A atualidade da Heroica Resistência Camponesa de Corumbiara

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Há 20 anos, em 14 de Julho de 1995, 600 famílias tomaram as terras da fazenda Santa Elina, montando grande acampamento.

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Tomada da Fazenda Santa Elina em 1995

“Nem que a coisa engrossa, essa terra é nossa!”. Esta palavra de ordem era demonstração da firme decisão daquelas famílias que, como grande parte dos camponeses de Rondônia, representam a mescla do campesinato brasileiro: são gaúchos, paranaenses, paulistas, capixabas, nordestinos, mineiros, etc., que migraram para aquelas terras e terminaram se encontrando por meio da luta naquela porção da Amazônia Oriental.

A notícia da tomada da fazenda se espalhou rapidamente por toda a região, animando os camponeses, aterrorizando e enchendo de ódio os latifundiários e políticos locais.

O latifundiário Antenor Duarte organizou outros grandes fazendeiros vizinhos da fazenda Santa Elina, contratou e armou pistoleiros e, em conjunto com a Polícia Militar e a mando do governador de então, Valdir Raupp, atacou o acampamento na madrugada de 9 de Agosto de 1995.

O ataque covarde do latifúndio e da polícia ocorreu de madrugada. Mas os camponeses estavam vigilantes e preparados para a resistência. Dado o alarme, valentes homens e mulheres resistiram com heroísmo com paus, pedras, foices e suas armas de caça. Resistiram ao máximo, até que, devido a superioridade bélica dos inimigos, o acampamento foi tomado de assalto pelas tropas da repressão.

Crime bestial

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Sérgio foi barbaramente torturado e assassinado

Depois de rendidos, foram barbaramente torturados e humilhados. Os mais destacados líderes da resistência foram caçados e alguns sequestrados, torturados e executados. Sérgio Rodrigues, que, apesar de não fazer parte do acampamento, apoiava a luta, foi baleado, arrastado para um campinho de futebol e torturado. Por final, os pistoleiros o jogaram numa picape Toyota e seu corpo apareceu 18 dias depois nas margens de um rio em Chupinguaia, completamente dilacerado pelas torturas.

Os relatos dos camponeses que sobreviveram ao covarde ataque policial descrevem crimes hediondos do latifúndio e dos policiais. Camponeses tiveram os olhos furados e foram castrados vivos. Um camponês, sob tortura, foi obrigado a comer parte do cérebro de um companheiro que teve a cabeça esmagada pelos policiais. A pequena Vanessa Santos, de apenas 7 anos de idade, foi assassinada por um tiro de fuzil. Outros dez camponeses foram assassinados e vários foram desaparecidos.

Ainda durante o assalto do acampamento, mulheres foram agarradas e usadas como escudo pelos policiais e pistoleiros, muitas delas espancadas a golpes de coronhas de fuzis, carabinas e escopetas. Um campo de futebol próximo ao acampamento foi transformado em um campo de torturas macabro, onde covardes policiais encapuzados humilharam e espancaram homens na frente de filhos e mulheres. Uma foto desse campo correu o mundo: a prática genocida continuada do velho Estado burguês-latifundiário serviçal do imperialismo. Esses acontecimentos tornaram-se mundialmente conhecidos como “Massacre de Corumbiara”.

O latifúndio queria afogar em sangue aquela luta dos camponeses pela terra e só não o lograram devido à feroz e intrépida resistência das massas camponesas de Corumbiara.

As primeiras notícias da Batalha de Santa Elina começaram a ser veiculadas em todo o país, inicialmente pelas denúncias da Comissão Pastoral da Terra e pelo movimento sindical. A direção do MST, que se posicionou contrária àquela luta desde o começo da ocupação da fazenda Santa Elina, atuou como dedo-duro apontando lideranças da resistência para a Secretaria de Segurança do Estado (governo do PMDB do qual o PT fazia parte).

Divisor de águas

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Campo de torturas montado pela PM repercutiu internacionalmente

Nesse mesmo período, militantes revolucionários — que vinham de um processo de luta e ruptura com o nacional-reformismo, agrupados no propósito da reconstituição do movimento revolucionário no país — rapidamente deslocaram representantes para a região para apoiar a resistência, ademais de organizar a solidariedade às famílias combatentes daquela heroica luta. Outras organizações também prestaram apoio unindo-se em comitês de solidariedade com a luta de Corumbiara.

A luta pela aplicação da linha democrático-revolucionária para a luta dos trabalhadores nas cidades naquele período havia resultado na fundação da Liga Operária e Camponesa. Liderando alguns sindicatos classistas, esta organização, que cumpriu importante papel de apoio político e material para as famílias de Santa Elina, difundiu a luta, realizou campanhas de denúncia dos crimes do latifúndio e, através do avanço e acerto da linha política revolucionária, pôde sentar as bases para o impulsionamento da aliança operário-camponesa.

Simultaneamente, desenvolvia-se importante luta ideológica na direção da Batalha de Santa Elina. A direção do MST, como outras organizações do movimento popular, revelaram todo seu oportunismo com um covarde silêncio, quando não atacavam a luta de Corumbiara, fazendo coro com a reação. Logo, nos embates com o Incra, os oportunistas, principalmente da CUT-RO, mostraram sua posição capituladora pressionando as massas para aceitar as propostas deste órgão latifundiário de “assentar” as famílias em outras terras e não em Santa Elina.

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Zé Bentão, dirigente da LCP assassinado em tocaia

A direção mais combativa da resistência camponesa de Santa Elina (que se encontrava clandestina devido às perseguições dos órgãos de repressão do Estado, ademais de terem suas cabeças postas a prêmio pelos latifundiários ), com o apoio da Liga Operária e Camponesa, decide convocar o Encontro das famílias da resistência de Santa Elina. Neste encontro se travou dura luta entre as posições combativas e revolucionárias e as do oportunismo. Derrotados os oportunistas, as famílias marcharam com a posição da Liga para conformarem o Movimento Camponês Corumbiara (MCC), levantando alto a bandeira da retomada da fazenda Santa Elina.

Com o aprofundamento das lutas que seguiram com a tomada da fazenda Primavera, em Theobroma, entre outras, a resistência e toda a repercussão que alcançou a Batalha de Santa Elina, o MCC cresceu em todo estado. Com este crescimento aprofundou-se a luta ideológica no seio do MCC, marchando para o choque frontal das posições oportunistas de alguns de seus dirigentes com as do grupo de dirigentes forjados no fogo da Batalha de Santa Elina, que compreenderam de forma mais profunda os princípios do movimento camponês combativo. Esta luta, que marcava a diferenciação entre duas linhas, terminou com a expulsão dos indivíduos que degeneraram em práticas de exploração das massas, passando à delação do movimento para o inimigo.

Uma nova bandeira

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Celebração dos 15 anos da Resistência na Santa Elina retomada (9/8/2010)

Os quadros e militantes mais combativos e decididos, defensores da Resistência de Corumbiara, foram mais fundo na batalha ideológica em torno do balanço da resistência e do debate sobre o problema agrário e camponês no Brasil. O balanço da prática apontou que a fase do MCC se esgotara. Através das Comissões Camponesas de Luta avançou-se pelo caminho do movimento camponês do Norte de Minas Gerais e, tal como ele, conformou-se em Liga dos Camponeses Pobres (LCP).

O processo de lutas, depuração e formulação da linha democrática-revolucionária da Revolução Agrária em nosso país seguiu se aprofundando com vitórias e derrotas, mas sempre avançando para novas batalhas. As famílias remanescentes da Batalha de Santa Elina, com o apoio da Liga Operária* e de outras organizações classistas e populares, desenvolveram outras organizações de luta e resistência. Foi criado o Socorro Popular para dar suporte às famílias camponesas atingidas, aos presos, torturados e aos familiares dos assassinados. Também no tratamento da saúde, das sequelas físicas e mentais dos combatentes da luta. Foi criado o Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina (Codevise), formado por remanescentes da Resistência de Corumbiara e seus familiares, para dar continuidade à luta pela retomada e posse das terras pelos camponeses. Advogados, médicos e outros apoiadores se mobilizaram para dar suporte à luta.

A partir das contundentes denúncias dos crimes do latifúndio e das forças de repressão, o velho Estado brasileiro foi condenado na Corte Interamericana de Direitos Humanos. Em uma encenação de julgamento, que teve como objetivo tentar calar as denúncias, duas das lideranças da batalha (Cícero e Claudemir) e dois soldados da Polícia Militar foram condenados. Mas os principais mandantes e executores dos crimes hediondos cometidos contra os camponeses de Santa Elina permanecem impunes até hoje: José Ventura Pereira, tenente­ coronel que comandou as tropas assassinas; Valdir Raupp (PMDB), governador à época e comandante geral da PM; o secretário de segurança do estado de Rondônia, Antonio Ferreira Pinto; e Antenor Duarte, latifundiário da região conhecido pelos massacres contra populações indígenas e organizador da pistolagem contra os acampados de Santa Elina.

Vil papel do oportunismo

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Bandeira da LCP na Área Revolucionária Zé Bentão

Em agosto de 1995, logo após os acontecimentos na fazenda Santa Elina, Luiz Inácio Lula (PT) foi até o local do acampamento arrasado e deu entrevista à imprensa junto ao poço que, segundo denúncias, à época, foi o local onde haviam sido atirados os restos de corpos de camponeses incinerados por policiais e pistoleiros. Na ocasião, ele prometeu que, se um dia fosse eleito presidente do país, desapropriaria a fazenda Santa Elina, a entregaria aos camponeses e puniria os responsáveis pelas torturas e assassinatos. Passados 20 anos, o que se viu do gerenciamento petista foi o total apoio ao latifúndio com verbas colossais ao chamado agronegócio e para o movimento camponês só aumento da repressão, particularmente sobre o movimento mais combativo.

Nestes 20 anos e especialmente nos mais de 12 anos de gerenciamento petista só no estado de Rondônia dezenas de camponeses e suas lideranças foram assassinados. Os dirigentes da LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental: Francisco Pereira do Nascimento, o Zé Bentão, um dos fundadores da LCP, assassinado no ano de 2008 numa tocaia, na região de Jacinópolis; Élcio Machado e Gilson Teixeira Gonçalves, dirigentes da LCP sequestrados, barbaramente torturados e assassinados por pistoleiros a mando de latifundiários em Buritis em dezembro de 2009; o dirigente camponês e ativista revolucionário Renato Nathan, executado por policiais na região de Jacinópolis em abril de 2012. E, somam-se a estes, inúmeros ativistas da LCP, muitos deles não constando sequer nos já subestimados relatórios de mortes em conflitos agrários.

Hoje, o gerenciamento petista, afundado na crise econômica, política e moral, frente a este balanço deixa muito claro sobre o papel que tem desempenhado a serviço das classes dominantes, o latifúndio, a grande burguesia e o imperialismo, principalmente ianque.

Santa Elina é retomada

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Então candidato, Lula (PT) (de chapéu) na Santa Elina em 1995

Os camponeses de Santa Elina, organizados pelo Codevise e com o apoio da LCP, seguiram dando batalhas pela retomada e posse das terras. Logo após a Batalha de Santa Elina, o latifundiário tratou de dividir a fazenda, criando várias outras. Em 2007, uma delegação composta por dezenas de camponeses remanescentes da Batalha foi até Brasília exigir do gerente Lula o cumprimento de sua promessa de campanha. Os camponeses permaneceram lá 23 dias acampados e, covardemente, o Sr. Luiz Inácio se negou a recebê-los, enviando seu secretário Gilberto Carvalho e Paulo Vanucci, secretário de direitos humanos, para enrolar os camponeses.

Os camponeses nunca deixaram de tentar retomar suas terras. Em 2008 houve uma tentativa que fracassou devido à sabotagem dos oportunistas ligados ao PT e à Fetagro. Enquanto pistoleiros ameaçavam, os oportunistas jogavam todo o tempo para dividir as massas, lançando temor e propondo acampar fora da fazenda, além de jogar contra a entrada nas terras. Em 2010, sob a firme direção da LCP, que vinha preparando-se para nova investida, os camponeses retomaram vitoriosamente mais da metade da fazenda Santa Elina.

A retomada foi celebrada pelos camponeses e saudada em todo o país. Eles enfrentaram as ameaças e provocações de bandos de pistoleiros e de policiais, de um lado, e de outro as sabotagens do Incra e dos oportunistas do PT. Com a tomada, enfrentando as pressões do Incra e do Ouvidor Agrário Nacional, Gercino Silva, que ameaçava a direção da LCP com ações da Polícia Federal e do exército, os camponeses imediatamente cortaram suas terras por conta própria, distribuíram os lotes, iniciaram farta produção, construíram casas, estradas e pontes. As terras regadas pela heroica resistência foi nomeada Área Revolucionária Zé Bentão, em homenagem ao dirigente da LCP assassinado em 2008.

Novas batalhas

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Brasília, 2007. Lula se recusou a receber camponeses e não cumpriu sua promessa

Mas a posse das terras pelos camponeses não se concretizou sem novas batalhas. Os governos e o Incra, juntamente com Gercino Silva, agiram sorrateiramente para tentar dividir os camponeses. Como não conseguiram impedir a retomada e nem realizar o despejo, pressionaram para impor uma lista de famílias apresentada pela Fetagro e pelos deputados e vereadores do PT. Promoveram intrigas de todo tipo, chegando a confundir as massas com a ameaça de que o corte popular não tinha validade e que as famílias não obteriam os documentos de propriedade da terra. Com isto, impuseram um “novo” corte, diminuindo o tamanho e a disposição dos lotes.

Paciente e persistentemente, as 800 famílias, organizadas pelo Codevise e LCP, prosseguiram lutando e trabalhando. Criaram associações e aumentaram a produção. Realizaram manifestações, ocupações de prédios públicos e fechamento de rodovias. Conquistaram, com luta combativa, energia elétrica, reforma de estradas e pontes, construção de escola e posto de saúde na área.

Passados 20 anos da Heroica Resistência de Corumbiara, os revolucionários, democratas e pessoas de bem, realmente comprometidas com o nosso povo, devem fazer uma profunda reflexão sobre o seu papel. Por que essa luta é tão pouco lembrada pelos monopólios e sequer mencionada pelos oportunistas?

Honras aos heróis

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Retomada da Fazenda Santa Elina, 2010

A Batalha de Santa Elina, mesmo em sua relativa situação de movimento espontâneo, resultou ser o divisor de águas, não somente no movimento camponês, mas também no movimento popular como um todo. Exatamente porque ela foi a comprovação de que as massas, exercendo a justa violência revolucionária em oposição a injusta e genocida violência do velho Estado, são capazes de conquistar seus direitos e manter-se de cabeça erguida. É a materialização de que rebelar-se é justo. A Batalha de Santa Elina e todos os seus desdobramentos são inimigas do oportunismo eleitoreiro e suas promessas mentirosas. São a prova de que o povo organizado pode destruir o velho e construir o novo. A Batalha de Santa Elina e todos os seus desdobramentos são a prova de que as eleições reacionárias não mudam nada para o povo. São o exemplo latente de que os camponeses têm uma fortaleza e que a aliança operário-camponesa é capaz de executar as mais difíceis obras.

Neste 9 de Agosto de 2015, os camponeses estarão celebrando em suas terras a vitória sofrida da resistência camponesa. 20 anos de duras labutas, sacrifícios e sofrimentos, mas principalmente a luta combativa e a glorificação dos companheiros e companheiras que derramaram seu precioso sangue pela conquista daquelas terras, pela Revolução Agrária, por Justiça e uma Nova Democracia em nosso país. Nas mesas festivas estará a sua produção, fruto de seu trabalho e da sua luta. Lá estarão presentes camponeses de toda a região, de outras partes do país e organizações que apóiam a luta.

AND também estará presente registrando esse importante acontecimento.

Nos 20 anos da Resistência, evocamos e rendemos honras aos heróis do povo tombados na Batalha de Santa Elina: Sérgio Rodrigues Gomes, Vanessa dos Santos Silva, Manoel Ribeiro “Nelinho”, Maria Bonita, Ari Pinheiro dos Santos, Alcindo Correia da Silva, Enio Rocha Borges, Ercílio Oliveira de Campos, José Marcondes da Silva, Nelci Ferreira e Odilon Feliciano. Rendemos honras aos remanescentes desta luta que faleceram ao longo desses anos sem deixar de lutar um dia sequer por seus direitos e dignidade e deram sua cota preciosa de sangue para a retomada das terras. Aos dirigentes e ativistas da LCP de Rondônia tombados na luta contra o latifúndio, que, enfrentando a cadeia, a tortura e as balas covardes dos pistoleiros e das forças de repressão, mobilizam, politizam e organizam os camponeses sob a bandeira da Revolução Agrária.

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Manifestação do 6º Congresso da LCP de Rondônia em Jaru

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Nota

*Em 1997, em seu II Congresso, a Liga Operária e Camponesa muda sua designação para Liga Operária, partindo da compreensão de que, com o surgimento da Liga dos Camponeses Pobres, cumpria à Liga Operária organizar a luta classista e combativa dos trabalhadores nas cidades e impulsionar aliança operário-camponesa como instrumento fundamental para a revolução em nosso país.
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