Os partidos eleitoreiros e o mensalão partidário

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"É preciso aprender a distinguir o homem que entregou aos bandidos sua bolsa e suas armas para diminuir o mal causado por eles e facilitar na sua captura e execução, daquele que dá aos bandidos sua bolsa e suas armas para participar da divisão do saque."

V. I. LeninQuais foram os inimigos que o bolchevismo enfrentou

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Nos últimos dias, assistimos ao entrevero criado no nosso Congresso “Nacional”, em função de um engodo vendido pelo governo e propagandeado por seus cabos eleitorais, a famigerada “Reforma Política”. Essa que tem sido a pedra angular das campanhas eleitorais de A a Z, tida como “prioridade”, tanto nos governos de fato, quanto nos governos idílicos que vivem na cabeça de professores universitários e intelectuais pequeno-burgueses “de esquerda”; mas que não passa de um arremedo de parágrafos que objetiva dizer qual vai ser a nova forma de espoliação das massas a ser aplicada pelo gerenciamento do velho Estado semicolonial e semifeudal brasileiro. 

A cada vez que os sabujos dos oportunistas eleitoreiros demonstram confiar plenamente na capacidade e boa-vontade dos atuais saqueadores do povo em conduzir a nação para dias melhores (ou “menos piores”, como preferirem), ainda nos surpreendemos um pouco mais. O que nos mostra que é mais do que válida a máxima de que não se deve nunca menosprezar a capacidade de traição e covardia de certos setores de dentro do movimento operário em defenderem sem o menor pudor a agenda da direita descarada, do liberalismo econômico, sob a cor vermelha e o falatório social.

Dentre várias “possibilidades de avanço” vendidas com a publicidade reformista mais desavergonhada possível (como se esse velho sistema fosse caso de reforma e não de se construir um novo), nenhuma emplacou. Sob a batuta do que existe de mais podre e reacionário dentro do sistema, de figuras desprezíveis como a de Eduardo Cunha, é possível que consigam ainda, para a alegria de PT-pecedobê, expelir “um retrocesso nunca antes visto”.

Uma delas, que gerou o reboliço na “Frente de Esquerda”, foi o aumento das cláusulas de barreira, apoiado pela pequena-burguesia social-liberal do PSOL, para acesso ao Fundo Partidário (leia-se, o “eleitoralduto” que enche os bolsos dos donos de siglas partidárias); que permitirá receber a mesada do governo só aqueles que têm candidatos eleitos na Câmara ou Senado. Um golpe claro nos considerados nanicos, ou seja, aqueles setores trotsksitas sucursais do PT (PCO), da CIA e do imperialismo (PSTU), e dos frankensteins revisionistas, o PCBrasileiro e o PPL. Tudo isso, enquanto a verba total do Fundo Partidário triplica, capaz de transformar o que tem sido um circo num verdadeiro parque temático do oportunismo eleitoreiro e do cretinismo parlamentar.

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Interessante é notar o tom de crítica “marxista”, que alguns quadros do PCBrasileiro, por exemplo, resolveram fazer agora ao PSOL. Agora, e somente agora, o PSOL virou sigla partidária oportunista, e “só agora”, que colabora para que os outros não recebam o mensalão partidário, ele se torna um aliado da política burguesa.

Lembramos ao PCBrasileiro, que é também oportunista aquele que vela suas críticas em nome de simpatia e que as revela somente quando já não tem outros interesses por trás da relação interesses financeiros, diga-se de passagem. Por isso evocamos Lenin ao início do artigo, exatamente do mesmo livro em que o PCBrasileiro adora se inspirar, porém sem lembrar que Lenin, sim, era um verdadeiro comunista e não um mero acadêmico e o partido bolchevique, sim, um verdadeiro Partido Comunista e não uma sigla eleitoreira.

As siglas eleitoreiras, particularmente durante o circo eleitoral, despejaram sobre nós da Unidade Vermelha e a outras organizações de cunho revolucionário, os mais vis ataques, por termos entendido a necessidade do boicote como instrumento para elevar a politização das massas para a causa revolucionária. Compreensível, já que contribuímos para que as porcentagens de votos destes tenham sido ainda mais ridículas. Diziam reconhecer a luta parlamentar apenas como “uma das frentes”, porém é precisamente nessa que pautaram toda sua política, ou seja, em construir um zumbi que batizaram “Frente de Esquerda”, com o único e exclusivo objetivo de elegerem “parlamentares de esquerda”, sem sequer considerar e deixar claro que de um lado existe um antro de política burguesa no melhor estilo “juventude do PT”, como é o caso do PSOL, e, do outro, uma frente reacionária, pró-   imperialista, que persegue e violenta jovens revolucionários e que dirige uma das maiores frentes pelegas e oportunistas no movimento sindical, que e o PSTU.

Ainda ressoa a dúvida colocada pelo bravo companheiro militante do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) e preso político do Estado, Igor Mendes, quando num debate na UERJ, desafiou os pelegos do PSTU a removerem o Boletim de Ocorrência feito na Polícia Civil contra militantes da Frente Independente Popular do Rio (FIP-RJ); e da mesma forma confrontou o PCBrasileiro sobre qual o princípio tático revolucionário da aliança do PCBrasileiro com essa gente, já que havia um representante da sigla ali mesmo afirmado que “também concordavam que a eleição era uma farsa” (ainda que nada sobre isso se visse em seus programas eleitoreiros). Pelo contrário, ainda fizeram campanha para candidatos do PSTU e do PSOL sempre que puderam, enquanto, raramente e timidamente, levantavam a bandeira pela liberdade dos presos políticos.

Ou seja, é no mínimo risível o cinismo do PCBrasileiro de tentar vender uma prática leninista em suas espúrias relações e campanhas com a burguesia e o imperialismo como tem sido em sua trajetória, desde os anos 60, quando o revisionismo tomou conta.

É importante ressaltar também que existe mais do que apenas um “aproveitamento” do dinheiro do Estado burguês e latifundiário, mas uma clara dependência do Fundo Partidario*, com consequente submissão política e até mesmo corrupção destas siglas com o dinheiro estatal. Confirmando-    se a justeza do termo “mensalão partidário”, já que não há outra intenção por parte do Estado em ceder esse dinheiro, que não subornar as siglas a jogarem  seu jogo.

Os lamentos da falida e natimorta “Frente de Esquerda”, então, não são mais que o lamento de uma criança que tem a mesada cortada pelo pai.

*Em que pese as fontes alternativas de dinheiro advindo de sindicatos, DCE’s e de organizações internacionais, das quais o PCBrasileiro não dispõe.   

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