Camponeses bloqueiam rodovia no Pará

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Em 26 de abril, camponeses bloquearam a rodovia BR-158, no trevo da Barreira de Campos, a 15 km do município de Santana do Araguaia, no Pará.

São famílias de duas áreas no extremo Sul do Pará em luta pelas terras da fazenda Ouro Verde, em Santana do Araguaia, e pela posse das terras da Fazenda Forkilha, em Santa Maria das Barreiras.

O bloqueio da BR-158 foi uma resposta dos camponeses à enrolação e desrespeito do Incra, que enviou um representante a uma reunião com camponeses com promessas de vistoriar as fazendas e entregá-la aos camponeses e não cumpriu sua palavra.

Com pneus em chamas e faixas, os camponeses bloquearam a rodovia por volta das 23 horas do dia 26, exigindo a vistoria e entrega das terras da Ouro Verde e da Forkilha aos camponeses.

A “justiça”, o Incra, e o latifúndio

A luta dos camponeses pelas terras da Ouro Verde é marcada pelos crimes do latifúndio, representado pelo pretenso proprietário das terras, Vitório Guimarães, com o auxílio do judiciário, que lhe concedeu uma liminar irregular de reintegração de posse em 2007. Na ocasião, o juiz ordenou a reintegração de uma área muito maior do que a reclamada pelo latifundiário e ordenou o despejo.

Sem perda de tempo, o latifundiário ordenou a entrada de máquinas nas terras que vinham sendo cultivadas pelos camponeses, o incêndio de seus pertences e moradias e a destruição de tudo o que vinham construindo e produzindo as 210 famílias que lá viviam e trabalhavam. Os camponeses se retiraram para uma área próxima a fazenda, onde montaram acampamento e permanecem até os dias atuais. Em setembro de 2010, os camponeses em luta pela Ouro Verde já haviam bloqueado essa mesma rodovia exigindo a vistoria e entrega das terras e denunciaram que o Incra de Marabá não tomava providências apesar de ter conhecimento da situação há bastante tempo.

A luta da Forkilha é uma batalha histórica dos camponeses do Sul do Pará. No dia 19 de novembro de 2007, uma operação conjunta de várias corporações das forças de repressão atacou o acampamento, prendeu, torturou e cometeu todo tipo de atrocidades contra homens, mulheres, idosos, jovens e crianças.

Essa ação criminosa, parte da chamada “Operação Paz no Campo”, sob a gerência Ana Júlia-PT, foi a maior ação contra a luta camponesa no Pará após a Guerrilha do Araguaia. Nos meses que seguiram a operação de terror no campo, onze ativistas e dirigentes camponeses (entre eles o dirigente da Liga dos Camponeses Pobres, Luiz Lopes) foram assassinados.

Os camponeses realizaram tentativas de retomar para terras da Forkilha e, hoje, encontram-se acampados em uma área próxima, resistindo e lutando pela posse das terras.

Uma luta só

Entrevistamos por telefone um dos coordenadores do acampamento das famílias em luta pelas terras da Ouro Verde. Muito satisfeito com a mobilização e o resultado do bloqueio da rodovia, ele denunciou a enrolação do Incra e falou da revolta dos camponeses.

— Eles prometeram há mais de ano que fariam a vistoria da fazenda. Somos mais de duzentas famílias. Algumas venderam casa e carros para fazer a produção e construir na área. O juiz deu a ordem de reintegração e o fazendeiro mandou destruir tudo o que tínhamos. Tinha barraco, tinha produção, tinha criação. Tocou fogo em tudo! Nós queremos a terra, não queremos enrolação! — declarou.

O camponês ainda denunciou a atuação do advogado do latifundiário contra as famílias em luta pela Ouro Verde, afirmou que as famílias vinham recebendo cestas básicas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e que essas cestas foram suspensas após intervenção desse advogado, que também estaria pressionando os juízes que acompanham o processo da Ouro Verde para que as vistorias da fazenda não sejam realizadas. Mas destacou que as famílias estão organizadas e decididas e que a população apoia a sua luta.

Sobre a união dos camponeses em luta pelas terras da Ouro Verde e  da Forkilha, ele declarou:

— Estamos unidos nessa e em todas as lutas que se levantarem. Um ajuda e o outro paga na mesma moeda, ajudando também. É assim que vamos avançar e conquistar o que é nosso por direito.

No dia 29 de maio, após o bloqueio da BR-158, a justiça deu prazo de 30 dias para que o Instituto de Terras do Pará (Iterpa) faça a vistoria na Fazenda Ouro Verde.

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