Marino D’Icarahy: ‘manterei minha cabeça erguida’

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No dia 3 de agosto, acontecerá, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o julgamento do advogado do povo Marino D’Icarahy, acusado pelo Ministério Público do Rio de caluniar e injuriar o juiz Flávio Itabaiana, responsável pelo caso dos 23 ativistas presos na véspera da final da Copa da Fifa de 2014. Além disso, o MP também encaminhou a denúncia à Comissão de Ética e Disciplina da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, que, por sua vez, manteve-se na sombra e ainda não se pronunciou publicamente sobre a ação.

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Dr. Marino no momento da soltura do ativista Igor Mendes

Desde o início de sua atuação nas ruas, até a recente conquista da liberdade provisória para os ativistas Igor Mendes, Karlayne Moraes e Elisa Quadros, o Dr. Marino D’Icarahy demonstrou firmeza em suas ações e convicção de sua linha política em defesa dos direitos do povo e do direito de resistência das massas à violência policial. No entanto, o posicionamento do advogado despertou ódio em obscuros setores da sociedade, que não tardaram em atacar os lutadores do povo com as mais covardes estratégias. Em entrevista exclusiva ao AND, Marino comentou o caso.

Vejam só que paradoxo. Na segunda-feira, dia 3 de agosto, eu vou a julgamento. Dois dias depois, no dia 5, eu estarei assistindo a Elisa Quadros, que tem um interrogatório marcado. Além disso, se você somar as penas às quais eu estou sujeito, não só nesse processo movido pelo juiz Itabaiana, como no outro ao qual eu já respondo junto com o doutor André de Paula [da Frente Internacionalista dos Sem Teto], eu estou sujeito a uma pena de prisão que pode me levar para a cadeia, assim como os manifestantes que estão sendo assistidos por mim. São paradoxos que evidenciam um Estado policial, que não possuem qualquer razoabilidade — diz.

Isso é algo que nós já esperávamos. Nós estamos vivendo um Estado policial, presente até mesmo nas ideias das pessoas de uma forma inconsciente, na sociedade, dando eco e voz a tudo isso que está acontecendo, às ações desse Estado fascista. Dentro desse contexto, as perseguições se dão, primeiramente, contra os ativistas políticos e, em um segundo momento, ou até ao mesmo tempo, sobre os advogados. Vocês puderam assistir o que aconteceu nas jornadas de protestos de 2013 para cá, quando inúmeras vezes os advogados tiveram suas prerrogativas violadas, principalmente aqueles que atuaram em campo, nas ruas, tentando impedir que houvesse violação de direitos. Muitos deles foram agredidos e criminalizados — afirma.

De alguma maneira, nós já estávamos dispostos a esse risco, visto que, para enfrentar esse que não é só nosso adversário, é também nosso inimigo ideológico, para isso, nós temos que ter firmeza, temos que ter clareza, para, independente da força desse nosso inimigo, mantermos a nossa altivez, sabedores, convictos de que estamos do lado da causa do povo, estamos do lado da boa causa. Usaremos de todas as ferramentas que estiverem ao nosso alcance para que essas injustiças não se concretizem — garante.

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Se eles pensaram que iriam nos prejudicar, afetando nossa atuação profissional, se enganaram profundamente. É claro que eu fui incomodado inúmeras vezes por intimações enquanto trabalhava na defesa dos manifestantes. Isso não foi um acaso. Tudo isso me parece parte de todo um contexto que atenta contra as garantias mais fundamentais das pessoas e advogados. Se você chega a um ponto no qual você não tem o direito de lutar e não tem o direito de se defender, é porque estamos entrando em um momento obscuro da nossa história. E por falar na história, a completa inércia do Estado diante da violação desses direitos, historicamente, demarca um momento de perpetuação do fascismo — analisa.

Mas não se preocupem companheiros, pois eu ei de me defender com o mesmo afinco que defendi os ativistas presos e criminalizados. Irei me defender com a cabeça erguida de quem vem cumprindo seu papel de advogado, essa é minha vida, é minha paixão. Eu sei que estou fazendo essa defesa da mesma maneira que encaminhamos essa luta, em um ambiente que reproduz os porões de uma ditadura que as pessoas nem sabem que existe. Nós conseguimos derrubar quatro mandados de prisão da Copa para cá. Se eles querem nos atingir com tamanha força, com tamanha covardia, é porque nós os atingimos também. Isso me faz sentir que meu dever está sendo cumprido — conclui.

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