20 anos da criação da Liga Operária

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A história da criação da Liga Operária remota a uma reunião realizada no dia 2 de setembro de 1995, em São Paulo. Uma Plenária Sindical Nacional com sindicalistas de diversas partes do Brasil que tomaram a decisão pela criação de uma Comissão Pró-Liga Sindical Operária e Camponesa e também pelo desencadeamento de um Movimento Pela Greve Geral. A plenária teve a participação de mais de 95 sindicatos e representou uma tomada de posição de uma parcela dos trabalhadores frente ao agravamento da crise e de rompimento com o oportunismo no movimento sindical.

 Naquele momento, a política do governo FHC, a mais violenta e espoliadora intervenção do imperialismo no país até então, jogava mais de 60 milhões de brasileiros na miséria e em condições de vida subumanas, e o desemprego atingia quase 10% da classe operária. FHC comandava uma repressão feroz a cada reação dos trabalhadores, como aconteceu na invasão do exército nas refinarias da Petrobras, no massacre de Corumbiara, em Rondônia, e nas constantes decisões da justiça burguesa contra o povo.

 Destacada decisão da Plenária foi a conclamação de que é tarefa da classe operária unificar todo o sindicalismo classista em defesa dos direitos dos trabalhadores da cidade e do campo, resistir à truculência do governo e das classes dominantes e transformar cada palmo de nosso chão em trincheira de luta. A Plenária conclamou a luta intransigente em favor dos interesses da classe operária, condenou as ilusões de classe, chamou a desenvolver a organização independente e a consciência dos trabalhadores e o rompimento com o controle quase total do oportunismo sobre os sindicatos, que os leva ao burocratismo e o imobilismo.

 Os sindicalistas da histórica Plenária definiram como tarefa chave a ruptura com o oportunismo e a construção de um sindicalismo de combate e classista. De forma autocrítica, denunciaram a degeneração que tomou conta da direção da CGT-Central, tendo à frente o seu presidente Antônio Neto, que em nada se diferenciava da Força Sindical, com sua política de bajulação às classes dominantes, ao congresso nacional e ao PMDB de Quércia e Sarney, bem como as práticas mais abjetas de entendimento e negociatas com os patrões para financiamento de suas atividades e manutenção dos seus diretores. Fizeram também vigorosa denúncia do uso dos sindicatos como trampolim para eleger parlamentares ditos de “esquerda” ou mesmo para vender o apoio dos trabalhadores a esta ou aquela corrente burguesa ou pequeno-burguesa em moda. A preparação de uma Greve Geral para derrotar a política servil e antipopular de FHC foi a bandeira desfraldada na Plenária, que apontou a abrir uma nova situação para a conquista da Justiça, Democracia, Terra e Trabalho para Todos.

 Na luta pela conformação da Liga, em março de 1996, é prestado apoio a vitoriosa tomada de um terreno da prefeitura de Belo Horizonte, denominada de Vila Corumbiara. Outra significativa tomada de terra na cidade foi a da Vila Bandeira Vermelha, em abril de 1999, em Betim - MG. Logo no início do governo Lula, em manifestação no dia 21 de abril de 2003, em Ouro Preto, a Liga esfregou na cara de Luiz Inácio e seu séquito a faixa ‘Abaixo as reformas do governo Lula/FMI’, desmascarando o oportunismo e o conteúdo reacionário das políticas do governo.

 Agora, vinte anos depois da Plenária de criação do embrião da Liga Operária, em pleno predomínio do oportunismo petista que sucedeu FHC, primeiro com o pelego-mor Luiz Inácio e, depois, com o atual governo Dilma — em franca decadência e em meio a todos os tipos de golpes disparados contra os trabalhadores e a violência das classes dominantes (a grande burguesia e o latifúndio) contra os pobres no campo e nas cidades —, estão atualíssimas as decisões tomadas naquela Plenária Sindical de fortalecimento da organização classista, combativa e independente dos trabalhadores. 

É cada vez mais crescente o repúdio à farsa eleitoral e mais clara, para o povo, a inutilidade da participação em quaisquer desses governos de turno, serviçais do imperialismo, da burguesia e do latifúndio, que oprimem e exploram o povo, os operários e camponeses, criando leis e baixando medidas antipovo para cortar direitos dos trabalhadores e saquear o país.

 Também o que a Liga apontava há duas décadas, com respeito às centrais governistas e pelegas, se confirmou de forma exponencial durante a ascensão do oportunismo petista ao posto principal do gerenciamento do Estado burguês-latifundiário, com o megapelego Luiz Inácio sancionando a lei 11.648/2008, repassando para as centrais sindicais 10% do imposto sindical, que, descaradamente, assumem o papel de respaldar o governo e que hoje servem de escudo para defender seus podres gerentes. Essa pelegada, encastelada no governo e em conluio com a patronal, afrontam e traem os trabalhadores, causando indignação e revolta, como foi o caso dos garis no Rio de Janeiro, dos professores no Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e São Paulo e os metalúrgicos do Estaleiro EISA (antigo Estaleiro Mauá), no Rio. Estas são evidências de que o sindicalismo pelego e governista está com os dias contados.

 Após a rica discussão de sindicalistas na Comissão Pró-Liga, originou-se a Liga Operária e Camponesa, nascida no fogo da luta de classes, apontando aos operários e camponeses a necessidade de organizar a luta na cidade e no campo. Em seu 1º Congresso, em 1997, é feita a discussão da necessidade de avançar a luta no campo, para cobrar a dívida secular com os camponeses pobres, originando as Ligas de Camponeses Pobres, propondo a destruição do latifúndio e a partilha das terras aos camponeses sem terra ou com pouca terra em vários cantos do país.

Com isso, sempre atuando de forma integrada às ações das Ligas de Camponeses Pobres, assumiu a atual denominação de Liga Operária, concentrando o trabalho de resistência econômica nas cidades e pela aliança operário-camponesa, com ações de solidariedade e apoio ao movimento camponês de luta.

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