Iraque - O banquete dos grandes assassinos

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Nesse país devastado por bombas de urânio empobrecido, reconstruir significa pôr em pé o governo, a polícia, as forças armadas, meios de comunicação e assim por diante. Há até mesmo empresas contratadas para avaliação de outras empresas contratadas, e foram assinalados os bancos que serão favorecidos na escolha dos que se tornarão os novos donos do Banco do Iraque. Os amigos do rei estão convidados a tomar posse do país, desde reconstruir pontes, reabilitar a infra-estrutura iraquiana, até distribuir livros de textos, em privatização disfarçada que risca acontecer com o petróleo iraquiano. Reconstrução que, segundo analistas, se compararia em custos ao Plano Marshall da Segunda Grande Guerra. Poderia durar 18 meses e se faria ao preço de entre 25 e 100 bilhões de dólares, em uma conjuntura de pesadelo, com a resistência iraquiana se alastrando. Rancor da heróica população e crescente desespero das forças ocupantes. O governo Bush quer esconder o ódio, a cólera que sente a população sob a ocupação, da mesma maneira que pouco noticia a revolta triste que acompanha o retorno das urnas fúnebres de seus soldados ao USA. 

Washington tenta, destemperadamente, fazer com que outros países levem tropas para a “reconstrução” do Iraque, uma forma de aliviar suas forças sitiadas. No entanto, resiste em transferir seu poder hegemônico de decisão. Resiste, é claro e mais ou menos organizadamente, em partilhar o seu espólio de guerra.

Dessa maneira, apesar da reserva que rodeia o assunto, está sendo noticiado, pela imprensa independente que 70 empresas amigas (dos invasores) obtiveram contratos de 8 bilhões de dólares para a reconstrução, tanto do Afeganistão quanto do Iraque destruídos. Segredos e reticências que implicam a possibilidade de que o faturamento real seja muito, muito maior que o declarado. A notícia vazou por meio de um relatório, datado de outubro, da organização CPI (Centro de Integridade Pública), que investigou durante seis meses o assunto dos contratos assinados e que, em conclusão, censura o fato de “funcionários públicos defenderem, na surdina, companhias privadas”; 70% delas, estadunidenses, contam com empregados ou membros de suas direções que trabalharam no governo do USA, seja democrata ou republicano. São essas mesmas empresas que fizeram as maiores doações à campanha eleitoral de George W. Bush — cerca de meio milhão de dólares. E as principais 10 contratadas são tradicionais doadoras de campanhas políticas.

Aí está incluída, preferencialmente, a empresa Kellogg, Brown & Root — KBR, subsidiária da gigante Halliburton, contratada por mais de 2,3 bilhões de dólares e que foi dirigida pelo vice-presidente Dick Cheney, em Houston, no Texas, até que ele se tornasse o companheiro de chapa de Bush, em 2000. O relatório da CPI informa que Cheney recebe da empresa ainda hoje, anualmente. O resultado é que a Halliburton faturou, no segundo trimestre deste ano, um acréscimo de 1,1 bilhão de dólares em função das atividades da KBR.

Invasões e grandes negócios

A devastação do país árabe assinala a abertura do maior mercado público do mundo no pós grande guerra. Já antes do ultimatum de Bush, o Pentágono havia firmado contratos de reconstrução para cinco grandes companhias ianques que repartem entre si os lucros criminosos. A Halliburton reconstruiu as principais instalações de perfuração e refino do petróleo iraquiano depois da guerra do golfo de 1991. Na época, seu presidente executivo era Dick Cheney que acabava de dirigir a destruição do país como Secretário da Defesa de Bush pai.

Na lista da CPI, a Cia. Bechtel, engenharia, também com o pé no governo, é a segunda beneficiada com contratos de mais de 1 bilhão de dólares. O chefe executivo do grupo é membro do Conselho de Assessores da Casa Branca. O diretor Riley Bechtel integra, nomeado por Bush em de fevereiro 2003, o Conselho de Exportação — grupo de 28 representantes do setor privado encarregado de assessorar o presidente.

O grupo Bechtel, a mais importante sociedade de água e energia do USA, vem sendo dirigida há quatro gerações pela família. Um de seus administradores, segundo a agência catalã Indymédia, é George Schultz, o antigo Secretário de Estado de Ronald Reagan, aliado da Lockheed Martins, este último, um conhecido do lobby armamentista ianque. “A aliança pressagia um novo tipo de negócio: a destruição do país por um comerciante de armas e sua posterior reconstrução por uma cimentaria.”

A SAIC (Science Application International Corp.)tem, até agora, sete contratos no país invadido. Um desses, ao custo de 39 milhões de dólares, que poderá triplicar para a reconstrução das telecomunicações. Seu executivo vice-presidente, David Kay, é agente da CIA, a famigerada Central Inteligence Agency.

Outras firmas contratadas, segundo a lista da CPI, são a International American Products; a Perini Corp. e a Contrack International. A agência catalã assinala um contrato por 4,8 milhões de dólares para administrar o porto de Umm Qasr, já em mãos da Cia. US Stevedoring Services.

E aos comparsas, vai o quê?A Espanha, amiga de primeira hora, grande vendedora de armas, se beneficia também, é claro, compensada pelos negócios que faz com diversas ditaduras do Oriente Médio — região mais militarizada do mundo e desestabilizada pela guerra do Iraque. São migalhas, mas o país tem contratos de armamentos com a Arábia Saudita, 1,2 bilhões de euros, ou com a Turquia: 278 milhões também em moeda européia.

Outro governo sócio do USA é o Egito. Mubarak analisa um projeto para que firmas egípcias participem do processo de rapina no Iraque e do tático apoio à ocupação ianque, ainda que conte com o veemente repúdio do povo para tais intentos. Mas o grupo de Mubarak é outro que, até agora, está a ver navios no deserto, uma verdadeira miragem.

Sobra para as companhias de capital iraquiano, onde o negócio, mesmo, são os muros de segurança construídos no país. As empreiteiras do ramo vivem uma verdadeira explosão de vendas de muros de concreto, com blocos de 18 toneladas, para embaixadas, hotéis ou bases militares do USA. Elas tiveram suas vendas acrescidas de 40% nos últimos três meses.

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