamente. Agressão amplamente documentada, com testemunhas, fotos e boletins médicos”.

O MEPR ainda aponta que “em sua nota, o PSTU ainda tenta justificar sua covarde agressão requentando ridiculamente o episódio do ‘ataque’ a sua sede no Rio de Janeiro em abril de 2014”, mas “sem apresentar qualquer prova”.

“Auxiliar da reação”

A situação tomou contornos ainda mais graves quando os ativistas receberam a informação de que a DRCI (Delegacia de Repressão a Crimes de Informática) da Polícia Civil — segundo eles, o “novo Dops” — foi até a UERJ atrás de informações. Tal delegacia é a responsável pelas prisões e perseguições de 23 ativistas na véspera da final da Copa da Fifa em julho de 2013. Destas prisões, que pretendiam atingir principalmente a FIP, derivam os processos atuais contra todos os 23 e mantém preso o ativista Igor Mendes. Além das jovens Elisa Quadros e Karlayne Moraes, que estão na clandestinidade.

— Nesse momento, a FIP sofre a perseguição do Estado e nós temos 23 ativistas perseguidos políticos. A FIP é a principal atacada no processo político movido pelos governos Dilma, Paes e Pezão. Então, na verdade, o PSTU só cumpre o papel de auxiliar da reação, de polícia política, de engrossar o coro da reação contra todos nós do movimento popular. Não conseguem resolver as divergências através da discussão e métodos políticos e partem pra covardia, pra agressão. No dia seguinte, a DRCI foi na universidade, então vemos a favor de quem esse fato serve... Fazemos um chamado a todos os revolucionários, democratas, a todos do movimento popular do RJ e do Brasil para que denunciem essa agressão fascista, porque, na verdade, nos agredir é agredir todos os companheiros que estão processados — afirma o ativista da FIP, Mateus Magioli, que acrescentou:

— O motivo desse ataque pode parecer absolutamente banal, mas ele tem uma razão. A decisão política do PSTU de partir para a agressão se deve ao fato de que, desde junho de 2013, a FIP cresceu e virou referência como uma frente independente que denuncia as práticas oportunistas, eleitoreiras e conciliatórias dessa gente. Isso cria uma profunda raiva em todos os partidos da falsa esquerda oportunista, e especificamente no PSTU, que é um partido social-fascista.

Até o fechamento desta matéria, o PSTU não havia respondido nosso e-mail. A plenária da FIP do dia 22/4 decidiu, unanimemente, realizar uma série de ‘escrachos’ contra os agressores.

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