Estado reacionário em Manguinhos e seu impacto nos últimos sete anos

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http://www.anovademocracia.com.br/158/08b.jpgQual o desdobramento dos casos na justiça?

Até hoje, nenhum desses casos de assassinatos cometidos pela Polícia Militar no Complexo de Manguinhos foi de fato esclarecido pela justiça. Amarrada às inúmeras instâncias burocráticas colocadas pela poder judiciário, a maioria desses casos se encaminha para um desfecho comum nos episódios de crimes cometidos por PMs no Rio de Janeiro, que é a completa inércia, ilustrada por mais e mais irregularidades, como ameaça e coação de testemunhas, autos de resistência forjados, ocultação de provas, cenas do crime alteradas pelos próprios criminosos e não comparecimento dos réus às audiências, que sempre acabam sendo remarcadas. Com todos esses fatores, torna-se cada vez mais improvável a elucidação desse tipo de crime, abrindo precedentes perigosos para que continuem acontecendo sem que seus autores sejam levados à justiça.

http://www.anovademocracia.com.br/158/08d.jpgManguinhos no contexto dos jogos olímpicos

A favela de Manguinhos está localizada no coração do subúrbio carioca, exatamente entre a Zona Sul, o Centro e o aeroporto Antônio Carlos Jobim. Mais conhecido como Galeão, o aeroporto recebe todos os voos internacionais que chegam à cidade e por ali passarão todos os turistas que visitarão o Rio durante as Olimpíadas no ano que vem. Exatamente por esse motivo, os gerenciamentos estadual e federal investiram milhões de reais na militarização de Manguinhos, com um efetivo de 250 policiais militares que, desde outubro de 2012, integram a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) que existe no local. Composto por várias favelas, entre as quais estão Samora Machel, Mandela I e II, Embratel, Mandela de Pedra, CCPL e Favela de Manguinhos, o Complexo também teve as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) intensificadas depois da escolha do Rio de Janeiro para ser a cidade sede das Olimpíadas de 2016. As obras efetuadas de lá para cá não passam de uma maquiagem para esconder os sinais de extrema pobreza e carestia que assolam o Complexo de Manguinhos desde o início de sua existência, no final da década de 70 e início de 80. Enquanto continuam os antigos problemas do local, como o saneamento básico precário, a falta de creches e áreas de lazer; obras de reposicionamento de ruas, becos e vielas, assim como a obra de elevação da linha férrea no trecho da Estação de Manguinhos do trem causaram a remoção de 240 famílias que viviam no local e foram despejadas sem indenizações justas que garantissem a essas pessoas a possibilidade de adquirir uma nova moradia compatível à antiga habitação destruída pelos tratores da prefeitura.

http://www.anovademocracia.com.br/158/08a.jpg2009 – O gerente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura o Plano de Aceleração do Crescimento em Manguinhos, prometendo mundo e fundos a sua população.

2010 – Diferente do que foi prometido por Luiz Inácio, as obras do PAC revelam-se meramente obras de maquiagem e os problemas estruturais das favelas do Complexo não são de fato sanados pelos gerenciamentos de turno.

2011 – Os gerenciamentos estadual e federal anunciam o despejo de centenas de famílias que viviam às margens da Avenida Leopoldo Bulhões e a demolição de suas casas para o alargamento das pistas e a elevação da linha férrea.

2012 – Em outubro desse ano, 2 mil agentes de repressão, entre policiais e fuzileiros navais, participam da operação Pacificação Manguinhos, que marca o início da militarização do Complexo.

2013 – É inaugurada a 29ª Unidade de Polícia Pacificadora em Manguinhos, contando com um efetivo de aproximadamente 250 policiais e a promessa de tempos de paz no local.

2013 (março) – Jovem Fernando Wanderley da Silva Reis, de 22 anos, é baleado nos pés por policiais e ainda é preso arbitrariamente, tendo que passar seis meses encarcerado.

2013 (março) – Dias depois do incidente com Fernando, o jovem Mateus Oliveira Casé, de 17 anos, é torturado com choques por policiais e morre depois de uma parada cardíaca.

2013 (outubro) – Em menos de seis meses, a UPP já produzia mais uma morte, do jovem Paulo Roberto Pinho de Menezes, 18 anos, espancado até a morte por PMs da polícia “pacificadora”.

2014 (março) – 100 famílias são removidas de um prédio abandonado e, revoltadas, ainda são reprimidas com tiros de munição letal e bombas de gás lacrimogêneo por PMs da UPP.

2014 (maio) – O jovem Jonathan de Oliveira Lima, de 19 anos, é assassinado por policiais militares com um tiro pelas costas.

2014 (junho) – Enquanto acontecia no Maracanã mais um jogo da Copa da Fifa, o jovem Afonso Maurício Linhares, de 25 anos, foi morto por PMs da UPP quando jogava futebol.

2015 (setembro) – Menino de 12 anos identificado como Cristian Soares Andrade é morto com um tiro de fuzil pelas costas após uma troca de tiros entre policiais civis e militares.

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