Soltura imediata de Albert Woodfox

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Woodfox, preso político do Estado ianque

Albert Woodfox, de 68 anos, está detido em isolamento desde 18 de abril de 1972, numa cela de 1,82 por 2,70 metros, acusado de ter assassinado o carcereiro Brent Miller durante uma rebelião no Presídio Estadual da Luisiana, apelidado de ‘Angola’, mesmo nome da fazenda de escravos do século XIX onde o presídio foi construído, no sul do USA.

Albert, que cumpria pena por assalto a mão armada, e Herman Wallace foram postos em regime de solitária acusados e condenados pelo assassinato. Outro acusado, Robert Hillary King, nunca foi julgado por esse crime, mas acabou sendo condenado pela morte de outro detento. Juntos, eles ficaram conhecidos como os “Três de Angola”.

Woodfox, Wallace e King eram membros do movimento revolucionário Panteras Negras e dentro da prisão se organizavam com os demais presos na luta por melhores condições e nas denúncias de segregação, corrupção e abusos cometidos na maior prisão ianque. Os prisioneiros alegaram inocência e denunciaram que suas acusações e isolamentos eram para tentar desmobilizar a luta dos detentos.

Woodfox será o último dos ‘Três de Angola’ a receber liberdade. Hillary King foi o primeiro a ser solto em 2001, e desde então vem fazendo parte da campanha pela libertação de seus camaradas. Wallace foi posto em liberdade em 2013, três dias antes de falecer. Na ocasião, o jornal A Nova Democracia divulgou a mensagem do também preso político Mumia Abu-Jamal para o seu funeral (AND nº 120, Herman Wallace, revolucionário).

Woodfox foi processado duas vezes pelo assasssinato e teve suas condenações revogadas por tribunais de recurso. O Ministério Público da Luisiana pretendia acusá-lo pela terceira vez, mas o juiz James Brady, que ordenou sua soltura imediata, também proibiu a promotoria de acusar Woodfox novamente.

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Os promotores já falaram que vão recorrer da decisão. Um porta-voz do procurador-geral do Luisiana, Buddy Caldwell, disse que o seu gabinete “vai fazer tudo para garantir que o assassino permaneça na prisão e que continue a pagar pelas suas ações”.

Já o juiz considera o estado da Luisiana incapaz de lhe dar um julgamento justo. Brady afirmou que “O Sr. Woodfox permaneceu em condições extraordinárias de confinamento por aproximadamente 40 anos, e ainda hoje não há condenação válida para mantê-lo na prisão, ainda mais em uma solitária”.

Teenie Rogers, viúva do carcereiro que morreu aos 23 anos de idade durante a rebelião no presídio, acredita na inocência dos ‘Três de Angola’ e atualmente também apoia a campanha pela liberdade. “Acredito que os ‘Três de Angola’ são inocentes. Li todas as provas e ninguém me convence do contrário: eles são inocentes”, declarou. Ainda sobre a morte de Wallace, ela também disse: “No momento em que eu descobri que Herman estava morto, simplesmente partiu meu coração. Eu queria vê-lo, eu queria falar com ele. Eu queria... perdão. Eu queria que ele soubesse que eu acreditava que ele era inocente, e eu não fui capaz de fazer isso”.

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Negros estadunidenses presos no 'Angola'

Albert, até o fechamento desta edição, permanecia preso e o processo de sua libertação pode demorar por morosidades burocráticas e toda a ação perpetrada pelo estado da Luisiana para dificultar o cumprimento da ordem judicial. Contudo, ele, advogados e demais envolvidos na campanha pelos ‘Três de Angola’ estão confiantes na liberdade iminente.

O documentário In the Land of the Free (Na Terra da Liberdade, de 2010) registra uma gravação telefônica de Woodfox, na qual ele demonstra sua firmeza: “Se a causa é nobre o suficiente, você pode carregar o peso do mundo sobre seus ombros. E eu acredito que a minha causa, antes e agora, é nobre. Assim, portanto, eles nunca irão me quebrar”.

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