Potências ganham bilhões com arrocho ao povo da Grécia

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Voluntários distribuem alimento em região pobre da Grécia

Por trás de todo o disparate aparente e de toda a infâmia evidente em que se constituem as “medidas de ajuste” que há anos vêm sendo exigidas da Grécia, e que há anos vem sendo implementadas pelos sabujos que se sucedem no gerenciamento daquele país; por trás de tudo o que se faz a título de mitigar a crise, mas que na prática só faz perpetuar os seus efeitos mais dramáticos sobre as massas trabalhadoras; por trás de tudo isso, existe afinal uma certa lógica que atende a urgência por sobrevida dos grandes monopólios internacionais e dos Estados burgueses que lhes dão sustentação, e isso para além dos conhecidos manejos dos cabeças do capitalismo internacional para aproveitar momentos de agudização da crise para promover ondas de privatizações e de contrarreformas nos direitos historicamente conquistados pelas classes trabalhadoras.

Foi o que mostrou o resultado de um estudo conduzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica da Halle, na Alemanha. Segundo este estudo, Berlim deixou de pagar mais de 100 bilhões de euros em juros da sua dívida pública desde 2010, ano em que começou a vigente “austeridade” na Grécia, graças a um aumento do fluxo de compras de títulos dessa dívida, considerados mais “seguros”, proporcionado pelo contraponto da bancorrota grega e dos receios do mercado em geral em aplicar investimentos nos títulos das dívidas dos elos mais fracos da Zona do Euro, permitindo que o Estado alemão, pagando juros mais baixos da sua própria dívida, conseguisse equilibrar seu orçamento.

Para chegar a tal conclusão, o instituto analisou a relação entre a situação político-econômica na Grécia e as taxas de juros das dívidas grega e alemã. Os pesquisadores constataram que, ao passo que pioravam as notícias sobre a Grécia, ou seja, quanto mais profunda a “insolvência” do Estado grego, mais desciam as taxas de juros da dívida da Alemanha, valendo a equação também para o caminho inverso, ou seja, bastava haver notícias sobre sinais de recuperação da Grécia e a taxa de juros alemã voltava a subir, onerando as contas públicas administradas pela senhora Angela Merkel.

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