‘Socialistas’ eleitoreiros ou ‘nacionalistas’: vertentes para o fascismo

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Neste mundo capitalista em crise geral, inexorável e terminal pode-se ver, por um lado, um “presidente” que se auto-arvora “socialista” surfando em comoções e temores nacionais com a barbárie espalhada por toda parte para criar leis que mantêm as massas trabalhadoras sob constante e minuciosa vigilância; por outro, pode-se ver o fundador e figura de maior protagonismo do partido de maiores votações entre a dita “extrema-direita” deste mesmo país ser expulso deste partido abertamente xenófobo e antipovo justamente por tecer elogios públicos a um antigo colaborador da ocupação desta nação por um exército fascista estrangeiro.

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Manifestação anônima na Hungria durante eleição em abril de 2014

Neste país, a França, a situação política é a síntese de como a chaga do fascismo ora se espalha pela Europa como purulento sintoma da crise, que empurra os monopólios e seus serviçais às últimas cartadas, e do esgarçamento até o limite das contradições inerentes ao sistema de exploração do homem pelo homem. Na França, em particular, na Europa e no mundo, em geral, o fascismo se espalha por toda parte, seja disfarçado de uma “esquerda” que cada vez menos se faz de rogada em implementar políticas antipovo, seja assumido de peito aberto por legendas que vêm conquistado cada vez mais espaço nas “democracias parlamentares” europeias, em parte porque tentam se fazer passar por mais amenos, maquiando-se, mas não muito, para as farsas eleitorais.

Marine Le Pen, que agora se volta contra seu pai, o faz ao perceber que a verborragia desmedida do velho fascista Jean Marie Le Pen pode custar à Frente Nacional o desperdício da oportunidade eleitoral que se lhe apresenta por causa da situação política da França, da Europa e do mundo; oportunidade até de chegar, a “extrema-direita”, ao Palácio do Eliseu nos próximos anos, justamente porque as fronteiras antes muito bem definidas entre as políticas que vêm sendo levadas a cabo pelos políticos do sistema, mas ainda abrigados em legendas mal chamadas “socialistas”, “trabalhistas” e que tais, e as políticas defendidas pelos políticos quase que abertamente fascistas já não se delimitam mais de forma bem definida.

Vide o “governo” do Syriza na Grécia, formado pela “extrema-esquerda” e pela “extrema-direita”; vide a nova lei francesa aprovada sob a batuta do “socialista” François Hollande que permite aos serviços secretos franceses realizarem escutas telefônicas e vigiarem a internet sem autorização ou controle judicial; vide o crescimento de 400% do partido xenófobo Ukip nas eleições realizadas na primeira quinzena de maio no Reino Unido, sufrágio sobre o qual tem sido dito que foi o mais “monótono” de todos os tempos, justamente pela absoluta ausência de diferenças significativas entre as “propostas”, discursos dos políticos e legendas que pediram o voto do povo.

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Apesar de ter crescido tanto em termos de desempenho na farsa eleitoral, o Ukip não venceu as eleições britânicas. Entretanto, a primeira grande medida da administração Cameron reeleita poderia muito bem ser a primeira medida da xenofobia assumida eventualmente no cargo de “primeiro-ministro”. No dia 21 de maio, Cameron anunciou que daria à polícia poder de confiscar os salários de imigrantes flagrados como “ilegais”, além da instalação de um sistema de monitoramento via satélite para vigiá-los até que sejam expulsos do país.

Quanto ao Partido Socialista Francês, melhor seria se mudasse de nome de uma vez, talvez para algo semelhante ao nome do partido fascista que acaba de ser convidado a integrar o novo governo da Finlândia — após a vitória do oligarca Juha Supila nas eleições de abril —, nação que está há três anos em recessão por causa da crise geral dos monopólios, cabendo-lhe provavelmente a indicação do novo ministro das Finanças daquele país nórdico: Verdadeiros Finlandeses.

Bem à moda da moderação eleitoreira que toma conta dos partidos xenófobos e racistas que vislumbram postos mais avançados dos Estados, na Finlândia e em outros países no norte da Europa a “extrema-direita” vem sendo chamada também eufemisticamente de “eurocética”, em referência ao seu nariz torcido para acordos europeus de livre-circulação de pessoas.

Mas na linha de frente deste esforço da extrema-direita em tentar dar uma cara mais bonita às políticas draconianas que advogam parece estar o partido xenófobo “Campo Nacional Radical”, da Polônia, que recentemente escalou uma jovem de 20 anos com estereótipo de modelo do mundo da moda e recém-filiada à agremiação para disputar a prefeitura da pequena cidade onde ela nasceu. Um velho fascista dirigente do partido explicou a opção a um jornal europeu: “A imagem dela tem um papel importante porque quando vemos uma mulher bonita não pensamos num careca vandalizando a cidade”.

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