Varrer o oportunismo e preparar a Greve Geral

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O “Dia Nacional de Manifestações e Paralisações”, convocado pelas centrais sindicais chapa-branca no último dia 29 de maio, foi mais uma vã tentativa do peleguismo de cavalgar e tanger a crescente insatisfação e revolta popular contra os pacotes de medidas antipovo e antioperárias ditados pelo gerenciamento petista, apontando unicamente contra o Projeto de Lei 4330, que trata das terceirizações.

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Ativistas do MEPR exibem faixa pela liberdade de Igor Mendes durante ato do dia 29 de maio

Foi uma reedição do 11 de julho de 2013, quando os oportunistas se desdobraram, sem conseguir, desviar a atenção dos trabalhadores dos protestos contra a farra da Fifa, que cresciam em volume e combatividade, convocando um “dia nacional” que foi rechaçado e varrido pela juventude combatente.

Em várias cidades, o que se pôde ver no 29 de maio, em geral, foram desfiles domesticados de funcionários e dirigentes de sindicatos filiados às centrais que brandiam uma miscelânea de palavras de ordem clamando por uma “reforma política”. Para confundir a parcela das massas (em número cada vez menor) que ainda se movimenta em sua órbita, os oportunistas discursam “contra as terceirizações” para tentar ocultar sua cumplicidade e culpa dos duros ataques desferidos contra os direitos dos trabalhadores.

Um movimento para “para inglês ver”, como se diz no jargão popular. Ao mesmo tempo que deblateravam contra o congresso nacional e o ministro da fazenda, isentavam a gerência Dilma/PT/pecedobê da responsabilidade direta pelas medidas antipovo ditadas pelo imperialismo e que, desde o submisso Planalto, são aplicadas da forma mais brutal pelas gerências estaduais e municipais.

Ferve o caldeirão da revolta

Mas por baixo, e por todos os lados, apesar das direções pelegas das centrais sindicais, vários setores das classes trabalhadoras demonstraram grande disposição de luta. Rompendo e atropelando as direções oportunistas, tomaram as ruas e se levantaram nos locais de trabalho em lutas radicalizadas.

Em São Paulo, no dia 29 de maio, estudantes e trabalhadores da USP realizavam um protesto e dirigiam-se para bloquear a rodovia Raposo Tavares, na Zona Oeste da capital, quando foram covardemente atacados pelas forças de repressão, que lançaram bombas e abriram fogo com munição de borracha contra os manifestantes. Jovens se postaram na linha de frente e defenderam o protesto com combatividade. Um policial agrediu com um soco uma jovem que defendia seus companheiros. PMs atiraram à queima roupa contra os manifestantes. Barricadas com pneus em chamas foram erguidas. Um estudante do curso de Ciências Socais foi preso e pelo menos cinco estudantes foram feridos pelas forças policiais.

Fato que tem ocorrido com mais intensidade a partir das jornadas de lutas de junho/julho de 2013: quando os protestos populares se avolumam e os noticiários começam a falar em manifestações, em todos os rincões do país, nas rodovias, periferias das grandes cidades e no campo, surgem barricadas de pneus em chamas e as massas pintam suas mais sentidas reivindicações em cartazes feitos a mão. Mesmo em protestos convocados pelas centrais governistas, onde compareceram trabalhadores de base, rodovias e avenidas foram bloqueadas e o fogo das barricadas fazia ferver o caldeirão da revolta, que nem o governo nem os oportunistas são capazes de controlar. Na Bahia, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, os protestos bloquearam importantes vias. Esses protestos se somaram a tantos outros que já vinham ocorrendo como o bloqueio na rodovia BR-158, em Santana do Araguaia, no Pará, por camponeses em luta pela terra, ou na SP-79, em Sorocaba, onde a população se revoltou e bloqueou a rodovia após a morte de uma adolescente devido a falta de segurança para os pedestres.

Em todo o país, os trabalhadores em educação das redes estaduais e municipais sustentam greves que já ultrapassam dois meses de duração, como é o caso de Santa Catarina, São Paulo, Paraná, entre outras. Os professores enfrentam a truculência e a intransigência dos governos que se recusam a atender as justas reivindicações dos grevistas em luta por melhores salários, condições de trabalho, entre outras demandas.

A Greve Geral nas universidades federais já atinge, no fechamento desta edição (1º de junho de 2015), 48 das 63 instituições em todo o país. Professores, técnico-administrativos e estudantes se levantaram em luta contra o corte orçamentário das instituições, por melhores salários e contra a aguda deterioração da estrutura da universidade pública brasileira.

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Chamado classista

Unindo-se ao povo em luta, em diferentes localidades, organizações populares classistas convocaram as massas trabalhadoras para intensificar o protesto popular.

No Rio de Janeiro, ativistas do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), da Frente Independente Popular (FIP-RJ), da Unidade Vermelha - Organização Revolucionária Nacional Libertadora (UV-ORNL), da Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC), do Fórum de Oposições pela Base (FOB), do Grupo de Educação Popular (GEP), entre outras organizações, realizaram uma intervenção classista na manifestação de 29 de maio. Elas ergueram, entre outras bandeiras, a da libertação de todos os presos políticos do campo e cidade. Os estudantes mobilizados pelo MEPR denunciaram a repressão fascista desatada pela polícia e pelos seguranças da UERJ um dia antes contra o protesto de estudantes em apoio às famílias trabalhadoras da Favela Metrô-Mangueira, que resistiam a uma ação de despejo e demolição de casas. Os ativistas também convocaram os trabalhadores e estudantes do Rio de Janeiro a se unirem na luta contra a repressão policial do velho Estado, em defesa dos direitos do povo e pela preparação da Greve Geral.

Em Belo Horizonte (MG), desde a madrugada de 29 de maio, trabalhadores rodoviários e usuários do transporte público paralisaram as estações do Barreiro e Diamante, na região industrial da cidade. Ativistas da Liga Operária, do MEPR, do Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate) e diretores do Sindicato dos trabalhadores da Construção de BH e Região (Marreta) apoiaram a paralisação dos rodoviários e fizeram muita agitação com carro de som, faixas e bandeiras chamando os trabalhadores a preparar a Greve Geral contra o pacotaço de medidas antipovo de Dilma/PT, denunciando as terceirizações criminosas e convocando o povo a apoiar e participar das mobilizações.

Ativistas do “Movimento Sem Cobrador Não Dá” distribuíram panfletos para os trabalhadores rodoviários e para a população contra os ataques aos direitos dos rodoviários e o peleguismo da direção do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários STTR-BH (UGT), que, segundo denunciou o movimento, no último período fez acordos com os patrões sobre o fim da função dos cobradores dos ônibus da capital e da região metropolitana, a imposição da dupla função aos motoristas (que com o fim dos cobradores são forçados a cobrar passagens e acumular ainda outras funções), o aumento da jornada de trabalho, entre outros ataques. Ativistas da Liga Operária enviaram mensagem à redação do AND informando que a estação Barreiro ficou paralisada por mais de cinco horas e os trabalhadores sustentaram o movimento rechaçando a presença de diretores do STTR-BH, que, em conchavo com a patronal, faziam ameaças e tentavam, a todo momento, atemorizar os trabalhadores em luta.

Vários outros setores, como o metrô e os correios, também paralisaram os trabalhos nesse dia, que foi encerrado com um combativo ato convocado pelo Marreta na Praça Sete, epicentro da capital.

O que podemos concluir das últimas batalhas das classes trabalhadoras em nosso país — sobretudo de nossa valorosa classe operária, que resiste nas obras das usinas de Jirau e Santo Antônio, e de Belo Monte, em Rondônia e no Pará, respectivamente; no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, nas obras do Mineroduto da Anglo American em Conceição do Mato Dentro – MG e em outras obras de grande porte de usinas, ferrovias e complexos industriais. Os operários da construção civil, metalúrgicos, tecelões, etc.. Também os professores das redes públicas de ensino fundamental e secundário, dos professores, técnico-administrativos e estudantes das universidades estaduais e federais, garis, camelôs, profissionais liberais, trabalhadores da saúde, enfim, de todos os setores produtivos nas metrópoles, até as pequenas cidades, onde a luta dos trabalhadores se funde à luta dos camponeses, povos indígenas e quilombolas — é que a luta pela preparação da Greve Geral passa por e depende diretamente dos trabalhadores desmascararem definitivamente as direções oportunistas das centrais sindicais e impulsionarem sua organização classista e combativa.

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