“Acidentes” matam mais operários em Belo Monte e Jirau

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No último dia 31/5, os corpos dos operários Denivaldo Soares Aguiar, José da Conceição Ferreira e Pedro Henrique dos Santos eram transportados para seus familiares em Araguaína (TO), Santo Antônio do Lopes (MA) e Tucuruí (PA), respectivamente.

Os trabalhadores morreram um dia antes, 30, quando um silo de estocagem de cimento se soltou e caiu sobre os três na área industrial de Belo Monte, no Pará. O silo era composto por tubos com capacidade de até 1.200 toneladas. Além deles, que foram encontrados sem vida após 15h de procuras, outros três trabalhadores ficaram feridos e foram encaminhados ao Hospital de Altamira.

O Consórcio Construtor Belo Monte, responsável por estas e por outras inúmeras mortes de operários nos rotineiros “acidentes” de trabalho, afirmou que se“solidariza com a dor dos familiares e está prestando todo o apoio às famílias’’. Sem tomar providências sérias, ano após ano, as notas públicas de “lamento” do Consórcio seguem se assemelhando umas às outras, porém sem citar a falta de medidas coletivas de proteção, as condições inseguras de serviço, as pressões e humilhações feitas pelos patrões, além da carga extenuante de trabalho.

Poucos dias depois, em 3 de junho, mais dois trabalhadores, desta vez no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia, morreram eletrocutados em um novo “acidente” de trabalho. Os operários realizavam serviços na construção da usina na cidade de Nova Mutum e eram funcionários da Enesa Engenharia.

Segundo a página da Liga Operária, “o grupo francês GDF Suez, majoritário no consórcio Energia Sustentável do Brasil S.A. (ESBR), é o principal culpado por mais essas duas mortes de operários no canteiro de obras da UHE Jirau. A obra é tocada às pressas, com total negligência em relação às condições de trabalho. A terceirização e a quarteirização campeiam”. E prossegue denunciando “o excesso de jornada de trabalho” e “a truculência das chefias”.

“O governo brasileiro, corrompido pela GDF Suez e outras empreiteiras, é cúmplice das mortes e faz vistas grossas a matança de operários nas obras de construção de hidrelétricas e outras obras do PAC”.

As mortes de operários nos canteiros de obras das usinas hidrelétricas Brasil afora já foram denunciadas em diversas ocasiões nas páginas de AND. Para se ter uma idéia, em 2014 reproduzimos trechos do boletim ‘Luta Classista’, lançado no mês de setembro, denunciando “41 operários mortos e 10 desaparecidos nas obras das usinas de Jirau, Santo Antônio e do linhão de transmissão”. “Ressalte-se que essas 41 mortes são as que foram noticiadas. Os operários denunciam a ocorrência de muitos outros casos de acidentes, desaparecimentos, mutilações e mortes que são encobertas nas obras das usinas do Madeira e do linhão”.

Como resposta às tamanhas arbitrariedades, também as revoltas operárias são frequentes, e quase sempre reprimidas a ferro e fogo pelas forças policiais, como é o caso dos “dez operários desaparecidos desde a brutal repressão à greve de abril de 2012” em Jirau, fato também denunciado de forma enfática pelo ‘Luta Classista’.

“Utilização intensa de força de trabalho de operários migrantes aliciados em regiões pobres e distantes, trabalho escravo e trabalho noturno são alguns dos fatores que são a tônica nas obras do PAC do governo Dilma/Lula/PT e que continuam a tirar a vida de operários”, denuncia a Liga Operária em nota no dia 9 de junho sobre as mortes em Belo Monte.

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