Editorial - A quem pensa enganar, cara-pálida?

A- A A+

Há uns seis meses, os partidos do oportunismo eleitoreiro consideravam prematura qualquer crítica endereçada aos representantes do Executivo para o período 2003-6, chegando a comparar gestão administrativa com longevidade humana. Agora, antes de completar um ano, já parte da entente eleitoreira vive uma espécie de síndrome da menopausa administrativa.

Enquanto os testas-de-ferro proferem assombrosas e repetidas asneiras, no Brasil e no exterior, a parte que se apresenta como reserva moral do oportunismo oferece a si mesma três “opções”. A primeira faz “oposição construtiva”. A segunda, a dissidência petista, se entrega à lúdica, mas desconfortável atividade de ficar batendo com a pedra na própria cabeça: “O PT não era assim, o PT não era assim...”. A terceira, fala de caos esperançoso.

A organização da atual trama FMI-partidos eleitoreiros não constrói escolas, estradas, a entrega das terras é um blefe, não investe em abastecimento popular, em saúde pública ou no desenvolvimento regional. Não há diretrizes nacionais nem mesmo para as políticas reformistas de prosperidade agrícola, industrial, comercial, para o saneamento, o transporte coletivo, muito menos para as garantias trabalhistas e previdenciárias ou para o desenvolvimento nacional com “redistribuição de rendas e riqueza”.

O mínimo Cardoso, de 200 reais (desde abril de 2002), se converteu em mínimo Lula de 240 reais em 2003 (por “coincidência”, em abril), enquanto o Dieese indicava um salário mínimo necessário de R$1.385,91 em janeiro, fechando novembro em R$1.408,96. A entente apóia todos os mecanismos que fazem chegar a níveis insuportáveis a exploração do trabalho, o lucro máximo e a entrega de partes selecionadas de nosso território às corporações estrangeiras.

O continuísmo é tão rígido e cínico que repete o repugnante “Esqueçam-se do que eu disse” com “Outra coisa é ser governo...”.

II

Então, como dar voto de confiança a quem vende o seu povo?

Os da “segunda opção” fundam um outro PT, porém nos mesmos princípios: partido new labour, de trabalhadores mas sem caráter proletário, trotskista, clerical, social-democrata, ongueiro, eleitoreiro. De idêntica maneira, quer aliciar gente pobre nas bases e manter direções servis ao imperialismo e à sua política: o fascismo sofisticado.

Para os da “terceira opção”, vale perguntar: dando cordas a essa política, haverá esperanças para quem?

De abril de 64 até aqui, a gerência central do país é a mesma. No poder, permanecem as mesmas classes contra-revolucionárias. O gerenciamento militar nada mais fez que – dando livre curso às condições objetivas e subjetivas – aperfeiçoar o entreguismo: prendeu, torturou, assassinou quase todas as verdadeiras lideranças desse país até que houvesse liberdade suficiente para procriar essa irmandade de mega-pelegos. Porque, até mesmo no que diz respeito à repressão, chega às últimas consequências a propaganda da criminalidade e o patrocínio do crime. Polícias estaduais militarizadas estão sendo articuladas impunemente para criar pelotões inteiros da morte; tropas de assalto voltadas contra o povo. É dessa forma que a entente, com seus “direitos humanos”, combate o desemprego.

Diferente do gerenciamento militar, o grande patrão imperialista não admite ver, hoje, um único centavo mais revertido em socorro do povo. Sonega os mínimos investimentos administrativos (edificações, abastecimento, salários, etc.), enquanto se apropria do pecúlio dos trabalhadores, transformando-o em caixa do governo.

O Imperialismo quer imediatamente todas as nossas riquezas, livre de despesas. E ele tem quadros em abundância para obedece-lo.

Por isso, a política da entente oportunista é a rapina e sua ação social é mantida pelos projetos compensatórios e caritativos minguantes. Nada mais promete que dias piores. Não há, nem pode haver, distribuição de terras aos trabalhadores, nacionalização, soberania, etc., num Estado latifundiário, semifeudal e semicolonial, porque serve ao imperialismo que nos rouba tudo, queima tudo e destrói tudo quanto é nosso.

Nas suas visitas ao Brasil, o “executivo” tem algum tempo para editar medidas provisórias, dizer coisas irresponsáveis com rara prodigalidade, emprestar sua imagem ao sofrimento infinito dos “jornais nacionais”, de TV e impressos, retomando imediatamente no exterior à sua função de alabama. Dando cumprimento aos acordos lesivos aos interesses nacionais, essa entente acredita ser a maior representante espiritual do imperialismo, destacada para convencer governos (de igual índole) a se submeterem à Alca, aos projetos “alternativos” (econômicos e militares) do imperialismo na América Latina e na África.

Não foi a esperança do povo brasileiro que concebeu as eleições de 2002, mas a do FMI, do Banco Mundial, da oligarquia latifundiária e dos traidores. Eles se promoveram com as eleições, mas tiveram que levar consigo as últimas ilusões do povo brasileiro.

Tanto melhor.

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja