O espectro da revolução ronda o mundo

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O último 1º de Maio — o Dia do Internacionalismo Proletário — foi marcado, mundialmente, por vigorosas e retumbantes manifestações em que os proletariados de inúmeros países foram às ruas por direitos, melhores condições de vida e pelo fim do sistema de exploração do homem pelo homem. Somam-se à estes acontecimentos, os êxitos das guerras populares dirigidas por autênticos partidos revolucionários que são levadas a cabo em países como Peru, Turquia, Filipinas e Índia, onde a bandeira da revolução proletária volta a assombrar as velhas classes dominantes lacaias do imperialismo, principalmente o ianque.

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Europa

O proletariado europeu saiu às ruas em agigantados e por vezes combativos protestos contra a Europa do capital monopolista, esta Europa dos ricos e dos monopólios que ora tenta impor ao mundo do trabalho do continente um dos maiores arrochos da história do capitalismo, a título de “combater a crise”. Isso de Portugal à Turquia, da Noruega à França, passando por Inglaterra e Alemanha.

Em Milão, no norte da Itália, cerca de 30 mil pessoas, a maioria jovens, e grande parte deles encapuzados — para desespero, rancor e rubor do monopólio da imprensa que opera no Brasil, com sua ladainha de “mascarados” e “vândalos” para tentar desqualificar os protestos populares mais consequentes — marcharam por aquela cidade, que é famosa pela ostentação dos seus ricos, em fúria contra a realização da Expo 2015, versão do ano corrente da feira mundial de produtos industrializados tão cara aos capitalistas de todos os continentes, em uma violenta jornada contra mais aquela festa dos ricos e demagogos.

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Stuttgart, Alemanha

Sim, demagogos, porque o “tema” da Expo 2015 — sempre existe um, e sempre um de declaradas boníssimas intenções, a fim de fazer fumaça à pajelança da grande burguesia — foi a “alimentação sustentável”, com direito a mensagem do “papa” de turno pedindo “comida para todos”...

Pois a massa passou pisoteando tanta hipocrisia, incendiando carros, lojas de grife e agências de bancos, armando barricadas no meio das avenidas, enfrentando as forças de repressão com pedras e pedaços de pau. Apesar do caráter eminentemente (e notoriamente) anticapitalista deste agigantado protesto no 1º de Maio na Itália, o monopólio internacional da imprensa tentou repercutir a patranha de que os manifestantes reivindicavam que os 15 bilhões de euros gastos para a realização da Expo 2015 fossem “usados para incentivar o crescimento econômico”. Um bloco vermelho do Partido Comunista maoísta da Itália esteve presente na manifestação e levantou a palavra de ordem ‘Nem Expo, nem Renzi, nem imperialismo! A única solução é a revolução!’.

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Madri, Espanha

Na Espanha, dezenas de milhares de trabalhadores ocuparam o centro da capital do país, Madri, em um 1º de Maio fortemente marcado pela revolta contra as políticas que, a título de tentar mitigar a crise, apenas geram bolhas de ar para os capitalistas e mais precariedade e desemprego para as classes trabalhadoras. A marcha do 1º de Maio em Madri foi muito marcada, entretanto, pela infiltração do oportunismo eleitoreiro entre as massas, sobretudo dos vendedores de ilusão do partido “Podemos”, facção espanhola da chamada “esquerda antiausteridade” da Europa, cuja variação grega, o Syriza, já deu suficientes provas (ainda que já não fossem necessárias) de que nada de bom para o povo pode sair das farsas eleitorais.

Também no Estado espanhol, mas em Barcelona, capital da Catalunha, cerca de duas mil pessoas marcharam no 1º de Maio em apoio a oito manifestantes condenados recentemente a três anos de prisão por participarem de um ato mais consequente — ainda que nem sequer violento — contra a “austeridade” em frente ao parlamento catalão no ano de 2011. Consta na sentença que eles foram condenados, entre outros motivos, por seguirem um deputado com os braços levantados e punhos cerrados e por proferirem palavras de ordem contra o “político”.

E por falar na Grécia, e mais especificamente no Syriza, esta camarilha de fato parece disposta a provocar as massas trabalhadoras do país até o limite do seu justiçamento nas ruas. No 1º de Maio, o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, atraveu-se a dar a cara no maior protesto do Dia do Internacionalismo Proletário em Atenas, marcado, sobretudo, pela exigência do fim do arrocho às massas, e menos de uma semana depois assinou a ordem para o pagamento de 200 milhões em juros ao FMI.

Bandeiras vermelhas em punho

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1º de Maio revolucionário no Equador

No Equador, a Frente de Defesa de Lutas do Povo realizou uma série de atividades em celebração ao 1º de Maio Classista e Revolucionário, como colagem de cartazes e a organização de um bloco vermelho e combativo numa manifestação de rua na cidade de Ibarra, província de Imbabura, no norte do país. A Frente ainda lançou um comunicado intitulado ‘A luta ideológica e política no 1º de Maio’ afirmando “persistir na manutenção da independência de classe” e fiel “aos propósitos do proletariado e suas tarefas tático-estratégicas para a construção do Novo Poder”, bem como reafirmou a luta contra o oportunismo e o revisionismo nos movimentos sindical e popular. Fotos publicadas no blog Dazibao Rojo mostram as ruas de Ibarra com cartazes em homenagem ao Presidente Mao Tsetung, dirigente da Revolução Chinesa e da antiga China socialista.

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Austin, USA
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Bloco vermelho no 1º de Maio em Montreal, Canadá

A página do Facebook ‘Red Guards (Guardas Vermelhos) – Austin’, do USA, postou fotos de uma combativa manifestação realizada na capital do estado do Texas que percorreu mais de 7 km. Os manifestantes, alguns encapuzados e carregando bandeiras vermelhas, protestaram contra o assassinato do jovem Freddie Gray na cidade de Baltimore, em Maryland, fato que, recentemente, gerou intensa rebelião da juventude negra estadunidense. Uma bandeira do USA foi queimada. Assim como no Equador, nesta manifestação, jovens exibiram cartazes com fotos de Mao Tsetung e com a mensagem ‘De Austin a Baltimore, queremos guerra popular!’. Um grande bloco vermelho do Partido Comunista Revolucionário do Canadá também marcou presença marcante no ato realizado em Montreal.

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Fúria popular na Turquia

Na Turquia, como em todos os anos, as massivas manifestações foram as mais combativas. O país, que vive uma guerra popular dirigida pelo Partido Comunista da Turquia / Marxista-Leninista (TKP/ML) desde os anos 70, registrou um dia de violentos confrontos entre a polícia fascista e os manifestantes, que transformaram as ruas, principalmente da cidade de Istambul, em verdadeiras praças de guerra da fúria popular.

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Na Rússia, o 1º de Maio anunciou as comemorações dos 70 anos do Dia da Vitória

Em diversas cidades da Rússia, Ucrânia, Geórgia e outras nações que faziam parte da antiga União Soviética, o 1º de Maio também foi agigantado por bandeiras vermelhas. Tais celebrações antecederam e anunciaram as altivas comemorações dos 70 anos da vitória da Grande Guerra Patriótica contra o nazifascismo realizadas em 9 de Maio. Em diversos outros países, nos cinco continentes, outras inúmeras celebrações foram realizadas pela passagem do dia mais importante dos trabalhadores.

1º de Maio no Brasil

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Lagoa dos Gatos, Pernambuco

Em nosso país, algumas atividades classistas e internacionalistas também foram organizadas pela passagem do Dia do Internacionalismo Proletário. No Rio de Janeiro, a Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo (FRDDP) realizou uma celebração com o tema ‘Guerra Popular na Índia’, na qual foi abordado o processo revolucionário dirigido pelo Partido Comunista da Índia (Maoísta), o mais avançado da atualidade. Em Belo Horizonte, a Liga Operária e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de BH e Região (Marreta), juntos com outras organizações populares, celebraram a data com uma atividade classista e combativa que contrapôs todo o festival de bajulação às classes dominantes realizado pelas centrais sindicais pelegas e traidoras, tais como CUT, CTB, UGT, Força Sindical, Conlutas etc.

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Em diversas regiões do país, ativistas da Unidade Vermelha foram às ruas e fizeram a divulgação do jornal A Nova Democracia para os trabalhadores.

No dia seguinte, 2 de maio, cerca de 150 camponeses celebraram o Dia Internacional dos Trabalhadores levantando a bandeira da Revolução Agrária pelas ruas de Lagoa dos Gatos, em Pernambuco. Participaram do ato famílias das vilas de Riachão de Fora, Peri -Peri, da Área Revolucionária José Ricardo, camponeses de Messias - AL e ativistas de Recife, que sustentaram: “O Brasil precisa de uma Grande Revolução!”

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Boneco do "presidente" Aquino foi queimado nas Filipinas
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Bangladesh, país vizinho da Índia com forte movimento popular
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Coreia do Sul
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