Farsa eleitoral naufraga em Portugal

Quase metade dos cidadãos ditos “aptos a votar” decidiram não participar das eleições legislativas realizadas em Portugal no último dia 4 de outubro. Isso se deu apenas quinze dias após o povo da Grécia rechaçar a convocatória às urnas naquele país, onde mais de 45% dos “aptos a votar”  — entre abstenções, votos brancos ou nulos — disseram não à farsa eleitoral.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Essa é mais uma sonora demonstração do repúdio das massas a essa farsa, que pretende dar um verniz “democrático” à gestão da crise do imperialismo. Opta supostamente por este ou aquele grupo de poder, que ao fim e ao cabo apenas seguirão as diretrizes traçadas pelo FMI e pelos cabeças da Zona do Euro, fosse quem fosse o “eleito”. Isso não obstante os apelos desesperados ao voto publicados em editoriais dos jornais da burguesia portuguesa quando as pesquisas já indicavam o boicote recorde.

A taxa de não votantes destas últimas eleições legislativas portuguesas foi de retumbantes 43%. Somando-se a este número as porcentagens de votos brancos e nulos, o índice dos eleitores portugueses que se recusaram a se prestar a este papel de avalistas do FMI foi de quase 47%, desmoralizando, deslegitimando e desqualificando total e completamente o processo eleitoral.

Não obstante, assim como no Brasil, os derrotados pelo rechaço popular são declarados pelas classes dominantes “vencedores” das eleições. E, com 36,8% dos votantes, a PAF, frente de facções eleitoreiras que atualmente gerencia o velho Estado português para o grande capital monopolista e financeiro europeu, formada pelos partidos que assumem a posição mais abertamente conservadora, que amealhou 1,9 milhão de votos, foi reeleita. Isso enquanto o número de portugueses que boicotaram a farsa eleitoral foi de estrondosos 4,5 milhões, de um total de 9,6 milhões de eleitores cadastrados.

Assim, o atual “primeiro-ministro”, Pedro Passos Coelho, que já ocupa o posto desde 2011, foi reeleito com números míseros de 19,7% de votos.

O espectro  do boicote ronda a Europa

Antes das eleições legislativas de outubro último, um grupo de cidadãos portugueses criou uma página na internet para apresentar aos seus compatriotas infográficos com dados que cumprem o seguinte objetivo, lá expresso:

“Os resultados eleitorais que encontramos nos jornais, televisões e outros meios são quase sempre apresentados com a abstenção como um dado à parte, com as percentagens dos votos relativas ao número de pessoas que votaram. E se tentássemos ver essas porcentagens face a todos os eleitores registados, incluindo as pessoas que não votaram? Qual é a percentagem dos eleitores responsável por eleger os sucessivos governos?”.

Alisando os gráficos, uma das conclusões a que se chega é que a última vez que um “primeiro-ministro” foi eleito com uma porcentagem de votos maior — considerando-se o total de eleitores cadastrados — do que a soma das porcentagens de votos brancos, votos nulos e de abstenções foi no longínquo ano de 1991, e por pouco. Naquela feita, o atual “presidente” português, Aníbal Cavaco Silva, sagrou-se então “primeiro-ministro” com a mobilização a seu favor de 34,4% do total do eleitorado, em uma eleição que teve a soma de abstenções, brancos e nulos batendo nos 33,52%. Em outras palavras: há quase 25 anos o fantasma do Boicote é quem “ganha” entre as massas em Portugal.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão (In memoriam)
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Taís Souza
Gabriel Artur
Giovanna Maria
Victor Benjamin

Ilustração
Victor Benjamin