Romper com a camisa de força da CUT e preparar a Greve Geral

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Resistência dos professores paranaenses frente ao ataque da PM fascista: cenas que entraram para a história do estado

Os professores das redes estaduais continuam em greve em várias regiões do país exigindo melhores salários, melhores condições de trabalho, valorização da carreira e contra a destruição do ensino público.

Travam batalhas campais, como em Curitiba – PR, em que milhares de professores e outros servidores públicos enfrentaram com coragem as forças de repressão e passaram por cima da direção pelega do sindicato cutista. Os trabalhadores de base se mobilizaram e desenvolveram greves massivas, como as de Santa Catarina e São Paulo.

Mas, apesar da disposição de luta demonstrada pelos professores em todo o país, o que se desenha é a mais vergonhosa capitulação das direções cutistas dos sindicatos, que vão vendendo uma a uma as lutas das categorias em troca de acordos lesivos com os governos e abandonam descaradamente as massas após greves desgastantes de dois, quase três meses, sem ganhos econômicos ou conquistas concretas.

Paraná

No Paraná, milhares de professores e funcionários da rede estadual realizaram duas importantes greves somente neste primeiro semestre de 2015. No dia 25 de abril, milhares de trabalhadoras e trabalhadores, reunidos em assembleia, decidiram pela retomada das paralisações e protagonizaram o cerco da Assembleia Legislativa contra o pacotaço de medidas antipovo da gerência Richa (PSDB) enfrentando a mais brutal repressão.

Mesmo com as manobras da direção do sindicato da categoria (APP), filiado à CUT — que fez de tudo para reduzir a pauta e limitar o tempo da segunda greve, chegando ao desplante de propor que se fizesse greve apenas no período em que o ParanáPrevidência fosse votado —, os trabalhadores de base seguiram se mobilizando. Para evitar uma assembleia massiva, a direção pelega manobrou para que a assembleia da categoria fosse realizada em local fechado e somente tiveram direito a voto os trabalhadores filiados a APP com crachás. Nada disso adiantou. A imensa maioria da base presente se mostrou firme e decidiu pela greve.

Em 9 de junho, em uma assembleia dividida realizada num estádio de futebol que contou com a participação de 10 mil pessoas, foi decidido o encerramento da greve.  Enquanto era feita a votação, ouviam-se gritos de “a greve continua” e “não tem arrego”.  

Santa Catarina

Em Santa Catarina, foram 72 dias de uma greve de resistência, sem medo, em que os professores lutaram bravamente pela garantia de seus direitos, por um ensino público de qualidade e voltado aos interesses das massas populares. A Assembleia Legislativa (Alesc) foi ocupada pelos trabalhadores durante 35 dias. Uma vigorosa demonstração de luta e resistência da categoria.

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Passados mais de 70 dias de greve, a executiva estadual do SINTE-CUT tramou e executou abertamente a sabotagem à luta da categoria levando uma assembleia decisiva para o interior do estado (Chapecó), onde praticamente não havia índice de greve. Os diretores das escolas desta regional liberaram o ponto dos professores que não estavam em greve para ir para votação na assembleia. Professores grevistas denunciaram amplamente na internet que a direção do SINTE levou para a assembleia pessoas que não fazem parte do quadro do magistério para votar pelo fim da greve. Foi o golpe decisivo da direção cutista e da gerência Raimundo Colombo (PSD) — que desde o início se recusou a negociar com os grevistas — para por fim a greve.

Após a suspensão da greve, foi estabelecida mesa de negociações cuja representação dos trabalhadores, de acordo com o estabelecido entre a direção pelega do sindicato e o governo, seria definida pela diretoria executiva do SINTE. Revoltados, os trabalhadores protestaram.

Luiz Carlos Vieira — coordenador estadual do SINTE que foi elogiado por sua “sensatez” pelo secretário de educação do estado de Santa Catarina após a suspensão da greve — foi alvo de copos d’água, socos e empurrões de trabalhadores, que queimaram a bandeira da CUT.

São Paulo

Em São Paulo — no fechamento desse artigo (12/6) —, a greve dos professores da rede estadual terminava após 85 dias. Foi a greve mais duradoura da categoria, superando a de 1989, cuja duração foi de 82 dias.

Os professores da rede estadual enfrentaram a intransigência da gerência Geraldo Alckimin (PSDB), que disse “não existir greve” e, quando a admitiu, disse que ela não tinha “sentido”. No mês de junho, mais uma vez, os grevistas sofreram o criminoso corte nos seus salários. 

Em 3 de junho, durante assembleia, a separação entre dois campos que já vinha se acentuando desde a deflagração da greve em 13 de março ficou ainda mais acentuada. Foram necessárias duas rodadas de votação sobre a continuidade do movimento grevista.

Um grupo de professores protestava próximo ao carro de som do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de  São Paulo (Apeoesp), filiado à CUT, e denunciava as manobras da direção cutista para pôr fim a greve. O Apeoesp postou bate-paus próximo ao carro de som e houve enfrentamento entre os “seguranças” dos pelegos e professores independentes.

Nesse mesmo dia, uma das barracas do acampamento que os professores montaram em frente à Secretaria de Estado da Educação pegou fogo e o responsável pelo incêndio não foi identificado.

Minas Gerais     

Em Minas Gerais, a direção estadual do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE / MG), filiado à CUT — que, historicamente, nos mandatos do PSDB no estado, manobrava as greves fazendo o jogo eleitoral do PT para “desgastar o governo”, conduzindo greves que se arrastavam meses a fio sem ganhos econômicos para a categoria —, com a vitória eleitoral de Pimentel (PT) sequer tentou disfarçar a traição. Fez mobilizações para inglês ver para logo fechar um acordo lesivo aos trabalhadores discursando como se tratasse de ganhos.

Conforme o acordo assinado pelo Sind-UTE/MG e o governo, os professores da rede estadual de Minas não receberão de imediato o piso salarial nacional, como foi prometido durante a campanha eleitoral, mas um “abono” de R$ 190 que será incorporado em agosto de 2017.

Greve Geral

A generalização da luta dos professores coloca o problema de uma unificação imediata dessas lutas em uma greve nacional da educação. Para dar consequência, é necessário que os professores, funcionários, estudantes e pais de alunos se organizem para derrotar não só os ataques dos governos, mas, ao mesmo tempo, é preciso desmascarar e varrer a direção oportunista da CUT — encastelada na direção da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) e das demais centrais sindicais governistas.

A luta classista e combativa é o único caminho para as classes trabalhadoras conquistarem seus direitos e reivindicações. Somando suas lutas às mobilizações e protestos populares que explodem em todo o país, no campo e na cidade, num crescente movimento nacional pela preparação e deflagração da Greve Geral por tempo indeterminado, os trabalhadores em educação e de todas as categorias em luta darão enfrentamento superior ao arrocho salarial, à carestia de vida, às péssimas condições de trabalho, etc., e criarão condições para derrotar os pacotaços antipovo das gerências de turno do velho Estado.

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