Migrantes: Hungria faz trabalho sujo para a senhora Merkel

Não durou muito aquela muito mal forjada imagem de protetora dos refugiados que a máquina de produzir mistificações do imperialismo tentou colar à chefe maior da Europa do capital monopolista, a “chanceler” alemã, Angela Merkel. Tampouco resistiu ao mais simples cotejo com a realidade a ideia degenerada de que o imperialismo alemão, ora chefiado por Merkel, seria o maior amigo que poderiam ter a parcela das massas de migrantes que ora batem às portas da Europa, batendo-se em fuga da barbárie na Síria e em outras nações do Norte da África e do Oriente Médio.

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Arames farpados para deter travessia dos refugiados na fronteira entre a Hungria e a Sérvia

Bastou que mais de 13 mil migrantes chegassem em um só dia à cidade Munique, no sul da Alemanha, para que a senhora Merkel, que chegou a vestir a carapuça de uma espécie de “Nossa Senhora dos Refugiados”, pusesse a fantasia de lado para voltar à Merkel legítima, aquela que há poucos meses, em um programa de televisão, explicou em rede nacional a uma refugiada palestina, ainda uma menina, que em breve ela teria que ser deportada, porque, do contrário, a Alemanha estaria dizendo “venham!” para -- usando o exemplo dado pela própria “chanceler” — todos os que estão em campos de refugiados do Líbano (o segundo país, atrás apenas da Turquia, com maior número de refugiados sírios registrados: mais de 1,1 milhão, segundo levantamento feito no último mês de junho).

Assim, no último 13 de setembro, a administração de Angela Merkel decretou o fechamento das fronteiras do país para postulantes a refúgio, destacou centenas de policiais para fazer valer a proibição e mandou interromper a circulação de trens com a vizinha Áustria. Em suma: Merkel suspendeu a vigência na Alemanha do tratado de Schengen, que prevê a livre circulação de pessoas entre as fronteiras de 26 países europeus. Entre eles estão, além da própria Alemanha, a Áustria e a Hungria, nações que compõem a “rota Schengen” da maioria dos migrantes que tentam chegar ao território alemão transitando por áreas de vigência de diversos outros acordos internacionais que garantem o “direito a asilo” — e na esperança vã de que esses acordos afinal sejam cumpridos.

O “secretário-geral” da ONU, Ban Ki-moon, em vez de exigir o cumprimento dos acordos firmados entre as nações, como as “Nações Unidas” costumam fazer antes de distribuir sanções a países que não são alinhados ao bloco de poder encabeçado pelo USA, esmerou-se apenas, até agora, em pedir “compaixão” aos Estados europeus, em uma peça exemplar de como a chamada “crise migratória” desencadeou entre as “autoridades” da Europa do capital monopolista e das instituições supranacionais do imperialismo um severo surto de hipocrisia.

Quem não peca por este tipo de demagogia são as “autoridades” da Hungria, a quem a Alemanha delegou, como complemento ao fechamento das suas próprias fronteiras, o trabalho sujo de erguer cercas de arame farpado e jogar canhões d’água e bombas de gás para repelir as massas de migrantes que tentam entrar na União Europeia pela rota húngara. Correram o mundo em meados de setembro as imagens dramáticas de toda esta violência desencadeada contra milhares de pessoas em desespero que se espremiam contra a cerca húngaro-germânica erguida na fronteira do espaço Schengen com a Sérvia.

A Hungria foi além e criminalizou, da noite para o dia, a tentativa de requerer asilo, estabelecendo penas de até três anos de prisão para o estrangeiro que se atraver a pisar em chão húngaro — ou seja, em chão europeu — sem ser previamente autorizado, ainda que seja público e notório que os migrantes, postulantes à condição de refugiados na Europa, queiram botar os pés naquele país apenas para atravessá-lo rumo às nações ricas do norte do continente.

Nem cercas, nem ilusões

No dia em que a lei húngara de criminalização de migrantes entrou em vigor, 15 de setembro, o prefeito da cidade de Asotthalom, na fronteira com a Sérvia, divulgou na internet um vídeo em que ostentava todo o aparato repressivo mobilizado pela Hungria contra os postulantes a refúgio. E advertia: “quem atravessar a fronteira ilegalmente pode facilmente ir parar na prisão”.

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