SP: expulsão de milhares de moradores em Osasco

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Barracos pegando fogo

Após dois anos de muita luta e combatividade, a batalha pela ocupação Nelson Mandela, localizada na Zona Norte de Osasco - SP, foi perdida, no dia 09 de junho, após um terrível jogo político e de oportunismo partidário. Com o objetivo de entregar o terreno de cerca de 200 mil m² onde residia cerca de 15 mil pessoas para as mãos da empresa Dias Martins S.A. Mercantil e Industrial — visando a construção de condomínio particular e um suposto aterro sanitário —, foi montada uma megaoperação onde claramente estavam acordados o prefeito Jorge Lapas (PT), as forças de repressão do velho Estado, o grande monopólio da imprensa burguesa e a empresa.

Odílio, morador do Mandela que vive com a esposa e o filho Maicon de dois anos, um garoto que possui necessidades especiais e que precisa de cuidados constantes, parou em meio a correria e nos deu seu depoimento:

“Eles estão expulsando a gente pior do que lixo. O lixo para eles é mais importante. Eles preferem construir um lixão do que olhar para um ser humano.”

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Em desespero, morador se ajoelha com a bíblia na mão

O que foi expresso por ele, representa grande parte do sentimento dos moradores e evidencia o avanço brutal do capital sobre a luta por moradia. E o golpe novamente foi desleal, como conversado com lideranças da comunidade. Até as 16h horas do dia anterior, havia a esperança de que a reintegração estava barrada. Porém, às 20h, horário em que estava ocorrendo uma assembleia dos moradores, houve a confirmação de que a reintegração iria ocorrer na manhã seguinte, às 6h. A madrugada foi agitada. Moradores corriam para conseguir retirar o máximo de pertences possíveis, conseguir carretos e encontrar um local para ficar.

Quando o sol começou a nascer atrás do pico do Jaraguá, já se podia ter a dimensão do que estava sendo montado. Helicópteros extremamente pontuais pairavam sobre a ocupação e a Tropa de Choque da PM se movimentava em cada entrada do Mandela realizando um afunilamento. Em alguns setores, moradores indignados com a situação ateavam fogo para impedir o avanço da polícia. O contingente era enorme. Diversos batalhões e forças estavam mobilizados em conjunto para reprimir qualquer tentativa de resistência. Cavalaria, Rocam, Tropa de choque, Força Tática, Canil, Polícia Ambiental, GCM e até mesmo a Rota estavam posicionados. A imprensa burguesa também estava presente em peso, porém de longe, com seus helicópteros ou nas ruas aos redores da comunidade. Haviam moradores ainda retirando seus pertences, quando engenheiros já circulavam no local analisando o terreno.

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A queda do Nelson Mandela, uma grande comunidade extremamente organizada, aponta que, mais do que nunca, o capital irá avançar violentamente sobre a luta por moradia na necessidade de manter seus lucros, principalmente em tempos de crise. Esse triste episódio demonstra que os gerentes de turno  — de quaisquer que sejam as siglas do Partido Único do velho Estado burguês  e latifundiário — irão se colocar de prontidão com todo o seu aparato de repressão, como de praxis, a serviço do capital. Cabe ao povo e todas as forças verdadeiramente progressistas denunciar esses desmandos, se organizar cada vez mais para resistir e romper com as ilusões eleitoreiras, que tanto atrasam a luta popular por dignidade.

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