Redução da maioridade: prata ou chumbo

A- A A+

"Não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado

Karl Marx - O 18 Brumário de Luis Bonaparte

http://www.anovademocracia.com.br/154/08.jpg

O que impede que a discussão da maioridade penal entre em sintonia com os anseios das classes trabalhadoras e oprimidas do país é a falta de bases reais das ideias colocadas pelas frações que se batem no Congresso e na política institucional.

De um lado, o oportunismo chefiado pela gerência de Dilma-PT-pecedobê, que igualmente compartilha do ódio ao povo de seus supostos “adversários”, mas que se diferencia apenas por fazer o papel de sentar o pelego no lombo do povo para que o patrão (latifundiários e o imperialismo ianque, principalmente) monte com conforto; querendo empurrar a ideia da “melhoria do sistema”, através de “políticas institucionais”, “investimentos em educação” que não questionam o status-quo, ou “programas sociais” que nada mais são do que patranhas entre Estado e grandes empresas que, quando não ajudam em nada a vida do povo, ainda pioram-na (vide “UPPs”). Tudo isso vendido com discurso oportunista, de estelionato eleitoral, da politicagem e do cretinismo parlamentar. Na prática, contribuem ainda mais com seus “adversários” no Congresso, quando criam o vácuo de soluções para os anseios das massas, captados pelos fascistas declarados, criando para eles o pretexto que precisam para ganhar apelo com as massas.

Do outro, o mencionado reacionarismo descarado, o fascismo desavergonhado, o sadismo vil, a face mais podre do nosso sistema, que, enquanto baba sangue e exibe cifras nos olhos, quer literalmente moer o povo e converter seu sangue no óleo de azeitar a máquina de fazer dinheiro, através de ideias como as da privatização dos presídios (para a transformação do sistema prisional em comércio), da privatização da segurança pública (convertendo mafiosos e milicianos em “agentes da lei”) e, finalmente, a venda de jornais sensacionalistas, em horário nobre da TV, com chamadas apelativas para o “combate à violência” (que é, na verdade, o genocídio principalmente da juventude do povo pobre e preto).

Enumeremos então quais são os pontos argumentativos de ambos grupos (que pertencem a um mesmo lado, que fique claro).

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Do lado da gerência oportunista do Estado, temos: A) a negação da violência e da justa revolta do povo. B) negam o direito do povo à autodefesa, com discurso pacifista — estranho às massas, que já sofrem com violência diária. C) propõem soluções idealistas, tais como injetar mais dinheiro no falido sistema público, com “investimentos” na educação (sem se questionar a lógica em que opera o sistema, completamente corrupto e antipopular), ou então, injeção de dinheiro no desumano e genocida (não por falta de dinheiro, mas pelo caráter burguês-latifundiário do Estado) sistema carcerário e “investimentos” em “programas sociais”, que são patranhas entre o Estado, bancos e empreiteiras, onde o povo só recebe os farelos.

Do lado dos fascistas, temos a verborragia justiceira e o moralismo medieval, que tentam a todo custo surfar no vácuo político deixado pela linha oportunista e assim utilizam-se de: A) atiçar a (justa!) rebeldia das massas e convertê-la em sede de sangue e vingança, apontando para elas a saída simples do “bandido bom é bandido morto”, mascarando, assim, os problemas de classe que a sociedade enfrenta. B) apontar para reformas que criarão novos mercados para se explorar (presídios privados, segurança privada e “legalização” de milícias), que farão com que as classes exploradas paguem com mais sangue ou com dinheiro pelas injustiças sociais.

Vale lembrar que os dois “modelos”, tal como vendidos a nós durante o circo eleitoral, não são de forma alguma antagônicos, ou seja, não se anulam, mas sim, complementam-se.

É inevitável, então, a comparação do modo como atuam esses Srs. nobres parlamentares e politiqueiros, com o modo de atuação do internacionalmente conhecido megatraficante Pablo Escobar, que tinha como sua “política” o lema “plata o plomo” que, traduzindo para o português, significa “prata (dinheiro) ou chumbo (bala)”. É também o método de atuação de muitas máfias e milícias reacionárias espalhadas no mundo, que impõem a cobrança ou sujeição de valores ao povo, para supostamente defenderem-nos da violência (que os próprios criminosos impõem). Sendo a outra opção pela não aceitação do suborno ou do pagamento da “proteção”, o pagamento com sua vida. Hoje, o que o Estado nos impõe é isso: ou se paga em dinheiro pela segurança, ou, quem não tem dinheiro, paga com a vida.

Qual a saída? O jornal A Nova Democracia e nós, da Unidade Vermelha, temos afirmado e reafirmado que o Brasil precisa de uma Grande Revolução que, além de varrer a velha política do país, dará ao povo a legitimidade para julgar e condenar, se assim for necessário, os seus próprios desvios e crimes, sob sua própria moral e sua própria Justiça, sem que sejam arremedos de lei que sempre pesarão para os mais pobres. Dizemos que é necessário que o povo lute em todos seus espaços, desde o campo até as cidades, nos bairros, favelas, comunidades, etc., para o seu direito à autodefesa, tanto dos agentes repressivos do Estado, quanto dos produtos da violência gerados por ele — como tráfico, milícias e criminosos em geral que atentam contra o povo, inclusive e principalmente, aqueles criminosos encobertos hoje pela sua fortuna ou condição social.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Matheus Magioli Cossa

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Matheus Magioli Cossa
Ana Lúcia Nunes
Matheus Magioli
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira