O drama dos ‘ilegais’ também se dá em terra firme

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Jovens da etnia rohingya encontrados próximos à Tailândia

Enquanto não param de circular notícias sobre altruísticos “resgates” (a rigor, prisões) pelas guardas costeiras europeias de centenas, milhares de migrantes africanos em tentativas desesperadas de atravessar o mar Mediterrâneo para, flertando com a morte, terem uma chance de sobreviver trabalhando na Europa, informações recentes sobre a multiplicação de episódios envolvendo o drama de imigração clandestina também em terra firme lembram que este é sintoma do acirramento das contradições do capitalismo internacional, ou seja, vai muito além das “condições climáticas favoráveis” para travessias marítimas, como alguns órgãos do monopólio da imprensa chegaram a sugerir.

Na Hungria, por exemplo, quase 1.500 migrantes, a maioria afegãos, paquistaneses e sírios, foram presos em um único fim de semana, o último de maio, quando tentavam entrar clandestinamente na União Europeia pela fronteira húngaro-sérvia.

No último 2 de junho, um acampamento de imigrantes africanos montado debaixo de uma ponte no norte de Paris, sob os trilhos da linha 2 do metrô suspenso da capital francesa, e onde viviam cerca de 350 “ilegais” oriundos em sua maioria do Egito, Sudão, Eritreia e Somália , amanheceu cercado pela polícia do senhor “socialista” François Hollande e antes do anoitecer estava totalmente removido em cumprimento a um mandado judicial de remoção por “risco sanitário” de epidemias de disenteria e sarna.

Naquele mesmo dia uma outra operação da polícia francesa destruiu um acampamento de imigrantes clandestinos no porto de Calais, às margens do canal da Mancha, prendendo 66 estrangeiros criminalizados por não portarem os carimbos e os documentos que a União Europeia lhes obriga a ter, e dispersando cerca de 80 outros “ilegais” entre famigerados “centros de acolhimento”. Segundo dados da própria Polícia de Fronteiras da França, entre janeiro e maio de 2015 nada menos que 18.170 migrantes, a maioria africanos, foram presos na França tentando chegar à Grã-Bretanha.

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Policiais despejam imigrantes no dia 2/6 no norte da França

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