Discípulos de Mengele: Povos inteiros transformados em cobaias

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Em seu boletim de outubro a SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) informou que — desde 14 de setembro, quando se encerrou na Finlândia a nova rodada do Fórum mundial, aonde são decididas as normas éticas e de segurança para experimentos relativos a drogas de uso médico — os laboratórios do USA, que experimentam seus produtos em pacientes do Terceiro Mundo, estão isentos da responsabilidade de oferecer tratamento para estas pessoas, caso ocorram efeitos colaterais nefastos, fruto de seus macabros experimentos. O USA rompe (ou “modifica”, como preferem os porta-vozes desses oligopólios) a declaração de Helsinque, que há 39 anos limita este tipo de prática. 

Segundo a nova redação ética do imperialismo:

Em locais onde o acesso aos cuidados básicos de saúde seja precário, os patrocinadores de pesquisas clínicas envolvendo seres humanos se eximem da responsabilidade de promover o tratamento necessário aos voluntários do estudo, desde que os mesmos tenham prévio conhecimento e estejam cientes e de concordo com o risco assumido à sua integridade física ou mental.

As intenções dessa manobra são óbvias e têm precedentes não muito distantes na história. Nas décadas de 60 e 70 promoveu-se a esterilização em massa no Terceiro Mundo, via programas de assistência à maternidade, como, por exemplo, o Benfam (ver nota da pág. 30) . Em seu boletim, a SBC aponta:

Não é do desconhecimento de ninguém que milite na área acadêmica, que em passado anterior às disposições de Helsinque, antes, portanto de 1964, publicações consideradas ‘éticas' e respeitadas publicaram, em seus arquivos, resultados de pesquisas clínicas com populações de minorias, que hoje seriam inimagináveis e inconcebíveis para qualquer aspirante a pesquisador.

Não se trata apenas de utilizar novos medicamentos, encurtando o tempo necessário para testá-los em seres humanos, sem temer as consequências econômicas ou que efeitos colaterais possam causar. Diminui-se, assim, o tempo, o custo da pesquisa e o sofrimento dos ratos de laboratório. Afinal, os imperialistas se identificam mais com eles que com gente pobre e defender bichinhos é politicamente correto. Muito além disso, a medida abre espaço para uma guerra química silenciosa contra os povos, tornando possível, através dos tais testes, disseminar a esterilização, o câncer e todo o tipo de moléstias capazes de levar à ruína populações inteiras do globo. Não se pode esquecer que foram eles que lançaram bombas atômicas no Japão, desfolhante laranja no Vietnã, “bomba suja” (com núcleos de urânio empobrecido) no Iraque — apenas para citar alguns exemplos do uso de incapacitantes de efeito imediato com seus desfechos trágicos —, temerosos que os povos se levantem em mares de massas contra sua dominação. São capazes de tudo para postergar seu inevitável fim.

Não existe nenhuma novidade no desprezo que o imperialismo ianque nutre pelas nações, tanto mais quando dominadas, tampouco na utilização de populações inteiras como animais de laboratório. Já o fazia o grande mestre imperialista da corrente nazista, Mengele. E ele próprio teve antecessores. Esta é a ética imperialista, que vai se tornando mais podre e mórbida quanto mais se aproximam os estertores da velha sociedade. Questão prática, entretanto, que exige resposta imediata, reside num trecho do artigo citado da SBC: “Investimento em pesquisas científicas feitas pelo capital privado em nosso país nunca foi tão grande.”

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