É grave a situação do povo grego

“Líderes europeus aplaudem novas medidas de consolidação orçamentária apresentadas pela Grécia”, dizia com destaque o site do jornal Público, de Portugal, em 22 de junho, sob a manchete “Grécia faz concessões à austeridade e abre hipótese de acordo esta semana”.

De fato, no início daquela semana, tudo indicava para a costura do tal “acordo” entre os representantes do grande capital europeu e o gerenciamento grego, mais um acordo lesa-povo que, à custa dele e do que lhe pertence, garantiria a liberação de mais dinheiro de “resgate” ao Estado grego e a permanência da Grécia na Zona do Euro. Isso adiaria o início do esfacelamento político da União Europeia — conta que a crise geral vai cobrar mais cedo ou mais tarde — e, de quebra, amarraria juridicamente a Grécia a pelo menos mais dez anos de arrocho e desmonte do patrimônio público.

O “primeiro-ministro” da “esquerda radical e anti-austeridade” Alexis Tsipras nada fez nos últimos seis meses, desde que assumiu o gerenciamento do Estado grego, além de “concessões” à austeridade. De tantas em tantas, que ele, o arrocho, perpetua-se, como fosse a direita mais assumida a gerenciá-lo para o grande capital europeu, salvo uma maquiagem aqui, um jogo duro ali, para “garantir a esperança do povo grego”. Esperança esta que, nas palavras do ministro das Finanças do Syriza, Yanis Varoufakis, “não podemos dar-nos ao luxo de desbaratar”. Entre o que Tsipras ofereceu pessoalmente a Angela Merkel, Christine Lagarde e camarilha está nada menos do que um programa de privatizações de longos dez anos de duração.

Naquela mais nova e grande rodada de “concessões” oferecidas à Troika (FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) constam cortes de gastos da ordem de 2,6 bilhões de euros em 2015 e de 5,2 bilhões de euros em 2016; aumento do imposto sobre consumo para vários produtos e serviços; adoção de cortes orçamentários automáticos sujeitos a metas de ajuste fiscal; contrarreformas na administração pública, reduzindo-lhe os custos não-salariais (ou seja, depredando o que restou de serviço publico de qualidade); liberalização de vários mercados de produtos e serviços, como a construção; mais uma contrarreforma da previdência, prevendo “poupar” com pensões 1,8 bilhão de euros em 2016 e com elevação gradativa em até oito anos da idade mínima para se aposentar; e, nas palavras textuais de Varoufakis, “uma extensa agenda de privatizações abrangendo o período entre 2015 e 2025”.

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