Tentativa de despejo contra 8 mil famílias em Belo Horizonte (MG)

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“Resiste Izidoro”

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Barricada montada contra tentativa de desocupação em 2013

Na manhã do dia 19 de junho, milhares de moradores das comunidades Rosa Leão, Vitória e Esperança, localizadas na região da Mata do Izidoro (Granja Wernek), bloquearam a rodovia MG-010 em protesto contra o anunciado despejo das 8 mil famílias que vivem há anos nessa área.

Na madrugada anterior ao protesto, os moradores, em alerta, já se revezavam em vigília nos acampamentos. A manifestação contra o anúncio do despejo — ordenado em comum acordo entre as gerências Pimentel (PT), Marcio Lacerda e Carlos Calixto (PSB de Santa Luzia) — foi brutalmente reprimida pela Polícia Militar.

Segundo denunciaram as famílias, mais de 100 pessoas foram feridas pelos disparos de balas de borracha, bombas, spray de pimenta e golpes de cassetete. Pelo menos vinte pessoas foram presas.

Em dado momento da manifestação, as famílias suspeitaram que uma criança, atingida pelos tiros dos policiais, teria sido morta. Gritos de dor e revolta. Em resposta contra a violência policial, manifestantes incendiaram um ônibus em uma rua próxima.

Tiros e bombas partiram de um helicóptero que fazia vôos rasantes buscando dispersar as pessoas, que se protegiam e gritavam palavras de ordem.

A manifestação prosseguiu durante várias horas e sua repercussão foi grande. As famílias têm apoio popular e, assim que foi anunciado o despejo contra as comunidades, estudantes e trabalhadores se mobilizaram e desenvolveram amplo movimento de denúncia e solidariedade.

Após o protesto, ocorreu uma reunião entre representantes das comunidades, o governo e a Defensoria Pública, cujo resultado foi a suspensão, por pelo menos mais quinze dias, da reintegração de posse.

As famílias do Izidoro seguem organizadas, decididas a resistir e lutar pelo direito à moradia pelas suas justas reivindicações.

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Falsa “urbanização” e especulação

A construção da “Cidade Administrativa” (sede da gerência estadual de Minas Gerais), as obras da Linha Verde e a transformação do aeroporto de Confins em “terminal industrial” converteram a região onde está situada a Mata do Izidoro no alvo da cobiça da especulação imobiliária na região metropolitana de Belo Horizonte.

Pelo menos um terço da grande área, que compreende uma das últimas reservas verdes da capital, estava dentro dos planos para a construção de prédios, residências de luxo e setor comercial. Tudo isso, segundo os moradores, já acordado com empreiteiras. “Um plano para impedir a ocupação daquelas terras por famílias trabalhadoras”, denunciam.

O grande déficit habitacional da capital e da região metropolitana, os baixos salários, o desemprego, os altos aluguéis e impostos obrigam milhares de famílias, cada dia mais, a se organizarem nos movimentos de ocupações urbanas para lutar. E essa é a situação das mais de oito mil famílias que vivem e lutam nas comunidades Rosa Leão, Vitória e Esperança.

Com a ocupação, e tendo frustrado o plano de construção de um bairro de luxo, os especuladores e empreiteiras passaram a negociar os terrenos com o governo federal para obras do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’. E, servindo-se da lógica de jogar povo contra povo, desataram uma vil campanha de criminalização das ocupações, tentando jogar os futuros beneficiários do programa contra os moradores, que estariam representando um “risco para seu futuro”.

É contra todas essas adversidades, ameaças, repressão policial, tentativas de despejo e sanha dos governos, especuladores e empreiteiras que resistem as famílias do Izidoro.

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