Grécia: novas medidas leso-povo aprofundam arrocho

A- A A+

Pouco antes do fechamento desta edição de AND, na madrugada do dia 22 para o dia 23 de julho, o gerenciamento grego encabeçado por Alexis Tsipras aprovou no parlamento do seu país, com os votos da “esquerda” e da direita, e na calada da noite, mais uma parte de mais uma rodada de medidas antipovo requisitadas pela Europa do capital monopolista. Os deputados gregos fizeram passar, por 230 votos a favor e 64 contra, a “reforma” do sistema de Justiça Civil, a fim de “torná-lo mais eficiente e para reduzir gastos”, bem como uma “reforma” do setor financeiro.

http://www.anovademocracia.com.br/155/18.jpg
Ruas de Atenas: palcos da fúria popular do povo grego

A aprovação chegou a render um elogio por bom comportamento dirigido aos sabujos do Syriza por parte de uma porta-voz da Comissão Europeia, Mina Andreeva:

“A primeira avaliação da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI é que as autoridades gregas começaram a aplicar a segunda parte das medidas no tempo e de forma satisfatória.”

Naquela altura, nem bem se completavam 15 dias desde outra famigerada madrugada, a do dia 12 para o dia 13 de julho, quando a “extrema esquerda”, que se viabilizou como alternativa para gerenciar o draconiano arrocho capitalista na Grécia, subscreveu um “acordo” para estender indefinidamente a “austeridade” o “terceiro resgate” desde 2010, ou seja, o terceiro nó dado no laço da forca instalada na Grécia, tornado possível graças ao primeiro e ao segundo e que permitirá o quarto e o quinto, senão o sexto e os enésimos a seguir, pelos anos vindouros.

Entre aquela madrugada e a outra, entretanto, o parlamento grego, conforme ordens da Alemanha e da França, havia aprovado no dia 16 de julho quatro das mais impiedosas novas medidas de “austeridade”, quatro dentre 14 exigências feitas por Berlim e Paris como condições inegociáveis para que se começasse a costura do “terceiro resgate”. Foram elas, segundo a semântica e o léxico repletos de eufemismos comumente usados para maquiar crimes de lesa-pátria: ajuste do imposto ao consumidor e ampliação da base de contribuintes para aumentar a arrecadação do Estado; reformas múltiplas no sistema de aposentadorias e pensões para torná-lo financeiramente viável; privatização do setor elétrico, a menos que se encontrassem medidas alternativas com o mesmo efeito; e criação de leis que assegurassem cortes de gastos quase que automáticos se o governo não cumprir com suas metas de superávit fiscal.

Em suma, e traduzindo: aumento dos impostos que incidem sobre os consumos de primeira necessidade da população, como alimentos e transportes; dificuldades infinitas para que um grego consiga se aposentar e depreciação do valor das aposentadorias; privatização ou privatização que possa ser chamada por outro nome (talvez “concessão”); e grilhões jurídicos que acorrentem as decisões político-econômicas tomadas no âmbito do Estado grego a uma espécie de primazia institucional de um arrocho que parece não ter fim.

Além destas, constam ainda entre as 14 exigências feitas pelos manda-chuvas da Zona do Euro e aceitas por Alexis Tsipras: “pedir ajuda contínua ao Fundo Monetário Internacional”; contrarreforma das leis trabalhistas, incluindo a “revisão” de acordos coletivos pregressos; “aumentar de forma importante o sistema de privatizações, com a transferência de 50 bilhões de euros em ativos gregos para fundos independentes com sede na Grécia”; permitir que a Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI) volte a Atenas, e que a ela sejam submetidas todas as “reformas do governo” antes de serem apreciadas pelo parlamento; e “voltar a examinar, e se for o caso mudar, as leis aprovadas nos últimos seis meses que podem ter levado ao retrocesso dos programas de resgate anteriores”.

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Tel.: (11) 3104-8537

Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

EXPEDIENTE

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda 
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond 
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja

A imprensa democrática e popular depende do seu apoio

Leia, divulgue e conheça. Deixe seu nome e e-mail para se manter informado
Please wait