Editorial - Luiz Inácio se apresenta ao imperialismo como última saída

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A popularidade da atual gerência do velho Estado semifeudal e semicolonial brasileiro, nas mãos do oportunismo eleitoreiro de PT/pecedobê/et caterva, avança a passos largos para o fundo do poço já atingido pelas siglas que o compõem, como comprovado pelo recente V congresso petista, na verdade um chamado à defesa do governo de setores internos insatisfeitos e iludidos com uma suposta democracia interna.

Por sua vez, Luiz Inácio intensifica sua campanha eleitoral antecipada para retornar ao gerenciamento do velho Estado, manobrando freneticamente para coagular algum apoio, unindo os farrapos do oportunismo eleitoreiro das mais variadas siglas, inclusive de “oposição”.

Em comum, o apelo chantagista de conter uma tal “onda conservadora” e críticas adocicadas à política econômica recessiva de Dilma Rousseff. Essa pretensa “frente de esquerda” agora já tem até nome: Grupo Brasil, e se prepara para mostrar a cara publicamente.

O desafio é ainda maior porque o PT foi queimando seus filhos, como PSTU e PSOL, e também não pode se apresentar como um Podemos ou um Siryza da vida, já que não tem nem cara nem roupa nova. Ademais, há Marina e outros espertalhões sempre a postos para se capitalizarem com o inevitável aprofundamento da crise.

Se comportando assim, Luiz Inácio trata de tentar separar o criador da criatura. Recentemente, após ser divulgada pesquisa revelando mais de 60% de reprovação da gerência petista, Luiz Inácio cometeu discurso milimetricamente planejado num evento promovido pelo Instituto Lula para tratar, vejam só, dos “novos desafios da democracia”. Na verdade, suas palavras são mais um recado para o imperialismo e foram proferidas ao lado do ex-primeiro ministro da Espanha, Felipe Gonzáles (PSOE), o “príncipe” da social-democracia europeia.

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A ideia é apelar indiretamente ao imperialismo para que refreie os ataques dos monopólios antes que ele, Luiz Inácio, fique exposto irreversivelmente, o que agravaria seriamente a situação política, algo que poderia sair do controle do imperialismo e das classes dominantes locais.

Luiz Inácio afirmou, e ganhou ampla publicidade, que o PT está “velho” e precisa de “uma revolução interna”, e que seus militantes só pensam em cargos. “Fico pensando se não está na hora de fazer uma revolução neste partido e ter lideranças mais jovens, ousadas, com mais coragem”, disse a certa altura.

Não é de surpreender que o operário padrão do FMI tente uma retórica “saída pela esquerda” para se manter como figura de proa do oportunismo eleitoreiro. Ele já fez isso outras vezes, sempre que confrontado, principalmente, como serviçal do imperialismo, da grande burguesia e do latifúndio. Faz isso para, ao atacar o PT, livrar-se de ataques “de fora” ou dos verdadeiros revolucionários.

Além disso, nada há de novo nessa arenga. Desde 1980 que se repetem essas mesmas bobagens para atacar o socialismo, que para eles é “coisa velha”. O novo, está se vendo, é o praticado nesses quase 13 anos de gerência petista. E se a retórica soa “à esquerda”, tudo em seu discurso é calculado para agradar toda a direita e o imperialismo. Como já afirmamos em editoriais anteriores, foi o PT quem ressuscitou a múmia PSDB e a direita recalcitrante.

Ademais, o senhor Luiz Inácio não ignora ser ele o responsável e padrinho não só de Dilma, mas também de todas as políticas praticadas pela atual gerência, meras continuações das suas próprias políticas, caracterizadas pela subjugação nacional em todos os setores.

E as medidas tomadas pelo gerenciamento petista no intuito de se salvar, como a recente nomeação de Patrus Ananias para um “plano nacional de reforma agrária”, são totalmente limitadas, justamente pela força que deram e seguem dando ao latifúndio. São completamente dependentes do chamado “agronegócio”, já que este foi promovido a sustentáculo da economia do país.

Aos oportunistas só resta mesmo isso para prosseguirem no gerenciamento do velho Estado e em seus carguinhos, enquanto arrojam a população na precarização do trabalho, na carestia e na miséria.

Os verdadeiros democratas e revolucionários, por sua vez, enquanto lutam pela independência do país, pela destruição do latifúndio e da grande burguesia, não podem abrir mão da luta por desmascarar e aprofundar ainda mais a crise do oportunismo eleitoreiro.

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