SP: comunidade Nelson Mandela ameaçada

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Ativistas da Unidade Vermelha fazem a divulgação do AND

Os moradores da comunidade Nelson Mandela, em Osasco (SP), estão lutando contra uma ordem de reintegração de posse desde o dia 9 de março de 2015, deliberada em encontro presidido pelo juiz assessor da Presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Kleber Leyser de Aquino, no Palácio da Justiça, com representantes da Corregedoria Geral da Justiça, dos governos federal, estadual e municipal, do Ministério Público, da Polícia Militar e da juíza responsável pelo caso, Ângela Moreno de Rezende Lopes. A juiza determinou que os moradores da comunidade deveriam desocupar o terreno de 200 mil m² localizado na Zona Norte de Osasco, às margens do Rodoanel, onde vivem atualmente cerca de 15 mil pessoas, em até 90 dias.

O prefeito Jorge Lapas (PT) afirmou que não vai voltar atrás na ordem de reintegração de posse marcada para o início do mês de junho. O objetivo apresentado oficialmente pela Dias Martins S/A Mercantil e Industrial, proprietária do terreno, é que em uma parte do espaço seja construído um condomínio particular e a outra parte seja transformada em um aterro sanitário, apesar de um hospital estar sendo construído ao lado do terreno. A criação desse condomínio particular contradiz o próprio argumento da prefeitura para retirar os moradores da área, que é o fato de já existir um aterro sanitário próximo da comunidade, o que tornaria o local inadequado para a fixação de residências. Mas essa conclusão parece ser válida apenas contra as famílias da comunidade e desaparece instantaneamente quando vai contra os interesses das grandes empresas.

No dia 15 de abril, os moradores da comunidade Nelson Mandela bloquearam o Rodoanel em um ato em defesa da ocupação. As forças de repressão lançaram bombas, gás de pimenta e tiros de bala de borracha contra as famílias que protestavam. Dezenas de moradores ficaram feridos e alguns precisaram ser hospitalizados, incluindo mulheres, crianças e idosos.

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Ativistas da Unidade Vermelha fazem a divulgação do AND

Em mais um ataque contra o povo em sua luta legítima por moradia, moradores da comunidade denunciam tentativas de desmoralizar o movimento e afirmam que pessoas ligadas à prefeitura de Osasco e ao prefeito Jorge Lapas colocaram anúncios de venda de terrenos na internet com números de telefones de moradores. Membros da Associação de Moradores da Comunidade Nelson Mandela afirmaram que vão acionar a justiça para a retirada dos anúncios e os moradores garantiram que nenhum deles comprou terreno da comunidade. Eles dizem que isso foi uma manobra da prefeitura para deslegitimar a luta das famílias diante da sociedade e justificar suas ações fascistas contra as famílias que ali residem.

Essa não é a primeira tentativa de reintegração de posse feita pela forças de repressão contra a comunidade Nelson Mandela, e todas elas seguem os mesmos métodos violentos. Em uma tentativa anterior, dois moradores tiveram que ser hospitalizados por serem alvejados pela Guarda Civil Metropolitana de Osasco, que disparou com armas de fogo contra as famílias.

Apesar de muitos moradores temerem que se repita na comunidade Nelson Mandela o massacre realizado pelas mesmas forças repressoras do velho Estado no Pinheirinho no início de 2012 — onde cerca de 10 mil pessoas que moravam há 8 anos no local foram atacadas de surpresa pela Polícia Militar e pela Guarda Civil Metropolitana —, os moradores da Nelson Mandela estão convictos de que devem lutar pelas suas casas e acreditam que só através da luta eles serão vitoriosos.

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