Dívidas minguam salário do trabalhador

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No início de abril a Serasa Experian divulgou os resultados de um levantamento cujos dados mostram que 55,6 milhões de cidadãos brasileiros têm dívidas que não conseguem pagar — ou seja, estão com “nome sujo na praça”, impedidos de ter acesso a novos créditos.

São dezenas de milhões de trabalhadores afundados em dívidas estimuladas pelo gerenciamento petista. Dívidas que somadas atingem hoje o montante de R$ 235 bilhões, configurando um endividamento em massa que compõe a série de fatores que contribuem para a acelerada degradação das condições de vida das classes trabalhadoras do país, ao lado do avanço do desemprego, da deterioração dos salários e da dilapidação dos direitos historicamente conquistados pela via da luta classista.

Daqueles 55,6 milhões de “inadimplentes”, mais de 1,5 milhão entraram na lista — a “lista negra” dos devedores, este index humano do capitalismo — só nos três primeiros meses de 2015, ou mais de 17 mil pessoas que a cada dia, acossadas pelo desemprego, pela inflação e pela alta dos juros, engrossam a fatia da população com dívidas em atraso, sejam dívidas bancárias, incluindo o financiamento de carros e imóveis promovido à exaustão pelo gerenciamento do PT, seja a conta de luz em franca disparada, conta de água idem, ou contas de telefone e prestações de eletrodomésticos, enrubescendo — ou nem isso — certa “esquerda” que celebra os altos índices de telefones celulares e TVs de tela plana per capta como conquistas históricas das classes trabalhadoras.

Trata-se do segundo maior patamar de pessoas que não conseguem pagar suas dívidas registrado pelo Serasa Experian desde 2012. Em agosto do ano passado o número de “inadimplentes” chegou a bater na marca dos 57 milhões, teve um momento de queda, e agora volta a disparar, tendendo a superar com folga o recorde de 2014 com a avolumação dos impactos da crise geral de superprodução relativa do capitalismo internacional nas nações de matriz semicolonial — e com a presteza do “governo” Dilma em atender todas as requisições dos monopólios, do latifúndio e da grande burguesia para o velho Estado intervir visando mitigar tanto quanto possível os impactos dessa crise para as transnacionais e para as classes dominantes locais, tudo a custa dos direitos e dos salários dos trabalhadores.

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E quando o amém às aves de rapina e aos parasitas não vem do gerenciamento federal, vem do Congresso Nacional. É neste cenário que a atual legislatura do Congresso, parecendo tentar fazer jus à ideia de que é a “mais reacionária” desde a “redemocratização” (como se houvesse registro de legislatura popular, por assim dizer, como se isso fosse possível em se tratando o Congresso de uma instituição do capitalismo burocrático, e como se houvesse democracia verdadeira neste Brasil semifeudal e semicolonial), autorizou um aumento de 10% no limite do chamado “comprometimento de renda” para pagar as parcelas deste tipo de empréstimo, que não obstante a garantia do desconto em folha é oferecido a juros dignos de agiotagem, com os consignados mais baratos custando juros de 26% ao ano.

Agora, os bancos podem reter até 40% do salário de trabalhadores ou aposentados que dispõem de um contracheque para oferecer no altar de sacrifícios dos empréstimos consignados, muitas vezes como último recurso de que dispõem para tentar saldar suas dívidas e seguir tocando a vida. A se confirmar este aumento do limite de desconto para crédito consignado (precisa da sanção da “presidente”), e somado este novo teto a outras formas de desconto em folha, como plano de saúde e previdência privada, o salário do trabalhador no Brasil pode passar a pingar na conta cortado pela metade pelos chamados “comprometimentos de renda”.

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