O choro do vibrafone

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Baiano radicado em São Paulo, o percussionista, pesquisador e chorão convicto Ricardo Valverde aprofundou uma pesquisa sobre o vibrafone no choro. Músico que já acompanhou gente como Dominguinhos e Oswaldinho do Acordeon, Ricardo lança seu CD solo, mostrando toda a beleza do choro tocado no vibrafone.

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—   Minha relação com o choro começou desde cedo, porque sou percussionista e comecei tocando pandeiro. Então com 15 anos já frequentava a casa do Luizinho 7 cordas, que é meu padrinho musical — conta Ricardo.

— Passei a admirar todos os chorões e a me aprofundar nesse gênero. Estudei percussão no conservatório da Emesp, antiga ULM, aqui em São Paulo, e no de Tatuí, no interior. Fiz graduação em percussão erudita, na Fadific.

Ricardo já tocou diversas percussões, mas há 10 anos se dedica ao vibrafone.

— É um instrumento de percussão, que surgiu em 1920. Tem teclas de alumínio e a mesma disposição do piano. Toco através de uma técnica que usa quatro baquetas, duas em cada mão.

— Na história do choro já teve a presença do vibrafone, por exemplo, em disco do Jacob do Bandolim, Orlando Silveira. Na década de sessenta aconteceu um auge com a bossa nova, depois ele sumiu — expõe.

— Agora está reaparecendo com vários vibrafonistas, sendo muito utilizado. Mas sempre aprece como acompanhamento. O que estou fazendo é inseri-lo como solista, a frente do choro — define.

Devido ao tamanho do instrumento, Ricardo teve dificuldade em levá-lo para as rodas.

— Tradicional no gênero é aprender tocar nas rodas de choro. Então para essa pesquisa tive que fazer as minhas rodas, porque às vezes nem cabia nos lugares onde elas aconteciam.

— Montei em dois dias fixos da semana, terças e sábados, tocando um repertório de quatro horas. Mas, era um teste do que ficaria bom tocar no vibrafone.

 — Porque algumas coisas são dificultosas, por exemplo, transpor algumas obras do Pixinguinha na flauta para o vibrafone. Esse é o ponto forte dos estudos de choros para o vibrafone. Sempre testando como acompanhar, harmonizar também — acrescenta.

Ricardo diz que isso é uma pesquisa diária, uma descoberta.

— Não tenho muitas referências de choro no vibrafone, enquanto que um bandolinista, por exemplo, só de obras do Jacob, tem bastante coisa para estudar. Acho que sou um dos pioneiros nesse sentido — constata.

— E por conta disso várias pessoas que estão fazendo mestrado me procuram. E dou oficinas em universidade para formação de professores de percussão. É em um universo assim que tenho me aprofundado bastante — diz.

— Tenho insistido nisso, sempre respeitando a tradição. E tem dado certo, os chorões daqui de São Paulo aceitaram, abraçaram a ideia.

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