RJ: Eduardo Paes ataca moradores da Vila Autódromo

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Momento de um dos ataques da Guarda Municipal contra moradores da Vila Autódromo

No dia 3 de junho, sem nenhuma autorização da justiça, agentes do Grupamento de Operações Especiais da Guarda Municipal foram até a Vila Autódromo, Zona Oeste do Rio de Janeiro, com o objetivo de abrir caminho, na marra, para a construção do Parque Olímpico — obra faraônica que está sendo empreendida ao lado da comunidade. Na ação, várias pessoas ficaram feridas, incluindo mulheres e idosos, muitas intoxicadas pelo gás lacrimogêneo e outras com escoriações causadas por golpes de cassetetes. Mesmo com toda a violência, a corajosa resistência dos moradores conseguiu barrar, mesmo que provisoriamente, a ação criminosa desse Estado em decomposição.

Nos quase dez anos em que está sob a mira dos tratores da prefeitura, a luta dos moradores da região obteve repercussão internacional e um nível de organização em conjunto com a sociedade e muitos de seus ativistas e intelectuais progressistas. Desde 2006, o atual gerente municipal do Rio, Eduardo Paes, declarou guerra à Vila Autódromo, forjando inúmeros argumentos para o despejo das famílias. Mas a sua ação sempre esbarrou na organização e mobilização dos moradores e seus inúmeros apoiadores, ativistas das favelas e do asfalto, engenheiros, arquitetos, advogados, jornalistas, todo tipo de gente que, após anos de luta, fizeram da Vila Autódromo e seus habitantes um dos símbolos da resistência às remoções de bairros pobres e favelas e à gentrificação em todo o Brasil.

Nessa mais recente investida da prefeitura, vários moradores ficaram feridos. Uma das pessoas atacadas na ação chama-se Maria da Penha Macena, uma folclórica liderança da resistência da Vila Autódromo que tem 50 anos, 22 deles vividos no local. Ela recebeu um golpe de cassetete no nariz, foi hospitalizada e teve que ser submetida a uma cirurgia.

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Eles chegaram aqui às nove da manhã e não queriam diálogo. Disseram que todo mundo ia ter que sair. Eles tiraram uma família de casa a força e começaram a derrubar uma casa — diz Maria da Penha se referindo à casa do motorista Ocimar da Silva Miranda, de 46 anos, que vive no local com a mulher, Melry Nascimento Brito, de 37 anos, duas filhas de 3 e 6 anos, além do pai, idoso, em um imóvel de cerca de 60 metros quadrados.

Eles disseram que ainda demoliriam a casa de outras quatro famílias. Nós dialogamos durante horas, pedimos uma semana para que as famílias ao menos pudessem organizar a mudança, mas não houve acordo. Nós dissemos que não permitiríamos aquela covardia. Fizemos um cordão humano e o padre colocou seu carro entre nós e a Guarda Municipal. Quando eles viram que não iam conseguir passar, começaram a bater na gente e atirar bombas. Eu fui uma das primeiras a ser atingida. Levei um golpe de cassetete na cara que quebrou o meu nariz. Depois disso eu não vi mais nada — conta Dona Penha.

Eu estou revoltado, não me sinto um brasileiro. Um país tão rico como o nosso e as pessoas atacando o pouco que os pobres têm? Quando é que esse país e os seus governantes vão tomar vergonha na cara? Esses brutamontes [GOE-GM] não têm coração. Eles são treinados para não lhe ouvir — diz o presidente da Associação de Moradores da Vila Autódromo, Altair Guimarães.

Durante o dia, enquanto a prefeitura fazia seu trabalho sujo na Vila, defensores públicos conseguiram o deferimento de uma liminar que impede a ação dos tratores de Eduardo Paes e seus cães de guarda contra as 150 famílias que resistem. Muitos moradores cederam à pressão do procurador do município, Marcelo Silva Marques, e seus agentes, escalados por Eduardo Paes para coagir a população. O que oferecem os canastrões? Apartamentos no Parque Carioca, um conjunto habitacional construído nas proximidades da Vila Autódromo. Nascida no local, Letícia Silva Alves, de 26 anos, aceitou a oferta, porém, depois de alguns meses vivendo no local, diz-se insatisfeita com o apartamento oferecido pela prefeitura.

A obra é toda malfeita. Está caindo reboco no banheiro, está abrindo um buraco. No piso da cozinha está entrando água, estufou; e nos ralos entupidos, volta tudo, arroz, feijão; se fechar, a água sobe e faz um chafariz na pia — queixa-se Letícia.

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