Há que reverter o rumo da guerra

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  1. Não se pode mais ter dúvida de que estamos em guerra, nem de que a estamos perdendo. Onde ela se trava? Obviamente, na economia. A inflação está em alta, e os juros na estratosfera são arma, não de defesa contra a inflação, mas, sim, de destruição em massa da economia.
  2. A enorme desvalorização cambial, com o dólar a mais de R$ 3,30, mostra a dimensão do descalabro, pois, em qualquer economia não corroída, altas taxas de juros implicariam valorização cambial.
  3. O bombardeio destrutivo é lançado, não diretamente pelo inimigo, mas pela 5ª coluna a serviço deste. É ela que decreta as taxas de juros absurdas e, através delas, a falência múltipla do País, com a colossal dívida interna.
  4. A desnacionalização da indústria, acelerada desde 1955, já levara ao saqueio do País nos anos 90, por meio das privatizações, e o pretexto para isso foi a dívida externa, completamente fora de controle já em 1982. A origem foram as transferências das transnacionais e o consequente acúmulo de déficits com o exterior.
  5. A essa altura as potências imperiais não precisavam mais do regime militar, cuja política financeira era submissa ao sistema financeiro “internacional”, mas tinha bolsões nacionalistas. Aproveitaram os anseios democratizantes da maioria da nação e comandaram a formação das instituições que viabilizaram radicalizar a desnacionalização da economia brasileira, inclusive a Constituição de 1988.
  6. Isso lhes permitiu, paralelamente à pilhagem das privatizações, ir inflando a gigantesca dívida interna, que agora serve para entabular nova fase de saqueio acelerado do patrimônio público do País.
  7. Esta fase, tal como a dos anos 90, é movida pela corrupção e pretexta moralidade para varrer do mapa a Petrobrás, a única megaestatal que escapara de ser totalmente alienada durante a ofensiva entreguista do Executivo “eleito” após a farsa do Plano Real (1994).
  8. Estão também marcadas para morrer as empresas nacionais de engenharia, o último bastião estratégico do empresariado nacional dotado de dinamismo tecnológico.
  9. O Estado brasileiro, dominado por interesses monopolistas dos cartéis transnacionais, ao contrário dos Estados sedes desses cartéis, age contra as empresas controladas por seus nacionais.
  10. É como se empobrecer o País fosse meta constitucional. Visto de outro modo, as instituições pátrias estão fora do controle do governo.
  11. O sistema da dívida — de há muito montado pelo sistema financeiro mundial — perpetua e agrava a abissal desigualdade entre as potências centrais e os países que, como o Brasil, vêm sendo submergidos na periferia.
  12. A partir do colapso financeiro (2007/2008) dos grandes bancos capitaneados pela oligarquia, ficou ainda mais patente que antes que eles contam com todo o poder daquelas potências.
  13. Quando controladores e executivos dos bancos da oligarquia se locupletaram ainda mais, através de fraudes, e, assim, os abalaram, através dos derivativos, os governos e as instituições financeiras mundiais os capitalizaram, dando-lhes dezenas de trilhões de dólares, inclusive novos títulos em troca de títulos podres.
  14. É diferente em relação aos países marcados para ser vitimados. É guerra, disfarçada como “austeridade”: programas de demolição econômica prescritos pelos fraudadores, que nem tomam conhecimento das auditorias de dívida, e os impõem via terrorismo — não adotar esses programas implica sanções descritas como letais para os recalcitrantes.
  15. O mais grave é que, nessa guerra, as potências imperiais confiam em seu poder, e isso não se dá do outro lado. No Brasil, por exemplo, investem, há mais de um século, na corrupção, desinformação e alienação das classes e corporações influentes: as forças estão dispersas e falta, mais que tudo, visão estratégica e até da realidade.
  16. O indispensável conhecimento sobre o adversário, recomendado por Sun Tsu, exige entender que nada há a ganhar das potências imperiais e que todo acordo com elas conduz à ruína. Só há esperança sem ele.
  17. Observadores honestos, com experiência em instituições-chave do poder imperial, confirmam-lhe a estrutura oligárquica e totalitária.
  18. Entre esses, Karen Hudes, durante vinte anos, assessora jurídica do Banco Mundial. Ela verificou a coesão, regida pelas famílias dominantes da oligarquia, entre: grandes bancos comerciais e de investimentos, empresas gigantes, Banco Mundial e FMI, bancos centrais, coordenados no Banco de Liquidações Internacionais, sediado em Basel, Suíça; além disso, sua ascendência conjunta sobre os governos.
  19. Hudes não omite a observação essencial, de que a dívida é a ferramenta principal para escravizar nações e governos. Estas são suas palavras:
    Querem que sejamos todos escravos da dívida, querem ver todos os nossos Governos escravos da dívida e que todos os nossos políticos sejam adictos das gigantes contribuições financeiras que eles canalizam nas suas campanhas. Como a elite também é dona de todos os principais meios de informação, esses meios nunca revelarão o segredo de que há algo fundamentalmente errado na maneira como funciona o nosso sistema”.

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