Denunciamos e condenamos a maior intervenção militar do imperialismo ianque contra nosso povo

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Proletários de todos os países, uni-vos!

Em primeiro de setembro estacionou-se por 6 dias no porto de Callao, no Peru, o porta-aviões do USA, George Washington, que conta com 90 aviões, uma tripulação de 3.200 homens e sofisticado armamento de defesa e de ataque, concretizando a utilização do Porto de Callao como base de operações navais da IV Frota da Marinha do USA (reativada depois de 58 anos, em julho de 2008*), a qual está sob o Comando Sul das forças armadas do imperialismo ianque.

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Helicóptero de fabricação ianque que equipa as forças do velho Estado peruano no VRAEM

Com este ato, o porto peruano de Callao passa a ser base de operações navais e, portanto, do posicionamento estratégico militar do imperialismo ianque na América Latina para sua guerra de agressão contra nossos povos. Com isto, o imperialismo está em condições de levar a cabo vastas operações militares no território do próprio Peru e dos demais países sul-americanos, como as que temos visto no Oriente Médio e no Norte da África.

Contra todas as declarações oficiais dos representantes do atual governo fascista, genocida e vende-pátria de Ollanta Humala e de seus antecessores, assim como de seus pares da América do Sul, que enchiam a boca sobre o “espaço de paz, livre de armas atômicas e da ameaça de guerras internacionais”, este fato marca a incorporação do Peru dentro do dispositivo militar ianque de guerra não convencional, convencional e até atômica.

Com isto, o porto de Callao, o  país e esta parte da América passam a ser objetivo militar  direto de qualquer futuro enfrentamento nuclear e/ou com outras armas de destruição massiva entre as superpotências e potências imperialistas. Os dispositivos balísticos de longo alcance com cabeças nucleares passarão a apontar o território do país como parte dos planos de resposta militar, incluída com armas atômicas, da outra superpotência e demais potências imperialistas. Assim, contra os interesses dos nossos povos, por obra do anterior governo de Alan García e do atual de Ollanta Humala, o país foi posto sob a ameaça de um ataque direto com armas de destruição massiva e de armas nucleares.

Não se trata, pois, somente duma curta visita deste porta-    aviões atômico ianque, senão de um ato de maior expansão, controle e ameaça militar do imperialismo contra nosso país e todos os demais países da América do Sul. Quanto ao Peru, mais concretamente, este poderoso deslocamento naval do USA é uma demonstração de força militar, que assinala o maior compromisso, intervenção e agressão militar direta do imperialismo contra nosso povo e o maior submetimento do velho Estado peruano, latifundiário-burocrático, aos ditados de seu amo. Aprofunda-se ainda mais a condição semicolonial do país.

Na aplicação da atual doutrina militar da guerra de agressão imperialista de “dirigir por trás” (“leading from behind”) do genocida Obama, em 19 de março de 2013, um novo “convênio de cooperação política e militar foi formalizado entre Peru e USA, a fim de enfrentar o narcotráfico e o terrorismo. O acordo também compreende a exploração segura de urânio e assistência humanitária” (diário El País da Espanha, 27 de março de 2013).

Este convênio, verdadeiro tratado desigual de submetimento do governo aos ditados do amo imperialista, substitui o anterior que foi firmado pelo governo militar de Odría em 1952. “O tratado, que começou a forjar-se em 2012, oficializou-se em 19 de março em Washington através de um memorando que dispõe o intercâmbio de tecnologia, treinamento e assessoramento técnico entre ambos os países” (El País, da mesma data).

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Posto militar em Mantaro

Em pleno submetimento a este acordo, os últimos dias de janeiro ditaram uma Resolução Legislativa e mais de 15 resoluções de Defesa (ver Diário Oficial El Peruano), aprovando dois tipos de ingressos de pessoal militar estrangeiro, fundamentalmente norte-americano. Ver que, em muitos casos, esse pessoal estrangeiro parte dos programas de “Treinamento e Equipamento”, que usam o USA para sua intervenção em nossos países, como o pessoal militar colombiano, por exemplo.

O mesmo diário divulgou que essas resoluções sevirão para enfrentar “o crime organizado, gerado pelo narcotráfico e o terrorismo, ainda ativo na zona do VRAEM [Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro], ademais das jazidas de urânio. Desta forma, o governo de Ollanta Humala jogará um papel importante na luta pela segurança na América do Sul”.

Nestes dias, o novo chefe do Comando Conjunto das forças armadas do velho Estado peruano, ao assumir suas funções, declarou que o objetivo principal de seu comando será acabar com a ameaça “narco-terrorista no VRAEM”.

Todo o assinalado anteriormente deixa assentado com toda clareza quais são os objetivos desta maior intervenção e agressão direta do imperialismo, isto é: está dirigida contra as lutas populares que estão estremecendo o país, apontando especialmente contra o campesinato que vive do cultivo da coca, as massas mais pobres e mais amplas e contra a guerra popular, que, pese os problemas de direção no Partido Comunista do Peru (PCP) que a dirige —, se mantêm contra o vento e a maré.

A região geográfica conhecida como VRAEM, mais acima mencionada, é uma zona importante do Comitê  Regional Principal do PCP, donde, entre outros lugares, se persiste em desenvolver a guerra popular, em meio da qual se leva a tarefa pendente da reorganização geral do Partido sujeitando-se firmemente à Chefatura do Presidente Gonzalo. A reorganização do Partido se dá em meio da guerra popular, em combate de morte contra ambas linhas oportunistas de direita revisionistas e capitulacionistas (LODs).  Uma destas usurpou o Comitê Principal e se separou do PCP, formando seu próprio partido revisionista. Ela se mantém ativa ali no VRAEM, atuando de acordo com sua linha militar burguesa, oposta à linha militar proletária e desenvolve a política de feudo de senhores da guerra.

Porém, os comunistas  pugnam por cumprir sua tarefa da reorganização do Comitê Regional Principal enfrentando as forças armadas e policiais fascistas, genocidas e vende-pátria e suas forças auxiliares ou capangas dirigidas pelos mandos e forças militares de elite do imperialismo ianque e outras tropas e agências como a CIA, DEA, FBI, etc., que atuam em sua “guerra silenciosa” cometendo toda classe de crimes e atrocidades contra os comunistas e as massas. Os comunistas estão seguros de que, em que pese os sacrifícios e persistindo no caminho, irá se recuperando o perdido. Brilhante perspectiva!

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Porta-aviões George Wasington próximo à Ilha de Callao

Todas estas forças militares ianques, especialmente as de elite ou Forças de Operações Especiais (US Special Operations Forces - SOF), têm intervido durante todos estes anos no país, porém agora têm a necessidade de escalar sua intervenção para buscar conjurar a reorganização geral do Partido, aplastar a sangue e fogo o desenvolvimento das lutas do campesinato nesta região e buscar truncar seu encontro com a luta das massas camponesas e populares do resto do país que estão desenvolvendo suas poderosas mobilizações contra o maior despojo a que as submetem o imperialismo, o capitalismo burocrático e os latifundiários; buscam conjurar que todas estas lutas confluam numa só torrente, dando um novo salto na incorporação das massas à guerra popular**. Assim, enfrentando diretamente o imperialismo ianque, se está forjando o caminho de libertação popular.

A maior parte destas forças que empregam os imperialistas para sua agressão no Peru são tropas de Rangers, Boinas Verdes, a SEALs, o apoio do pessoal da marinha (The Navy) e um pequeno contingente dos marines. As mesmas que estão dirigidas pelo Comando de Operações Especiais (US-SOCOM), que está diretamente subordinado ao Comando Sul (U.S.-SOCSOUTH), o qual conduz as missões na América Central, América do Sul e Caribe***. Estes são também fatos concretos que marcam a chegada do porta-aviões George Washington como um ato de maior agressão e intervenção militar do imperialismo ianque contra nosso povo.

Denunciamos que sua pretendida “luta contra o crime organizado” de seu novo convênio não é mais que uma cortina de fumaça para tratar de legitimar sua intervenção e agressão militar em defesa direta de seus interesses: do saqueio de nossos recursos naturais e a exploração da força de trabalho do povo peruano.

Dentro deste marco, as forças armadas do imperialismo ianque e de seus lacaios peruanos assumem tarefas de “segurança” (policiais), que, de acordo com seu próprio ordenamento legal internacional e nacional, não lhes corresponde, já que a estas lhes corresponderia as tarefas de “defesa”. É dentro desta centralização fascista, que confere cada vez mais poder às forças armadas e que alguns chamam “militarização das tarefas de segurança”, que o governo fascista envia as forças armadas genocidas para reprimir os protestos das massas. A campanha nos meios de comunicação “cala teu choro” busca gerar uma psicose de insegurança na população e serve a este mesmo fim criminoso de intervenção, agressão e repressão, e como bandeirinha eleitoral para a troca de autoridades do velho Estado peruano do próximo ano.

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Para finalizar, denunciamos que o território peruano também é utilizado pelo imperialismo ianque para desenvolver seus planos criminosos contra a humanidade como seu plano de guerra bacteriológica, que se conhece desde julho deste ano e o qual não teve o repúdio que merece****. Nós o condenamos, repudiamos e assinalamos que o imperialismo ianque é o inimigo principal dos povos do mundo e, que pese os imensos genocídios  e crimes de toda espécie que comete,  estes não são sinal de sua fortaleza, senão de seu maior afundamento. O imperialismo está na etapa de seu varrimento definitivo. Todas as monstruosidades que comete não são senão braçadas de fera ferida de morte,  e já está sendo varrido pelo proletariado e os povos do mundo mediante a guerra popular. A este varrimento está servindo à guerra popular no Peru.

Ianques, go home!

Setembro de 2015

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Notas:

* A frota está embasada na cidade de Mayport, no estado da Flórida, USA, e responderá, por sua vez, ao Comando Sul do USA, localizado na cidade de Miami, e que dirige todas as forças militares desse país na América Latina, afirmou um relatório de 2008.

** Um analista, Ricardo Soberón, que responde por uma ONG financiada por imperialismo holandês, ex-funcionário do governo Huala, portanto insuspeito de maoísmo, opinou: “Então, como pode se explicar o reforço militar do território peruano? As suspeitas recaem na atual situação de convulsão social com mais de 200 conflitos ativos, dos quais 66,8% em torno de problemáticas socioambientais contra projetos extrativos, segundo dados do Relatório de Conflitos Sociais nº 134 da Defensoria do Povo, com data de abril deste ano.

O govenro de Ollanta Humala ocacionou, até agora, mais de 50 mortes por conflitos sociais e, apesar disso, as reformas econômicas de flexibilização de inversão estrangeira, a diminuição do controle/fiscalização do meio ambiente e maior repressão estatal dos protestos têm se mantido inalteradas. Evidência destas práticas é a regulação da Lei nº 30151 que estabelece a isenção de responsabilidade penal de “pessoal das Forças Armadas e da Polícia Nacional, que em cumprimento de seu dever e em uso de suas armas ou outro meio de defesa, cause lesões ou morte” (Soberón, Ricardo, 11 de março de 2015).

*** Estas forças especiais do imperialismo pertencem à rede global SOF (dentro do programa SOLO) com agentes de ligação que estão agora incorporadas em catorze embaixadas-chave do USA para ajudar no aconselhamento de várias forças especiais de várias nações “aliadas”. Já está operando na Austrália, Brasil, Canadá, Colômbia, El Salvador, França, Israel, Itália, Jordânia, Quênia, Polônia, Peru, Turquia e Reino Unido.

Sabe-se também que, no momento, o USA tem forças militares no Peru através do Esquadrão Anfíbio 5, composto por vários navios de transporte, aviões de guerra e grupo de tarefa especial de marines preparados para atuar em uma “guerra rápida” (como relatado em fevereiro deste ano). Sabe-se  que, há um ano, essas forças operam nos mais de 10 mil quilômetros de rios na Amazônia peruana.

Também é de conhecimento de todos que o USA tem nove bases militares em território peruano e que a maior parte delas foi estabelecida depois do início da guerra popular, em 17 maio de 1980 (ILA-80), e muitas das quais estão em ou nas poximidades do chamado VRAEM.

**** Associated Press, 03 de setembro de 2015 - o secretário do exército, John McHug, suspendeu as operações em quatro laboratórios do Departamento de Defesa que se encarregam de toxinas biológicas (...) para explicar e corrigir os problemas que conduziram ao envio acidental de antrax a dezenas de outros laboratórios de todo o país e do mundo.

Em um memorando, McHugh também odenou (...) uma revisão ampla em nove laboratórios de departamentos envolvidos com a produção, transporte ou com a manipulação de toxinas biológicas. Também ordenou um informe sobre as revisões dentro dos próximos 10 dias.

Os nove laboratórios do USA estão em Ohio, Massachusetts, Maryland, Virginia e Utah. Outros estão no Egito e no Peru.

Sua ordem amplia a moratória inicial anunciada em julho, que suspendeu as atividades com antrax. Ele dirige os trabalhos de revisar todos os procedimentos de segurança, manutenção de equipes, manutenção de registros e as práticas padrão para o manejo das toxinas.

(...) As nove instalações com ordem de levar a cabo revisões de segurança, algumas das quais incluem os laboratórios submetidos a uma moratória, são:  Dugway Proving Ground, em Utah; 711ª Personal Wing e Wright Base Aérea Patterson, em Ohio; Edgewood Centro Biológico Químico, em Maryland; Unidade 3 de Investigação Médica Naval do USA no Egito; Unidade 6 de Investigação Médica Naval do USA, no Peru; US Army Soldier Systems Center, em Massachusetts; Naval Medical Research Center e Fort Detrick, em Maryland; Naval Surface Warfare Center e Dahlgren, em Virginia;  Instituto de Investigação Médica de Enfermidades Infecciosas do Exército do USA e Frederick, em Maryland.

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