Egito: o imperialismo perpetua a barbárie

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Manifestantes assassinados durante protestos

Uma entidade egípcia chamada Conselho Nacional de Direitos Humanos divulgou, no início de junho, um relatório segundo o qual 2.600 pessoas morreram no Egito de forma violenta e diretamente ligada à situação política do país só entre julho de 2013 — quando da deposição de Mohammed Mursi e sua camarilha oportunista para restauração da “junta militar” — e dezembro do ano passado. Só no dia 14 de agosto de 2013 foram 750 mortos, apoiadores de Mursi e da Irmandade Muçulmana massacrados pelo exército egípcio, espinha dorsal da subjugação do Egito ao imperialismo, durante dispersão de manifestantes nas praças Al-Nahda e Rabia al-Adawiya, no Cairo.

Este é o cenário — ou melhor, apenas uma parte dele, e apenas no Egito — da barbárie agravada nos países do Norte da África e Oriente Médio cujos levantes populares desencadeados pelos anseios de democracias verdadeiramente populares foram sabotados e cavalgados pelo imperialismo, sobretudo pelo imperialismo ianque, que, aproveitando-se da ausência de lideranças autenticamente revolucionários naqueles levantes, conduziram-nos a no máximo reconfigurações de forças políticas reacionários e oportunistas para a manutenção do mesmíssimo capitalismo burocrático de sempre naquela região, sendo a deposição de Mursi apenas mais um capítulo entre tantos dessa reconfiguração que em nada atende aos mais prementes anseios das massas. Ao contrário.

Logo na sequência da deposição de Mursi, entre julho e dezembro de 2013, o Estado egípcio gerenciado pela “junta militar” fez mais de 21 mil presos políticos. Estima-se que só em abril de 2014 mais 16 mil pessoas, aproximadamente, tenham sido encarceradas por motivos políticos, em uma gigantesca escalada repressiva levada a cabo por um exército em grande parte financiado pelo USA, que se recusou a classificar como “golpe” a deposição de Mursi para poder, ante a lei ianque, seguir enviando “ajuda militar” àquele seu autêntico enclave na região do Norte da África e Oriente Médio.

Hoje, as penitenciárias egípcias funcionam com 160% de ocupação, e as cadeias das delegacias têm mais de 300% de superlotação. A situação só não é mais calamitosa no “sistema prisional” por uma sombria particularidade do velho Estado egípcio: lá, a lei prevê pena de morte para 75 tipos de crime, e centenas de pessoas foram condenadas à morte recentemente em grandes julgamentos coletivos, para arrepio das organizações que, em meio a toda esta barbárie, acreditam mesmo que podem lograr defender os “direitos humanos”. Uma das sentenças à morte coletivas mais recentes, dada em maio, foi a de oito manifestantes que teriam atacado militares em uma manifestação. Também em maio foi condenado à pena de morte o próprio oportunista Mursi (em sentença ainda sujeita a validação).

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Enquanto as potências capitalistas e seus monopólios se fartam, esbaldam e se lambuzam todas com a perpetuação das estruturas que permitem a dominação do país pelo imperialismo europeu e pelo imperialismo ianque, a “comunidade internacional”, ou seja, o coletivo daquelas mesmas potências, esmeram-se na mais alta hipocrisia para “criticar” os “excessos” daquele Estado facínora.

No último dia 1º de junho foi tornada pública a informação de que o grupo industrial alemão Siemens, simplesmente o maior monopólio da Europa, estava prestes a assinar um contrato com o “governo” do Egito para a construção de três usinas de gás e energia a vapor naquele país, em um negócio avaliado em mais de 10 bilhões de euros. Trata-se da maior encomenda unitária da história da Siemens, que, por conta da crise geral de superprodução relativa do capitalismo internacional, enfrenta grandes dificuldades especialmente e justamente em sua divisão de… gás e energia.

O contrato requisitado pela administração de Angela Merkel ao gerenciamento egípcio foi assinado no último 3 de junho, durante visita oficial à Alemanha de Abdel Fattah al-Sissi, “presidente” do Egito, para “reforço dos laços comerciais entre os dois países”. Merkel, entretanto, seguiu à risca o protocolo da hipocrisia e criticou a vigência da pena de morte no Egito, durante a entrevista coletiva de praxe em visitas desta estirpe, entrevista da qual participaram o gerente da semicolônia e a chefe da grande potência imperialista.

O presidente do parlamento alemão, Norbert Lammert, cancelou uma reunião com al-Sissi alegadamente devido “à perseguição sistemática de grupos oposicionistas com detenções em massa, condenações a longas penas de prisão e um número incrível de sentenças de morte”.

E que tal um contrato novinho em folha que, na prática, significa ajudar a dar sobrevida a um monopólio tão gigante quanto agonizante à custa das riquezas geradas por um povo tão miserável quanto insubmisso — um povo que, sob uma liderança revolucionária e na hora mais breve, libertará o seu país dessa rotina de rapina e repressão.

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