Igor Mendes é o preso político mais importante do Brasil

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ilustração: Alex Soares

A história da luta de classes nos ensina que os revolucionários sempre tiveram que pagar uma cota para dar prosseguimento à luta até seu triunfo. Dependendo da etapa de desenvolvimento da situação revolucionária, essa cota é paga com sangue ou de outras formas, como a privação da liberdade. Lenin já nos dizia que a prisão é a casa de veraneio dos revolucionários. A luta revolucionária é cheia de curvas, avanços e recuos. Há momentos onde avançamos e golpeamos o inimigo, e há momentos em que é o inimigo quem nos golpeia. Estar preparado para agir em todos estes momentos é a chave para não ser pego de surpresa. E conforme a luta popular cresce e ganha contornos mais consequentes, a reação é obrigada a responder de forma mais firme e intensa.

Uma dessas formas, a prisão de militantes, é uma prática constante em todo o mundo, seja em países cujos regimes são abertamente fascistas ou naqueles em que as classes dominantes tentam manter suas aparências democráticas. O encarceramento das lideranças políticas é uma clara tentativa de intimidar e frear o avanço da luta popular e revolucionária. Ondas de prisões ocorrem na Alemanha, Turquia, Índia, Grécia, Espanha e no Brasil, isso pra citar alguns países que isso tem sido destaque nos últimos meses.

O encarceramento não representa somente o ataque às pessoas individualmente, mas também uma forma de investir contra a luta popular por direitos, sejam eles quais forem, e principalmente contra a causa revolucionária de luta por uma sociedade justa.

Método cotidiano em nosso país durante os regimes fascistas de Getúlio Vargas e dos militares, as prisões políticas que ocorrem hoje durante o governo do PT servem para revelar mais uma vez como este governo é tão de direita quanto qualquer outra sigla do Partido Único que disputa a gerência desse velho Estado de grandes burgueses e latifundiários serviçais do imperialismo.

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Uma resposta às jornadas de junho

Após as jornadas de protesto popular de junho de 2013 e a vitoriosa campanha do “Não vai ter Copa”, que sacudiram todo o país, o governo antipovo do PT precisou dar uma resposta às mobilizações populares e mostrar às classes dominantes sua disposição em defender seus interesses. Desencadeou uma onda de perseguições e prisões de ativistas, contando, claro, com a ajuda dos governos estaduais, municipais e de todas as instâncias do judiciário.

No Rio de Janeiro, onde a perseguição contra os movimentos populares independentes e combativos foi mais intensa, 23 ativistas estão até hoje respondendo ao processo por formação de quadrilha.  Principal alvo do processo, a Frente Independente Popular (FIP-RJ) é tida como uma “quadrilha armada”. Acusação falsa e incabível que tenta deslegitimar o que ela é de fato, uma frente de várias organizações que se uniram em torno do classismo e do rechaço à farsa eleitoral. As plenárias da FIP sempre são abertas e em locais públicos, onde todos os presentes possuem o direito de voz e voto. A perseguição contra a FIP e as organizações que a compõem nos revelam fatos importantes:

1) que a perseguição política tem objetivos claros de coibir o direito de manifestação e o direito de organização;

2) que as perseguições políticas daqui para frente também possuem alvos bem estabelecidos: movimentos e organizações que estão fora dos moldes do governo e rompem com toda aquela velha forma de fazer movimento popular através de negociatas e traições da luta do povo.

Provavelmente seu crime é defender o boicote à farsa eleitoral e o direito do povo de se rebelar.

Seis meses de mais uma arbitrariedade

Dos 23 ativistas processados, duas estão foragidas (Elisa Quadros e Karlayne Moraes) e um está preso há quase seis meses em Bangu (Igor Mendes). Os três tiveram novos pedidos de prisão por terem supostamente desrespeitado as medidas cautelares, que, na verdade, são a cassação de seus direitos políticos.

Durante todas as audiências, por diversas vezes, os advogados apresentaram provas da ilegalidade da prisão, claramente ignoradas pelo judiciário.

Igor Mendes é preso político

Claramente escolhido a dedo pelo juiz Flávio Itabaiana, pois o jovem é descrito no famigerado inquérito que deu origem a sua prisão como um dos líderes dos “atos violentos” que ocorriam nas manifestações do Rio de Janeiro, Igor está representando, a partir do seu encarceramento, toda a juventude combatente que se levantou em junho e, porque não, toda a juventude revolucionária de nosso país, já que o jovem sempre foi um inflexível defensor da necessidade de uma revolução no Brasil, dedicando toda sua militância a essa causa.

No decorrer desses seis meses, Igor Mendes tem se transformado no preso político mais importante do país.

Primeiro, por sua postura firme e altiva, sendo exemplo para toda a juventude combatente e revolucionária, não apenas da geração atual como da futura geração que poderá se espelhar em seu exemplo. Seu gesto de punhos cerrados ao professar a histórica consigna antifascista “Não Passarão!” durante as audiências já fala por si. Foi mostra da firmeza inabalável de um revolucionário mesmo dentro do covil do inimigo.

E segundo, porque sua prisão é uma clara tentativa de intimidar não só os jovens do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) e da FIP-RJ, organizações nas quais ele milita, mas sim toda a juventude revolucionária, democrática e progressista brasileira.

Por isso, defender a sua libertação é defender a justa rebelião da juventude das jornadas de junho, é defender o direito do povo lutar, é defender os jovens camponeses que se lançam na luta pelo direito à terra, é defender os jovens das favelas que se rebelam frente à violência policial, e o mais importante, é defender que lutar não é crime.

Liberdade para todos os presos políticos!

Junto com o mandado de prisão de Igor Mendes, Elisa Quadros e Karlayne Moraes também tiveram sua liberdade cerceada, porém as duas não caíram nas garras do Estado, vivem na clandestinidade. Os outros 20 processados continuam com seus direitos políticos cassados, proibidos de se ausentar da comarca e de participar de qualquer manifestação política. Caio Silva e Fabio Raposo, além dessas arbitrárias medidas, são obrigados a usar tornozeleiras eletrônicas. Defender qualquer ativista perseguido pelo velho Estado é dever de todos os movimentos populares, intelectuais honestos, progressistas e democratas.

Além deles, Rafael Braga, outro perseguido das jornadas de junho, continua preso, condenado por portar produtos de limpeza durante uma manifestação em 2013.

Rebelar-se é justo!

E a cada dia que passa, quanto maior o número de prisões e perseguições políticas, assassinatos de camponeses e indígenas, massacres do povo pobre nas favelas e corte de direitos conquistados através de muita luta, o próprio governo reacionário do PT nos dá mostras do quão acertada está a frase proferida por Igor Mendes em uma das cartas escrita por ele no cárcere: “Sairei daqui mais convicto de que o Brasil precisa de uma Grande Revolução!”.

*Emerson Raphael Oliveira da Fonseca é aluno de História da UERJ. Preso na véspera da Copa da Fifa em julho de 2014, atualmente é um dos 23 ativistas perseguidos políticos no Rio de Janeiro

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